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João Amoedo do Mundo Invertido

Por Bruno Pavan

Os anos se passam eu eu nunca vou me acostumar com a genialidade de Caetano veloso em “Sampa”.

Apesar de ninguém da cidade chamar a cidade assim, a música é uma descrição perfeita do lugar em que, tudo sendo do avesso, na verdade é tudo do lado de fora.

Acho que São Paulo é uma cidade feita para migrantes e imigrantes. Quem sempre esteve aqui, não a vê do jeito certo.

Eu sou um deles. Tenho 31 anos. Todos vividos na capital Paulista.

Um dos personagens principais da cidade são os músicos de rua. Na minha rotina de casa-trabalho trabalho-casa não é raro que eu encontre músicos, principalmente na estação Vila Madalena do metrô.

A maioria deles são muito bons, mas eu, como azedo que sou, geralmente não gosto de nenhum. Não me emociona estar ali ouvindo bons músicos tocarem.

Isso mudou um pouco na última segunda-feira.

Resolvi mudar o meu trajeto. Quando você muda o trajeto, às vezes você economiza 20 minutos, às vezes você perde 20 minutos. E às vezes você tromba com novas histórias.

Um músico entra no busão em que eu estava, ali na altura do prédio da TV Gazeta, na Avenida Paulista.

Ele fala alguma coisa, com um forte sotaque espanhol, e começa a tocar.

Ele era muito ruim. Tocava violão mal. Tocava gaita mal. Cantava mal.

Mas alguma coisa ali me fez parar de ler meu livro e prestar atenção naquele cara.

Ele não pedia perdão por ser ruim. Ele, simplesmente, entrou no ônibus com seus instrumentos e tocou.

E a minha fascinação por aquele personagem também não tinha nada de piedade, era outra coisa.     

Como um João Amoedo do mundo reverso, eu queria premiar aquela incompetência honesta.

Depois da apresentação e de passar o chapéu, ele fez um rápido e confuso discurso sobre “fazer o Brasil dar certo apesar de convicções partidárias”.

“Não pode ficar desanimado assim. O Brasil é um país xófen”

Nada mais paulistano do que um estrangeiro tocando e cantando mal dentro do ônibus que, depois de sua apresentação, dá conselhos políticos em um português amarrado.

O que eu não gosto é do bom gosto, como disse Adriana Calcanhoto.  

Para o “Novo”, Brasil deve combater a pobreza e não a desigualdade de renda. Por que isso não faz sentido?

Na manhã desta segunda-feira (11) o economista, engenheiro, palestrante e pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República João Amoêdo, tuitou que o grande problema brasileiro não é a desigualdade de renda mas, sim, a pobreza.

O que queremos: combater a pobreza e não necessariamente a desigualdade. Somos, felizmente, diferentes por natureza.
O combate à pobreza de faz com o crescimento e com a criação de riqueza, e não com a sua distribuição.

Abaixo, um vídeo do professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP Vladimir Safatle, no evento da Revista Cult “o que foi feito?” que explica a incoerência desse discurso em um país como o Brasil.

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