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“Divino amor” é episódio de Black Mirror sobre o Brasil cristofascista

Filme mostra Brasil de 2027, dominado pelos fundamentalistas

Por Bruno Pavan

Aposto que você já ouviu falar em Black Mirror. A série, que já viveu dias melhores, que mostra um futuro assustador unindo o pregressos tecnológico com pautas morais. Uma espécie de ficção científica comportamental. 

Um dos maiores méritos da série é mostrar que não existe avanço da tecnologia neutra. Ela sempre está a serviço de alguém (geralmente um grande corporação que pode pagar pela sua implementação).

Divino Amor (2019, Gabriel Mascaro) alia as inovações tenológicas, sendo a maioria delas relacionada a privacidade, com um Estado cada vez teocrático, fazendo assim uma espécie de Black Mirror Brasileiro.   

A protagonista do filme é Joana (Dira Paes) que trabalha em um cartório. Evangélica praticante, Joana trabalha na área de divórcios e, quase sempre, extrapola as suas funções para convencer casais a se manterem juntos e os convidando a participar de uma reunião (nada ortodoxa) da Igreja do Amor Supremo, da qual faz parte. 

Um ponto que merece ser chamado a atenção é como a personagem busca influenciar a burocacia com sua visão religiosa. Ao passo de travar com seu chefe um diálogo quandoe ele a questiona sobre sua atuação um pouco mais, digamos, “alternativa”. Suas resposta é que ela pratica uma burocracia mais humana. Ao que seu chefe replica que “burocracia humana é privilégio”. 

Não há como não lembrar do projeto do “liberal” vereador Fernando Holiday (DEM) que que propõe “internação psiquátrica” para a gestante que tiver “propensão ao aborto”.

“A mulher passaria obrigatoriamente por atendimento psicológico para dissuadi-la da ideia de realizar o aborto e por um exame de imagem e som ‘que demonstre a existência de órgãos vitais, funções vitais e batimentos cardíacos’ além de uma ‘explicação sobre os atos de destruição, fatiamento e succção do feto”, diz o projeto de lei. 

Ao SUS deveria caber a realização do aborto seguro quando permitido no Brasil e não uma sessão de tortura para a gestante. À trabalhadora do cartório cabe dar o divórcio e não fazer o casal se reatar.  

A grande reviravolta da história acontece quando Joana consegui, enfim, engravidar do marido Danilo (Júlio Machado). Mas eu não estou aqui pra dar Spoiler então, trate de ir ver o filme!!!  

Apesar de abordar tanta coisa, Divino Amor não é um filme cabeçudo. As questões são tocadas com bastante objetividade, deixando clara as hipocrisias dessa nova sociedade, mas sem dar nada mastigado pra não chamar o espectador de bobo.