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Quem vai pra rua dia 26. E quem vai ficar em casa

Jair Bolsonaro manteve a temperatura social alta nos primeiros cinco meses de governo. Manteve por estratégia eleitoral e política. Ele tem que manter suas bases aquecidas e mobilizadas porque, de fato, pouco fez até agora no poder a não ser lutar contra os moinhos de vento do socialismo, marxismo cultural e a “extrema imprensa”.

A estratégia ficou clara no corte (ou contingenciamento, como quiser) de 30% do orçamento federal na educação. O governo Bolsonaro não foi o primeiro a cortar na educação. Mas foi o primeiro a ter orgulho disso. Tanto na mentira contada pelo ministro Abraham Weintraub, que disse que cortaria somente de universidades que promovessem “balbúrdia”, quanto na declaração do próprio presidente que chamou os milhões de manifestantes nas ruas no último dia 15 de “idiotas úteis”.

Isso tudo está tendo reflexos nos índices de aprovação da (indi) gestão, que nunca foram tão baixas em tão pouco tempo de governo. Some-se a isso a falta de habilidade de Bolsonaro e seu staff em negociar com a Câmara e o Senado e as previsões de crescimento econômico abaixo do que se esperava e temos um capitão nas cordas.

No próximo domingo (26) o governo verá o que esperar de sua base eleitoral. Estão convocadas manifestações em todo o país em defesa do governo e contra o Congresso Nacional e o Supremos Tribunal Federal.

Quem vai, afinal?

O núcleo duro mais a direita (que periga se afogar no oceano atlântico). Os chamados Olavetes. Olavo de Carvalho, “filósofo” e guru ideológico de figuras importantes dentro do governo, inclusive o zero dois Eduardo Bolsonaro,  disse que ficará quietinho a respeito da política nacional. Carvalho trucou. Sabe que ainda tem influência no governo. Se as manifestações de domingo forem um sucesso, ele será o grande vencedor, derrotando os militares que não querem ir pras ruas. Se não forem, ele tentará sair por cima dizendo que não tem nada a ver com isso. Mas tem.

O Círculo Militar também convocou para as manifestações. 

Quem não vai?

O presidente, que disse que ia, não vai mais. O MBL, grande articulador dos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, também não vai e está em atrito com o governo. O presidente do PSL, partido do presidente, não vai e disse que a ideia não é boa.

Outro setor que ficará em casa no próximo dia 26 é o tal mercado. O Ministro da economia Paulo Guedes sabe que precisa do Congresso Nacional para aprovar sua reforma da previdência. Se a temperatura subir ainda mais, seu trabalho pode se complicar. A Fiesp também não está disposta a colocar seu pato na rua. Seu presidente, Paulo Skaf, surfou no Bolsonarismo, não conseguiu sequer ir ao segundo turno na disputa pelo governo de São Paulo, e zarpou.

Por último e não menos importante, Rodrigo Maia está magoado com o governo. Sabe que a Câmara, casa que ele preside, será um dos principais alvos dos protestos. Bolsonaro e sua equipe os tratam como bandidos. O líder do governo na casa, Major Victor Hugo, compartilhou, via WhattsApp uma imagem mostrando que, para negociar com o Congresso, só com um saco de dinheiro.  O governo pode ter vitórias na casa até domingo, se a tal reforma administrativa for aprovada e o COAF voltar para as mãos do Ministro da Justiça Sergio Moro. Mas o recado está dado.

 

Difícil prever o que vai acontecer. Mas não é um bom sinal um governo que precisa mobilizar a sua base de apoio com menos de seis meses no poder. Quando deveria estar em lua de mel com o país. Fosse um jogo de poker, Bolsonaro está dando um “all-in” cedo demais. Pode ganhar uma pequena sobrevida se tiver um jogo bom. Mas valerá à pena?

Zé de Abreu: a oposição que Bolsonaro merece

Por Bruno Pavan

Quinta-feira passada (8), já depois da polêmica do Golden Shower, o presidente Jair Bolsonaro fez uma live para falar com a população brasileira via Facebook.

Entre outros trepidantes assuntos, falou sobre as lombadas eletrônicas nas estradas do país, denunciando a indústria da multa, como um bom vereador. Depois, denunciou uma cartilha que ensinava adolescentes a colocarem a camisinha corretamente. Uma indignação digna de sua tia carola, mas não de um presidente que precisa, entre outras coisas, desenvolver políticas públicas de combate a AIDS e esclarecer dúvidas sobre a gravidez na adolescência.  

Se ele não sabe, de acordo com o Ministério da Saúde, entre 2006 e 2015 o número de jovens de 15 a 19 anos com o vírus no país cresceu 187%.

Pra esse presidente, não há opositor maior do que o ator José de Abreu, que se autodenominou presidente do Brasil no último dia 26. Bolsonaro é, antes de tudo, performance com a sua estética do urgente. Nada melhor do que um ator e uma hashtag para o tirar do sério. Bolsonaro, inclusive, já ameaçou processá-lo. Alexandre Frota também.  

A impressão é que Bolsonaro nunca quis ser presidente. Se algum dia quis, já se arrependeu. Nesse pouco mais de dois meses no cargo ele se absteve de comentar qualquer coisa que fosse útil ao país. Não falou nada sobre a patacoada resultante da visita de parlamentares de sua base de apoio à China, sobre a crise na Venezuela, nem sobre a reforma da previdência, a maior de suas tarefas, pois foi colocado onde foi também pelo mercado financeiro.

O que o capitão reformado quer mesmo é ficar destilando seus preconceitos usufruindo do foro privilegiado para não ser processado como um reles mortal. Pra isso, poderia ficar com seu cargo na Câmara dos Deputados. Tarde demais. Agora virou vidraça.

A esquerda que quer fazer oposição ideológica séria precisa se voltar ao vice. Hamiltom Mourão não é só a voz da sensatez do governo. É a única cabeça que pensa algo de Brasil. Quando os adultos sentaram a mesa, era ele que estava no grupo de Lima para discutir a questão na Venezuela. Quando o presidente pediu e conseguiu a cabeça de Ilona Szabó para Sergio Moro, foi ele que lamentou. Quando Ricardo Salles diz que não importava quem era Chico Mendes, o General da reserva que colocou panos quentes.

Outra coisa que é preciso entender, as polêmicas de Bolsonaro nas redes não são pra fazer cortina de fumaça pra nada. Ele é assim. Só foi eleito por ser assim. E vai precisar manter seu eleitorado engajado contra os inimigos imaginários do brasil, da família, etc etc etc.

É aí que a esquerda que tem ideias, e não só memes, tem que agir.

José de Abreu é tudo que Bolsonaro merece.

Podcast Fora de Foco #22 – Fascismo e crise de hegemonia com Tatiana Poggi

A nova edição do Podcast traz uma entrevista com a professora de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) Tatiana Poggi que falou sobre o novo fascismo que vem crescendo pelo mundo e crise de hegemonia.

Ela participa também do web curso sobre fascismo realizado pelo Esquerda Online. Clique aqui para ver

 

Ouça o programa

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Podcast Fora de Foco #16 – Alberto Carlos Almeida

A décima sexta edição do Podcast Fora de Foco é com o sociólogo e professor Alberto Carlos Almeida que lançou, pela Editora Record, o livro “O Voto do brasileiro”.

 

Apesar da simplicidade do título, o livro não é tão simples quanto parece. Almeida destaca que o voto do brasileiro é resolvido por motivações econômicas. Por isso o nordeste, mais pobre, é pintado de vermelho e é a principal fatia do país que dá voto ao PT. Já São Paulo, mais desenvolvida, sempre dá a vitória ao PSDB.

 

Isso não se trata de uma jabuticaba brasileira, nos mapas riquíssimos que dão apoio ao livro, países mais desenvolvidos como Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e Estados Unidos também se dividem de forma muito parecida. “É a economia, estúpido”, gritam os eleitores desses países.

 

O professor ainda acredita que a chamada “terceira via” ainda não tem força para ameaçar a hegemonia de PSDB e de PT em um segundo turno em 2018. Para sair da pasmaceira dos 7% (no cenário mais otimista), diz que o tucano precisa atacar Bolsonaro para fazê-lo “sangrar” em São Paulo. Já Marina Silva e Ciro Gomes, que aparecem na liderança na região nordeste sem Lula no páreo, aponta que assim que o PT se decidir pelo candidato, o Bolsa Família irá “liquidar” ambos na disputa.

 

Quer saber mais? Ouça o programa na íntegra…..