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Em entrevista, Renato Gaúcho elogia Bolsonaro e se coloca como o anti-Tite na seleção

O técnico do Grêmio esbanjou opiniões conservadoras sobre gays no esporte e futebol feminino 

Por Bruno Pavan

O técnico do Grêmio Renato Gaúcho deu uma entrevista nesta domingo (7) para a jornalista Monica Bergamo da Folha de S.Paulo onde temas espinhosos como homofobia e racismo no futebol, além de temas relacionados a opinião do treinador sobre o presidente Jair Bolsonaro. 

Ao contrário do atual técnico da Seleção Brasileira, Renato nunca foi de ser vaselina com a imprensa. Desde a época de jogador sempre falou o que quis. Sobre a homofobia no futebol, disse que se ele trabalhar com um jogador gay “iria zuar com ele todos os dias” e que não entende porque gays no futebol é “notícia mundial”.

 “Se eu tenho um jogador gay, vou sacanear ele de manhã, de tarde e de noite. Eu quero é que ele jogue. O que não pode é misturar as coisas: entrar no vestiário de sacanagem por ser gay e levar mais para o lado gay dele do que para o trabalho. Aí ele tá fora comigo”

O que seria levar mais para o lado gay dele do que para o trabalho? Renato acha que uma pessoa homossexual dá em cima de outras pessoas durante o expediente? Acha que um jogador gay vai, necessariamente, assediar um companheiro no vestiário? Renato acha que o jogador teria que, obrigatoriamente, levar as “sacanagens” dele na boa? Se o treinador “quer que ele jogue”, qual o motivo das sacanagens por conta de sua orientação sexual? 

Sem fugir de polêmica, respondeu também sobre seu voto no presidente Jair Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais e que o governador fluminense Wilson Witzel está melhorando a vida no Estado onde sua filha e esposa moram.   

Por fim, disse não ver sentido no protesto da seis vezes melhor do mundo Marta, que não usou chuteira de nenhuma marca na Copa do Mundo Feminina e ainda encampou protestos pelo pagamento igualitário entre homens e mulheres no esporte. 

Muita gente pode justificar sua postura por conta do meio do futebol, sempre muito machista e homofóbico. Estranho seria se ele fosse progressista. Concordo em parte com esse argumento.

Renato sempre foi muito midiático e nessa entrevista me passou a impressão de que ele só respondeu o que queria responder. No próprio texto Bergamo aponta que o assessor de Renato estava presente. Quem é jornalista sabe que em entrevista com o assessor presente, o entrevistado não fala nada que não quiser.

A publicação da entrevista veio no domingo, dia da final da Copa América onde o Brasil bateu o Peru por 3 a 1. Na mesma semana em que o jornalista Juca Kfouri apontou em seu blog que Tite poderia deixar o comando da seleção após o torneio. 

Apesar de não dizer com todas as letras, Bergamo dá a entender que a entrevista foi dada após essa informação vazar. Renato, um dos favoritos a assumir o posto, resolveu falar. O que faz sentido pra mim é que ele quis ser o Anti-Tite. Ao dar suas polêmicas opiniões “sem mimimi”, passa a ser uma caricatura do homem branco ressentido que ganha cada vez mais espaço no país.   

Em uma sociedade tão polarizada, isso pode pesar a favor dela diante de uma futura mudança de comando na seleção da CBF. Vejamos!