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Tabata Amaral quer ocupar um lugar que não existe mais na política brasileira

Tabata depende que figuras como Luciano Huck consigam resgatar uma direita liberal no país

Por Bruno Pavan

Na tarde-noite de ontem (10) a Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, o texto base da reforma da Previdência, que deveria ser do presidente Jair Bolsonaro, mas na prática é de Rodrigo Maia, presidente da Câmara. O placar foi acachapante: 379 a 131.

Uma posição chamou a atenção da opinião pública, a de Tabata Amaral. Eleita deputada federal pelo PDT de São Paulo, ganhou notoriedade quando enquadro o ex-ministro da educação Vélez Rodrigues em sabatina na Câmara dos Deputados. Logo, virou uma estrela. A esquerda que não pode ver uma lacração, correu para tecer loas à Tábata. Se descobriu, depois, que a jovem faz parte da seleta bancada Lemann.

A bancada Lemann é uma tentativa do bilionário brasileiro José Paulo Lemann de interferir diretamente na política nacional. Como a doação empresarial não é mais permitida, ele sai distribuindo jovens por partidos Brasil afora. Como uma empresa que compra um cockpit na Fórmula 1. Acontece que essas figuras não tem identidade nenhuma com os partidos que foram colocados. Sua fidelidade é com a agenda de Lemann.

Foi o que aconteceu com Tabata. Logo após a lacração contra Vélez, já mandou a esquerda tirar o cavalinho selado da chuva porque nele ela não montaria.

Com declarações favoráveis a reforma da previdência antes da votação, se alinhou com seus colegas da bancada Lemann, mas não com o seu partido, o PDT, que havia fechado voto contrário ao texto. Nem as ameaças de Carlos Lupi e do presidenciável pelo partido, Ciro Gomes, a fez mudar de opinião.

“Hoje a previdência tira dinheiro de quem menos tem e transfere para os mais ricos. Ela aumenta a desigualdade no Brasil em um quinto”, apontou a deputada em um vídeo publicado nas suas redes, fazendo coro com a mídia e o mercado.

O PDT agora tem um problema para resolver. Tabata e outros sete parlamentares da sigla votaram a favor da reforma e contra a determinação do partido. Lupi disse, nesta quinta (11), que pensaram ser maiores que o partido.

Tabata hoje está numa posição bastante confortável, se o partido não expulsar, ganha grande liberdade dentro da sigla. Se for, sai como a heroína que pensou no país acima de tudo. Acontece que a deputada quer ocupar um lugar que não existe hoje no espectro político no país. Claro que será a mais queridinha de imprensa, jovem, de origem humilde e com uma história de superação. Por esse lado, se for expulsa do partido de Brizola, vira ainda mais símbolo.

A postura camarada da imprensa também ajuda muito. O PSOL tem deputadas com o mesmo perfil. Sâmia Bomfim (SP) e Talíria Petrone (RJ) também são jovens e batem duro no governo. Mas um partido que tem Socialismo no nome não tem o menor futuro se precisarem de cobertura camarada da imprensa.

Acontece que Amaral quer ocupar um lugar que não existe mais no espectro político brasileiro. O da direita liberal de fato. Cabe lembrar que Bolsonaro não era o plano original da burguesia nacional. Mas que o projeto original, Geraldo Alckmin ficou com pífios 4% nas eleições presidenciais mesmo com um tsunami de tempo de TV. Se formos pegar as eleições de 2002 pra cá, perdeu todas.

Essa posição dependerá muito de movimentos como o de Luciano Huck. Se conseguir se abrigar em um partido e fazer colar na população a necessidade de uma direita “liberal”, dá guarida aos descontentes com o rumo que a direita tomou no Brasil. Caso não, pode perder eleitorado que a elegeu em 2018 e não necessariamente substituí-lo por outro.

Nem um dia depois da aprovação da reforma da Previdência na Câmara, agência de risco diz que só ela não basta para o Brasil

Do G1:

Mesmo assim, a reforma do sistema de aposentadorias sozinha não será suficiente para recolocar a economia do país de imediato na trilha da recuperação, disse analista líder da Moody’s para o Brasil.

A menos de um ano e meio das eleições municipais, Congresso tira Estados e Municípios da Reforma da Previdência

Assembleias Legislativas Estaduais e Câmaras Municipais terão que votar as suas reformas separadamente

Por Bruno Pavan

Um dos principais pontos da Reforma da Previdência foi esclarecido nesta terça-feira. De acordo com o texto do relator da proposta Samuel Moreira (PSDB-SP) servidores municipais e estaduais estão fora do texto que será votado em Brasília.

O desejo de governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores era não ter esse ônus e deixar que Brasília os incluísse no texto.

Com as eleições municipais a menos de um ano e meio de acontecer, prefeitos e vereadores terão de dar a cara a tapa, encarar seus eleitores e protestos em suas cidades.

Leia matéria do UOL:

Estados e municípios ficam fora de parecer sobre reforma da Previdência, mostra voto