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A crise de Singer vai ao chão; a de FHC flutua

Por Bruno Pavan

Sentado no sofá de casa, FHC é imbatível!  

Uma crise, dois pontos de vista. É isso que a editora Companhia das Letras traz, nesse ano eleitoral, com o lançamento de Lulismo em crise, do professor da USP e ex-porta voz do governo Lula, André Singer; e Crise e reinvenção da política no Brasil, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Um petista histórico e um fundador do PSDB, a começar pelo título das duas obras, não negam que há uma crise política no país. Mas as concordâncias entre os dois não vai muito além disso.

A começar que FHC recusa totalmente a narrativa da esquerda brasileira do golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Em sua obra, ele aponta que as instituições seguem funcionando normalmente, frase que seria cômica se não fosse trágica.

Singer, ao contrário, se lembra do famoso áudio de Sérgio Machado, da Transpetro, com o senador Romero Jucá (MDB-RO) em que o parlamentar fala, pela primeira vez, a frase que entrou para os anais da política brasileira: “um grande acordo nacional, com supremo, com tudo” para delimitar a lava jato “onde está”.

O manifesto efeagacista

Em uma matéria publicada no dia 20 de abril, a Folha de S.Paulo resume bem o novo livro do ex-presidente: um “manifesto efeagacista”. A obra fala de si mesmo e para si mesmo. Ela flutua e pisa pouco no chão. Parece mais um “textão” de Facebook.

“A esquerda diz que a questão central é reduzir as desigualdades. A direita diz que é aumentar a produtividade. Eu digo: temos de enfrentar o desafio de realizar uma coisa e outra, simultaneamente.”(PP. 132-133) Desafio você a achar alguma alma viva que discorde do ilustre professor.

O livro de FHC é mesmo uma junção de vários pensamentos que o ex-presidente teve sobre Brasil e mudança político e econômica no mundo.

Se observarmos a prática do PSDB, partido que ele foi eleito presidente por duas vezes, não parece que sua voz encontra eco.

Para FHC, é tudo “culpa do PT”. Desde o alto número de partidos fisiológicos no país (p. 62) até a corrupção, que antes era um “ato individual de conduta ou numa prática isolada de grupos políticos” e, com o PT se tornou prática de Estado (p. 30).

Quando apela para esse discurso ele se afasta da ponderação que tanto preza durante o livro. Há inúmeras críticas a uma direita autoritária ou que acredita que o mercado seja a saída de tudo no Brasil, mas não há, nas 238 páginas, nenhuma responsabilidade de seu partido nessa crise.

Nenhuma mea culpa tucana por ter incendiado a extrema-direita com seu discurso radical e depois ter perdido o controle do monstro que ajudou a criar. Nada sobre o apoio dos deputados do PSDB ao presidente Michel Temer nas duas tentativas de abertura de impeachment que sofreu. Nada sobre as pesadas denúncias contra Aécio Neves, candidato tucano à presidência em 2014.

Dilma e o pacto “Rooseveltiano”

A obra de Singer é a terceira de uma série sobre o fenômeno que ele mesmo batizou de Lulismo. Não me cabe aqui explicar o fenômenos que o professor levou mais de 1000 páginas até agora pra explicar, mas tentando resumir em poucas frases, o lulismo seria a opção feita pelo Partido dos Trabalhadores, com a Carta aos Brasileiros, de acreditar em uma aliança com a política hegemônica e um “reformismo fraco”. Ele resume muito bem o modo de governar da ex-presidenta que, ao contrário de Lula: quebra, mas não enverga.

Nesse terceiro livro, o professor começa a analisar a situação política desde 2011 quando, nas palavras dele, há uma tentativa de dar um passo à frente no reformismo fraco do lulismo com embates mais duros com setores como o elétrico e o bancário. Logo em seu primeiro ano de governo, Dilma tinha um o “sonho rosseveltiano” para o Brasil. O sonho “Roussefiano”, hoje sabemos, não deu certo.

Um dos pontos principais é quando o professor costura toda a relação do PMDB com o PT e o lulismo desde 2002. O então deputados José Dirceu havia costurado um apoio com o PMDB para 2002, que foi recusado por Lula, que preferiu a aliança com vários partidos pequenos e médios como o PP e o PR.

Dilma, no que Singer chamou de “pacto republicano”, começa a bater de frente com o peemedebismo quando nega a Eduardo Cunha a presidência de Furnas, os tira dos ministérios da Ciência e tecnologia e da Saúde e coloca um quadro técnico na presidência da Petrobras, Graça Foster, e exonera os diretores Renato Duque, Paulo Roberto Costa e Jorge Zelada, que vão aparecer anos depois no escândalo da Lava Jato.

Descontentes com os caminhos que o governo vinha tomando, grande parte do PMDB tentou articular um “volta Lula”, não em 2018, mas em 2014. Inclusive 40% votaram contra a nova aliança com Dilma para as eleições de 14. O fim dessa história, todos sabemos.

FHC desce ao chão

Voltando ao ex-presidente, acredito que Singer o tenha valorizado mais em seu livro do que ele mesmo. E em alguns momentos, quando finca os pés no chão, ele acerta. Na leitura que faz sobre as jornadas de junho de 2013, já na época, ele identifica muito bem que há uma massa da nova classe média em disputa e que a centro direita poderia capturar.

“Muita gente ‘de baixo’ ascendeu pelo esforço, pelo trabalho. Há um novo ethos feito de novos valores: estudo, mérito, competência” (P. 113).

Aí está uma grande chave pra tentar entender como os manifestantes de 2013 viraram uma massa de descontentes em 2015. Políticas públicas como o aumento real do salário mínimo, FIES, ProUni, junto com o período de bonança no cenário internacional permitiu que houvesse uma ascensão social de milhões de pessoas nos anos Lula e na primeira metade do primeiro governo Dilma. O debate se esse grande número de pessoas se tratava de uma nova classe média ou uma nova classe trabalhadora é mais do que simples retórica. Há uma disputa entre as duas teses.

De fato a “nova classe c” era de tudo um pouco. Mas não era nada, ao mesmo tempo. A classe média, como nos ensina Jessé Souza, é uma classe de privilégios. Por isso é um erro enorme apontar que há uma locomoção de classe somente pela renda mensal familiar. Mas também é um erro considerá-la uma classe trabalhadora clássica, pois ela é desorganizada. Logo, ela ganha valores de classe média, como bem explicou FHC no curto trecho acima, mas perde esse status material quando a primeira crise chega.

Como não houve nenhum processo de conscientização política dessa parcela por conta do projeto lulista, ela se vira contra o estado e a política tradicional. Claro que há mérito na ascensão dessas pessoas, mas houve também um forte incentivo estatal, que é negado na primeira oportunidade.

Mais leve que o ar

O que fica da comparação é o pé no chão. Singer tenta entender a realidade com a ajuda de dezenas de pensadores (inclusive FHC) e artigos de jornal. O lulismo talvez não tenha acabado, dada a liderança do ex-presidente em todas as pesquisas eleitorais mesmo preso, mas é um fenômeno que passa por um debate e novos desafios.

Como FHC é um pote até aqui de mágoas, como deixa claro quando se queixa de nenhum candidato tucano à presidência defendeu seu legado em nenhuma campanha (p. 125), ele não vê terreno firme pra fincar o pé. Isso dá a ele (e a seu livro) uma suposta liberdade para criticar todos. Mas acaba lhe faltando a substância.

Sentado no sofá de casa, FHC é imbatível!

*O Fora de Foco é um dos sites parceiros da Cia das Letras  mas as opiniões expressas são de responsabilidade do autor

Rede: saída pela direita

O Fora de foco teve acesso ao novo mascote da Rede, de Marina Silva

Saiu no Estadão:

Gentil patrocínio

 

Não é ato oficial nem explícito: informal e discretamente o PSDB está ajudando Marina Silva a coletar assinaturas para a criação de seu novo partido.

 

Migrantes do tucanato para a Rede dos sonháticos comentaram com antigos companheiros de partido que está havendo dificuldade na coleta dos apoios exigidos pela Justiça Eleitoral para conceder registro à legenda que precisa estar legalizada até início de outubro.

 

Em vários Estados a estrutura do PSDB se movimenta para arregimentar signatários e também para conferir as assinaturas. Em Minas Gerais, por exemplo, há prefeitos encarregados de contribuir cada um com dois mil nomes devidamente checados.

 

Solidariedade? Pragmatismo: se Marina conseguir criar a tempo a sua Rede, muito provavelmente concorrerá à Presidência em 2014. Para a oposição é um bom negócio, pois quanto mais numerosos forem os concorrentes, maior a divisão de votos. Consequentemente, aumenta a chance de haver 2.º turno.

 

O raciocínio parte do princípio que hoje quem tem votos é a presidente Dilma Rousseff. A oposição pode até vir a ficar bem, mas por enquanto sabe que está mal na foto. Precisa recorrer a todos os recursos a fim de tentar equilibrar o jogo, já que a situação tem a popularidade da presidente, a exposição inerente ao cargo e todos os meios à disposição.

 

Uma das maneiras é incentivar a concorrência que possa subtrair votos de onde eles estão mais concentrados: no governo. Marina pode até não repetir o desempenho de 2010, quando atraiu 20 milhões de eleitores. Mas, se entrar na disputa, fica com parte do eleitorado de esquerda, jovens e decepcionados com a política em geral.

 

Claro que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também entra nessa conta. Por enquanto os tucanos estão achando ótima a movimentação dele e não o veem como uma ameaça ao senador e provável candidato do PSDB, Aécio Neves.

 

Ao contrário. Na avaliação deles Campos ajuda a difundir críticas ao governo e a atrair eleitores no Nordeste. Aqui de novo o mesmo raciocínio: quem tem votos da região é Dilma, não o PSDB. Portanto, ela teria a perder.

 

Além da questão regional, na visão dos tucanos o governador de Pernambuco também atrairia parcela do eleitorado governista que já estaria cansado do PT, crítico à maneira de Dilma governar e em busca de uma “novidade”. Isso sem falar no potencial de desagregação da base aliada ao governo que o PSDB enxerga na presença de Eduardo Campos em cena como provável candidato.

 

Muito bem, vamos que saia tudo conforme o desenho desse figurino, que haja 2.º turno, que o candidato tucano passe para a etapa final. O que garante que os outros concorrentes não ficarão neutros ou com Dilma?

 

Pois é, por ora só a esperança de que as premissas estejam certas e o vento sopre a favor.

 

Surdina. O encontro de José Serra com Eduardo Campos na sexta-feira, 15 de março, não causou desconforto no PSDB pelo fato de ter acontecido.

 

O aborrecimento foi porque Serra não avisou nem contou depois a ninguém. Nem ao governador Geraldo Alckmin com quem esteve no dia seguinte.

 

Síntese. Falando sobre o rearranjo de ministérios, o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) resumiu numa frase ao que ficou reduzido o presidencialismo de coalizão, tema de tantas teses: “A presidente não precisa do tempo do PR, mas também não quer que nosso tempo vá para outros candidatos”.

 

Rudimentar assim. A Presidência entrega pastas a partidos e estes em troca oficializam coligação para aumentar o tempo no horário eleitoral e reduzir o dos adversários.

 

Saindo do foco

Por Bruno Pavan

Este blog considera essencial a leitura de Dora Kramer, por aqui carinhosamente chamada de Dorinha, todos os dias.

Ela não fala para a massa cheirosa tucana.

Ela fala é para o puro creme do milho verde do partido.

E, creiam, bravos colaboradores, onde tem Dorinha, tem fogo.

A tática da oposição é, como se diz no jargão boleiro, embolar o meio de campo.

Chutar a bola pra cima pra ver se alguém surpreende a favorita Dilma Rousseff.

Já atacaram pela meia esquerda, com Eduardo Campos, e agora vão pela direita verde, com a Rede de Marina.

Além da conexão Ipanema-BH, com Aécio Neves.

Enquanto isso José Serra assiste a tudo e espera…

Cerra Solteiro: onde está você agora…

Será que ela tem Face?

Este blog contará com luxuosas participação de colunistas especiais.

O de hoje é uma figura querida por 30% do eleitorado brasileiro mas que, sem cargo público e agora solteiro, está sofrendo muito.

Não vamos deixar esse valoroso nome da Democracia sem espaço na internet.

Com vocês: Cerra Solteiro!

Olá…

Olá Damião, olá Dona Maria… ops, desculpe, é a força do hábito.

Semana passada eu voltei pras redes sociais, consegui pegar o sinal wi-fi do vizinho aqui. Desde que fui expulso de casa, estava sem conexão.

Escrevo da casa de um amigo meu. Gosto daqui, mas entra muita luz no meu quarto e o pessoal acorda muito cedo. Meio dia, vê lá se isso são horas de levantar.

Enfim, outro dia eu estava no telefone com o Alckmin, dando umas coordenadas de como lidar com nossos companheiros (APAGAR) de partido, e ele me disse que eu tinha que arrumar uma namorada. Até o FHC arrumou, ele me disse.

Atualizei meu status no par perfeito e, logo depois, comecei a escutar uns sininhos desses de bicicleta em baixo da janela. Só saí depois que ela (a bicicleta) foi embora.

Ainda estou pensando numa foto boa (cadê aquela da Veja, hein???). As da campanha do ano passado eu apaguei todas. Se bem que teve aquela que me beijou né…

Outro dia fui na Sala São Paulo (me disseram que a massa cheirosa frequenta o lugar…) e vi uma senhora muito jovial me seduzindo com um Martini. Comecei um papo simpático sobre a gestão petista na Petrobras mas ela não pareceu se animar muito. Quando falei sobre aborto ela foi embora e quase jogou a bebida na minha cara. Não entendi.

Deixa eu ir agora. O telefone tá tocando aqui. Mônic… ih rapaz… ah tá, é a jornalista… preciso atender.

Anauê