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Bolsonaro se isola no radicalismo

Por Bruno Pavan

Não é fácil analisar o que aconteceu nesse último domingo (26) pelas ruas de mais de 150 cidades do país. Manifestações a favor do governo de Jair Bolsonaro foram convocadas para defender um governo que já começa capenga.

(Os agentes do mercado, ao que parece, já estão pulando fora)

As manifestações não foram um fracasso. Nem um sucesso. O governo conseguiu tirar gente de casa num domingo ensolarado mesmo que em menor número que os estudantes e professores saíram no último dia 15 em defesa da educação pública. Mas não conseguiu agregar ninguém fora dos 30% que consideram o governo ótimo ou bom.

Ele ficou no radicalismo.

Nem todos os eleitores de Bolsonaro fazem parte desse núcleo duro que está com ele desde que ganhou notoriedade nos tempos de CQC. Alguns votaram apenas para tirar o PT. Outros confiando que a economia iria melhorar. Os primeiros, que vêem comunistas debaixo da cama, continuam apoiando o capitão-presidente. Já o outro grupo não.

Nesse aspecto, a manifestação do dia 15 conseguiu furar a bolha. Os verde-e-amarelos, não.

Mas há algo mais para se analisar nesse debate: o apoio, não ao presidente, mas aos ministros Sergio Moro e Paulo Guedes.

A Folha de S.Paulo, malandramente, como diz o funk, omitiu o nome do presidente na principal manchete dessa segunda-feira (27). “Atos apoiam Guedes e Moro e criticam Maia e Centrão”. Omite o presidente, que entre outras barbaridades chama os estudantes e professores nas ruas de “idiotas úteis”, e foca nos “cheirosos”.

O Valor publica uma pesquisa, coordenada pelo professor da USP Pablo Ortellado, em que aponta que 75% dos manifestantes em São Paulo foram às ruas em favor da reforma da previdência. Sem uma pesquisa que diz quem são esses manifestantes, idade, cor da pele e classe social, isso não significa muita coisa.

A tentativa da imprensa é clara: descolar Guedes e Moro de Bolsonaro. O primeiro pois defendê-lo é defender a “necessária”, na visão da maioria da grande imprensa, reforma da previdência. O segundo é defender o “legado da Lava Jato”.

Por último mas não menos importante, as manifestações não ajudaram em nada na melhoria da relação do governo com o Congresso Nacional.   

Obs: aqui dados completos da pesquisa completa de Ortellado em que mostra que 65% dos manifestantes eram homens; 78% acima dos 35 anos; 66% brancos e 54% recebem mais de cinco salários mínimos.