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Moro (e não o hacker) vaza investigação da PF para Bolsonaro

Investigação sobre os laranjas do PSL, que corre em sigilo, foi parar na mão do presidente 

Da Folha
“Ele [Moro] mandou a cópia do que foi investigado pela Polícia Federal pra mim. Mandei um assessor ler porque não tive tempo de ler”, disse o presidente

Moro vazou para Bolsonaro

Presidente disse que ministro lhe deu cópia de investigação da PF, mas ela está em segredo

 

Com manifestações esvaziadas, MBL é hostilizado pela direita bolsonarista

Movimento foi um dos maiores entusiastas das manifestações deste domingo (30) em apoio a Sergio Moro

Por Bruno Pavan

Movimento Brasil Livre saiu derrotado das ruas neste domingo após as manifestações em apoio ao ex-juiz e atual Ministro Sergio Moro depois do escândalo da Vaza Jato, revelado pelo site The Intercept Brasil.

As mobilizações foram menores  que as registradas tanto contra o governo (dias 15 e 30 ) quanto a favor (26 ). Nenhuma delas teve participação do movimento na organização. 

Além disso, em São Paulo e no Rio de Janeiro eles foram até mesmo hostilizados da própria mobilização que ajudou a organizar. Eles soltaram até mesmo uma nota oficial lamentando os episódios. 

Como esse blog já havia adiantado, as mobilizações seriam uma queda de braço entre a direita brasileira. Hoje, os conservadores mais aguerridos no apoio ao governo mostraram que estão mais mobilizados.

Leia artigo publicado aqui no dia 28 http://bit.ly/QuedadeBracoDireita

QUEDA DE BRAÇO DA DIREITA NAS RUAS

 

Protesto marcado para esse domingo, por quento, não conta com o entusiasmo de quem foi pras ruas no último dia 26

Por Bruno Pavan

Você sabia que no próximo domingo (30) terão protestos pelo Brasil? É isso mesmo, o Movimento Brasil Livre (MBL) que foi chamado de “tonto” pelo ex-juiz e atual Ministro Sergio Moro em uma das mensagens vazadas pelo The Intercept, está organizando um ato em favor da operação. 

Se você não viu nada em lugar nenhum, fique tranquilo, você teria mesmo que se esforçar muito pra isso. 

Diferente da manifestação do último dia 26 de maio, de apoio ao governo, o MBL, que foi o maior mobilizador das multidões que foram as ruas contra a ex-presidenta Dilma Rousseff e o PT, tem tido dificuldades para se comunicar dessa vez. O fato deles terem ficado de fora do primeiro protesto, gerando a acusação de serem comunistas por simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro, pode ter prejudicado o sucesso dos atos.

Ao contrário dos protestos do mês passado, quando disse que iria e não foi, mas o fez ficar em voga durante toda a semana na imprensa, Bolsonaro está no Japão uma hora dessas, na cúpula do G20, e, apesar de também ter passado vergonha e querendo vender bijuterias de nióbio, conseguiu fechar o acordo da União Europeia com o Mercosul.

O maior homenageado nem no Brasil está. O Ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro está numa misteriosa viagem (ele não tem nem agenda oficial) aos Estados Unidos bem na semana que iria se explicar na Câmara dos Deputados.

O editor chefe do The Intercept Brasil Gleen Greenwald não fugiu a foi a Câmara nesta semana. Diante de um shoe de homofobia, onde deputados tinham uma dificuldade latente em chamar seu Marido, o também deputado David Miranda de MARIDO, ele disse para o deputada Carla Zambelli que ela iria se arrepender de pedir para ouvir os áudios das conversas de Moro (ainda não publicados). 

Mas o principal fator do futuro fracasso das manifestações aconteceu na última terça-feira (25) quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por deixar o ex-presidente Lula preso até, pelo menos, agosto. 

Como numa reviravolta em um roteiro pacato e modorrento de um filme de herói, seria muito mais saudável à manifestação de domingo se Lula fosse solto. Os pixulecos se encheriam de ar novamente e as pessoas estariam motivadas a retornar às ruas, menos de um mês depois da última manifestação. 

A verdade hoje é que a Lava Jato está nas mãos da direita e extrema-direita do país. Desde que Moro aceitou ser ministro de Bolsonaro, quem a defendia por ser apartidária já ficou com uma pulga atrás da orelha. Ainda assim, Moro é o ministro mais popular do governo Bolsonaro, o que reforça a tese de ter virado um personagem da extrema direita brasileira.

O colunista da Folha de S. Paulo Celso Rocha de Barros, em coluna no último dia 24/06, apontou que “a Vaza Jato torna mais fácil para o Presidente da República fazer o que sempre quis fazer com o ministro da Justiça: reduzi-lo a um tamanho que ainda faça bela figura em seu ministério sem, entretanto, tornar-se um rival na eleição presidencial de 2022.”

(Opinião parecida com a desse blog aqui )

Por fim, o próximo domingo vai mostrar a força de uma direita que quer se afastar do governo Jair Bolsonaro. O MBL preferiu ficar de fora dos protestos do dia 26 de maio, que não foram um estrondoso sucesso, mas também não foram um fracasso. Eles agora estão na linha de frente de uma outra mobilização e querem marcar território na defesa da Lava Jato. Se não conseguir levar milhões às ruas, perdem a musculatura.

Queda de braço da direita nas ruas

Protesto marcado para esse domingo, por quento, não conta com o entusiasmo de quem foi pras ruas no último dia 26

Por Bruno Pavan

Você sabia que no próximo domingo (30) terão protestos pelo Brasil? É isso mesmo, o Movimento Brasil Livre (MBL) que foi chamado de “tonto” pelo ex-juiz e atual Ministro Sergio Moro em uma das mensagens vazadas pelo The Intercept, está organizando um ato em favor da operação. 

Se você não viu nada em lugar nenhum, fique tranquilo, você teria mesmo que se esforçar muito pra isso. 

Diferente da manifestação do último dia 26 de maio, de apoio ao governo, o MBL, que foi o maior mobilizador das multidões que foram as ruas contra a ex-presidenta Dilma Rousseff e o PT, tem tido dificuldades para se comunicar dessa vez. O fato deles terem ficado de fora do primeiro protesto, gerando a acusação de serem comunistas por simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro, pode ter prejudicado o sucesso dos atos.

Ao contrário dos protestos do mês passado, quando disse que iria e não foi, mas o fez ficar em voga durante toda a semana na imprensa, Bolsonaro está no Japão uma hora dessas, na cúpula do G20, e, apesar de também ter passado vergonha e querendo vender bijuterias de nióbio, conseguiu fechar o acordo da União Europeia com o Mercosul.

O maior homenageado nem no Brasil está. O Ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro está numa misteriosa viagem (ele não tem nem agenda oficial) aos Estados Unidos bem na semana que iria se explicar na Câmara dos Deputados.

O editor chefe do The Intercept Brasil Gleen Greenwald não fugiu a foi a Câmara nesta semana. Diante de um shoe de homofobia, onde deputados tinham uma dificuldade latente em chamar seu Marido, o também deputado David Miranda de MARIDO, ele disse para o deputada Carla Zambelli que ela iria se arrepender de pedir para ouvir os áudios das conversas de Moro (ainda não publicados). 

Mas o principal fator do futuro fracasso das manifestações aconteceu na última terça-feira (25) quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por deixar o ex-presidente Lula preso até, pelo menos, agosto. 

Como numa reviravolta em um roteiro pacato e modorrento de um filme de herói, seria muito mais saudável à manifestação de domingo se Lula fosse solto. Os pixulecos se encheriam de ar novamente e as pessoas estariam motivadas a retornar às ruas, menos de um mês depois da última manifestação. 

A verdade hoje é que a Lava Jato está nas mãos da direita e extrema-direita do país. Desde que Moro aceitou ser ministro de Bolsonaro, quem a defendia por ser apartidária já ficou com uma pulga atrás da orelha. Ainda assim, Moro é o ministro mais popular do governo Bolsonaro, o que reforça a tese de ter virado um personagem da extrema direita brasileira.

O colunista da Folha de S. Paulo Celso Rocha de Barros, em coluna no último dia 24/06, apontou que “a Vaza Jato torna mais fácil para o Presidente da República fazer o que sempre quis fazer com o ministro da Justiça: reduzi-lo a um tamanho que ainda faça bela figura em seu ministério sem, entretanto, tornar-se um rival na eleição presidencial de 2022.”

(Opinião parecida com a desse blog aqui )

Por fim, o próximo domingo vai mostrar a força de uma direita que quer se afastar do governo Jair Bolsonaro. O MBL preferiu ficar de fora dos protestos do dia 26 de maio, que não foram um estrondoso sucesso, mas também não foram um fracasso. Eles agora estão na linha de frente de uma outra mobilização e querem marcar território na defesa da Lava Jato. Se não conseguir levar milhões às ruas, perdem a musculatura.

Moro e Guedes perdem força. Bom para Bolsonaro?

A ideia de que os “superministros” seriam um freio ao presidente foi por água abaixo

Por Bruno Pavan

Na semana passada foram publicadas as seis matérias do The Intercept Brasil mostrando como o então juiz Sergio Moro atuava em conluio com a acusação e a força tarefa da Lava Jata do Ministério Público Federal.

Mas do que isso, era o líder da fato da força tarefa. Deltan Dallagnol, como bem dito pelo ministro do STF Gilmar Mendes, não passava de um “bobinho”.

Quem acompanhou a Lava Jato com atenção desde o início já desconfiava da postura “pouco republicana” desde o vazamento, esse sim jogando ao seu favor, do diálogo da então presidenta Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula, quando da indicação deste para o ministério da Casa Civil, já aos 46 minutos do governo Dilma.

Leia aqui todas as matérias que saíram no The Intercept até agora.

Já no último sábado o presidente Jair Bolsonaro, sem que fosse perguntado, criticou duramente o presidente do BNDES Joaquim Levy, com quem, em suas palavras, estava “por aqui”.  Falei pra ele demitir esse cara na segunda-feira ou eu demito você sem passar pelo Paulo Guedes”, disse.

Levy, mostrando que ainda há um pingo de dignidade na sua pessoa, entregou uma carta de demissão ao ministro da economia Paulo Guedes, que não moveu uma palha em sua defesa.

O pingo d’água que deixou Bolsonaro “por aqui” foi a nomeação do advogado Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de Mercados de Capitais do banco. Pinto trabalhou nos governos petistas e, para os parâmetros do presidente, isso seria inaceitável por si só.

Esses dois acontecimentos causaram o rebaixamento de Moro e Guedes, que se superministros “indemissíveis” passaram a anões na esplanada dos ministérios.

Sobre Moro, Bolsonaro o levou, na última quinta-feira, ao jogo Flamengo e CSA, no Estádio Nacional Mané Garrincha, na capital federal. Apareceram lado a lado, vestiram a camisa do time mais popular do país para, dias depois, Bolsonaro dizer que não confia 100% em seu ministro.

Bolsonaro e Moro no Mané Garrincha. Foto: Reprodução Twitter

Contra o ex-juiz ainda pesa o fato de que, desde que foi picado pela mosquinha do poder, é pré-candidato informal  à presidência da República em 2022. E tem aprovação muito maior que Bolsonaro perante a opinião pública (ao menos antes dos vazamentos).

Guedes e Moro eram ministros que de certa forma estavam acima do governo. Você poderia ser contra Bolsonaro e seu discurso reacionário, mas a classe média dificilmente era contra a luta de Sergio Moro contra a corrupção e a elite financeira não questionava a agenda liberalizante de Guedes. “Não votei em Bolsonaro, votei em Paulo Guedes” é algo que se ouvia por aí.

Hoje no governo não há ninguém maior que Bolsonaro. Guedes se enfraquece cada dia em que a reforma da previdência não anda ou é dilapidada no Congresso Nacional. Moro se tornou refém do que vai vir por aí nos novos vazamentos, já que ninguém dá a menor bola para seu pacote anti-crime.

O presidente ainda precisa focar no que realmente importa: a agenda do emprego e fazer a economia girar. O desafio é enorme, dada a imensa falta de noção dele e de suas lideranças preocupadas com radares nas rodovias e tomadas de três pinos. Mas não ter mais ministros “indemissíveis” é uma boa notícia.

Bolsonaro se isola no radicalismo

Por Bruno Pavan

Não é fácil analisar o que aconteceu nesse último domingo (26) pelas ruas de mais de 150 cidades do país. Manifestações a favor do governo de Jair Bolsonaro foram convocadas para defender um governo que já começa capenga.

(Os agentes do mercado, ao que parece, já estão pulando fora)

As manifestações não foram um fracasso. Nem um sucesso. O governo conseguiu tirar gente de casa num domingo ensolarado mesmo que em menor número que os estudantes e professores saíram no último dia 15 em defesa da educação pública. Mas não conseguiu agregar ninguém fora dos 30% que consideram o governo ótimo ou bom.

Ele ficou no radicalismo.

Nem todos os eleitores de Bolsonaro fazem parte desse núcleo duro que está com ele desde que ganhou notoriedade nos tempos de CQC. Alguns votaram apenas para tirar o PT. Outros confiando que a economia iria melhorar. Os primeiros, que vêem comunistas debaixo da cama, continuam apoiando o capitão-presidente. Já o outro grupo não.

Nesse aspecto, a manifestação do dia 15 conseguiu furar a bolha. Os verde-e-amarelos, não.

Mas há algo mais para se analisar nesse debate: o apoio, não ao presidente, mas aos ministros Sergio Moro e Paulo Guedes.

A Folha de S.Paulo, malandramente, como diz o funk, omitiu o nome do presidente na principal manchete dessa segunda-feira (27). “Atos apoiam Guedes e Moro e criticam Maia e Centrão”. Omite o presidente, que entre outras barbaridades chama os estudantes e professores nas ruas de “idiotas úteis”, e foca nos “cheirosos”.

O Valor publica uma pesquisa, coordenada pelo professor da USP Pablo Ortellado, em que aponta que 75% dos manifestantes em São Paulo foram às ruas em favor da reforma da previdência. Sem uma pesquisa que diz quem são esses manifestantes, idade, cor da pele e classe social, isso não significa muita coisa.

A tentativa da imprensa é clara: descolar Guedes e Moro de Bolsonaro. O primeiro pois defendê-lo é defender a “necessária”, na visão da maioria da grande imprensa, reforma da previdência. O segundo é defender o “legado da Lava Jato”.

Por último mas não menos importante, as manifestações não ajudaram em nada na melhoria da relação do governo com o Congresso Nacional.   

Obs: aqui dados completos da pesquisa completa de Ortellado em que mostra que 65% dos manifestantes eram homens; 78% acima dos 35 anos; 66% brancos e 54% recebem mais de cinco salários mínimos.