PEC das domésticas: a classe média e o afeto

Com açúcar com afeto, fiz seu doce predileto, pra você parar em casa...
Com açúcar com afeto, fiz seu doce predileto, pra você parar em casa…

Por Bruno Pavan

Nesta semana foi aprovada a PEC que dá direitos aos (às) empregados (as) domésticas. Agora eles terão direito a FGTS, hora extra, jornada de trabalho semanal, seguro-desemprego, licença maternidade e algumas coisas que Vargas já tinha garantido a outros profissionais mais de 60 anos atrás.

Mas a Casa Grande, com medo de perder seus privilégios na sociedade brasileira, esperneia.

O símbolo mor da aristocracia no principado de Higienópolis, o Entre Aspas da Globo News, reclama: “como a classe média bancará direitos como a creche para o filho pequeno da doméstica?”

O brasileiro, principalmente a classe média, se acostumou com coisas que, como diz o bordão antigo do Zorra Total: não lhe pertencem mais!!!

A especialista presente no programa diz que: “a relação entre empregada e patroa tem um afeto”.

Não questiono que exista mesmo essa relação. Empregadas que trabalham a mais de 20 anos em uma casa, que viram os filhos dos patrões crescerem e tudo mais. Acontece que isso não pode fazer com que a doméstica, o jardineiro, o motorista trabalhe 18 horas por dia, não tenha hora de sair do trabalho.

A grande página virada é que a classe média não vai mais ter empregada sete dias por semana em casa. E vai ter que se acostumar com isso. Não tem dinheiro para bancar creche para os filhos dos empregados? Não banque um empregado. Dirija seu próprio carro, limpe sua própria casa, corte sua própria grama!

Um grande debate está por vir, mas aconselho que se ligue o “hipocrômetro” em tempos de redes sociais e de rios de chorume pela rede. A pobre classe média, tão violentada em anos de “bolsa esmola” continuará reclamando importando revoltas que seriam da elite, e continuarão pautando sua relação com a empregada na base do afeto.

Clique aqui e veja o Entre Aspas

Dilma 58%, Marina 16% e Aécio 10%; diz Datafolha

pesquisa
Abertas as apostas

Deu na Folha:

A presidente Dilma Rousseff lidera a mais nova pesquisa Datafolha de intenções de voto para a Presidência da República. Se a eleição fosse hoje, a petista teria 58%, seguida pela ex-senadora Marina Silva (Rede), com 16%.

Logo atrás estão o senador Aécio Neves (PSDB-MG), com 10%, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que aparece com 6% das intenções de voto. Neste cenário, 6% declararam voto nulo ou em branco, e 3% disseram não saber em quem votar.

Na pesquisa anterior, realizada em dezembro do ano passado, Dilma tinha 54%, Marina aparecia com 18%, Aécio, 12%, e Campos, 4%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 21 de março e ouviu 2.653 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Leia na edição da Folha deste sábado mais detalhes sobre a pesquisa Datafolha.

Saindo do Foco:

Por Murilo Silva

Veja caro colaborador, que essa pesquisa pouco significa.

Pesquisas pré-eleitorais prestam-se muito mais a desinformação do que a informação.

Essa em especial é uma pré-pré-eleitoral, divulgada pela Folha.

Nas pré-eleitorais do pleito de 2010, não se sabia sequer quem era candidato do PSDB, muitos apostavam em Aécio.

Nas de 2006, o nome de Alckmin aparecia em terceiro plano entre as hipóteses eleitorais – de novo no caso do PSDB.

Nas pré-eleitorais de 2002, a liderança isolada era de Roseane Sarney, que nem candidata foi.

Os exemplos seguem.

Mas aqui, cabe a seguinte observação:

Eduardo Campos já aparece com algum destaque. Resultado da massiva exposição de seu nome no noticiário, estimulado pelo jogo político.

Ou seja, três candidatos de oposição saíram de um patamar nivelado para disputa.

A vantagem de Marina é compensada pela falta de partido. Ainda que a REDE se consolide, mesmo que Marina conseguir atrair todo o PV, ainda sim, terá menos de um minuto de TV. Além disso, faltará palanque em muitos estados e, provavelmente, dinheiro para a candidata verde – veja Marina na SPFW.

Teoricamente, a vaga em um eventual segundo turno seria decidida por pouco entre os três candidatos. Teoricamente…

O IBOPE, também de hoje, traz outra perspectiva: o potencial de voto.

Ou seja, o percentual de pessoas que não exclui a possibilidade de votar em determinado candidato.

Nesse caso a presidente aparece com Dilma Rousseff 76% de potencial de voto, quase o dobro do de sua adversária mais próxima, a ex-senadora Marina Silva chegou a 40%. O potencial de Dilma é três vezes maior do que o de Aécio Neves  e sete vezes maior do que o de Eduardo Campos – que ainda não tiveram a chance de disputar uma eleição nacional.

Os números favorecem uma vitória em primeiro turno, mas não garante.

Se a hipótese do nivelamento se confirmar, e se a campanha de Aécio não emplacar, 2014 pode marcar o fim de um ciclo – o ciclo de polarização entre PT e PSDB.

Campos sai do armário e assume Cerra

serra campos
Campos sobe a Serra, ou desce?

Esse editor pede licença ao Notícias Populares para se valer da liberdade poética necessária ao intitular esse post.

Deu na Folha:

Campos diz ter mais coisas em comum com Serra do que com alguns aliados

DANIEL CARVALHO
DO RECIFE

Depois de ser elogiado pelo ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB), o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), afirmou ter mais pontos em comum com o tucano do que com alguns aliados.

“Esse campo em que Serra sempre militou é um campo mais próximo do nosso campo político do que muita gente que está conosco e esteve conosco na base de sustentação do presidente Lula. Todo mundo sabe disso”, afirmou o governador.

Não deixe de ver o lado paulista desse encontro geográfico entre o Campo e a Serra:

Cerra é candidato a eminência parda

Nem tudo é "Telhada" em São Paulo

Ines-Etienne-Romeu
Homenagem justa

Por Murilo Silva,

Esse post faz justiça a São Paulo ao registrar o trabalho da Comissão Estadual da Verdade.

Na contra-mão da Câmara Municipal de São Paulo, sob a inspiração do Coronel Telhada – um tucano rápido no gatilho – a Comissão Rubens Paiva, fará uma justa homenagem à Inês Etienne Romeu, a única sobrevivente da Casa da Morte de Petrópolis.

Segundo depoimento do sargento reformado Marival Dias, cerca de 100 pessoas passaram pelo casarão no bairro do Caxambu. Só Inês voltou.

O livro “Memórias de uma Guerra Suja”, lançado ano passado por de Rogério Medeiros e Marcelo Netto mostra o depoimento do ex-delegado Cláudio Guerra.

O livro, que mudou a história da ditadura, traz revelações terríveis, entre elas o fato de de ao menos dez presos políticos da Casa da Morte terem sido incinerados em uma usina de açúcar em Campos -RJ.

***

Veja a nota de O Globo sobre essa justa homenagem:

SÃO PAULO – A Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” fará na próxima segunda-feira, às 19h, uma homenagem a Inês Etienne Romeu, a última presa política a ser libertada no Brasil e única prisioneira a sair viva da Casa de Petrópolis, conhecida como “Casa da Morte”, depois de 96 dias de tortura. Por motivo de saúde, Inês não deve comparecer à próxima audiência pública da comissão, mas será representada no evento. Também confirmaram presença a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Política para as Mulheres da Presidência da República, e das integrantes da Comissão Nacional da Verdade Maria Rita Khel e Rosa Maria Cardoso, além de representantes da comissão estadual paulista.

O tema a ser abordado “Verdade e Gênero – A violência da ditadura contra as mulheres” pauta, praticamente, os trabalhos da comissão estadual neste mês de março. Nesta quinta-feira, em audiência pública na Assembleia Legislativa paulista, o grupo ouviu os depoimentos de mulheres vítimas de tortura no período da ditadura, entre 1964 e 1985. Aos integrantes da comissão paulista, elas relataram casos de violência ocorridos dentro das dependências da Operação Bandeirantes (Oban), em São Paulo, alguns deles na frente dos maridos e dos filhos. Além disso, as depoentes falaram sobre métodos sádicos empregados pelos agentes públicos, como deixar mulheres nuas durantes as sessões de tortura e a violência física e psicológica contra grávidas, como no caso de Criméia Alice Schimidt de Almeida, integrante da Guerrilha do Araguaia presa na capital paulista em dezembro de 1972, na casa da irmã, a militante política Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha.

Dilma não vai enfrentar a mídia

Dilma e falcão
Vermelho PT só no taier

Saiu na Folha:

O presidente do PT, deputado Rui Falcão, reconheceu ontem que o governo federal não vai propor um marco regulatório para a mídia até o fim do mandato da presidente Dilma Rousseff e afirmou que o partido vai “ver qual é a melhor estratégia” para apresentar um projeto, mesmo sem apoio do Executivo.

“Neste mandato, proposta provinda do Executivo não haverá, pelo que eu entendi. […] Nós vamos fazer um seminário com outras entidades, ver qual é a melhor estratégia”, afirmou. Ele não descartou a possibilidade de o projeto ser apresentado pelo PT no Congresso Nacional.

No início do mês, uma resolução do diretório nacional petista pedia a Dilma que revisse a decisão de adiar o envio de projeto sobre o tema ao Legislativo. Convocava também a militância do partido a iniciar uma campanha de coleta de assinaturas para um projeto de iniciativa popular.

O PT defende há anos a aprovação de um marco regulatório da mídia. No governo Lula, o ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins elaborou um projeto, mas Dilma decidiu não levar o debate para frente.

Saindo do Foco:

Por Murilo Silva

Eugênio Bucci destacou um fato político relevante ontem em sua coluna no Estadão.

O único ministério que sofre oposição programática dos 39 ministérios de Dilma, é o ministério das Comunicações de Paulo Bernardo.

E quem faz oposição é o próprio PT.

Cerra é candidato a eminência parda

Serra diz que candidatura de Eduardo Campos é boa para o Brasil.

serra
Cerra conspira

Deu na Folha

Um dos principais nomes do PSDB, o ex-governador José Serra disse ontem à Folha que a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), à Presidência da República nas eleições de 2014 seria “boa para o Brasil e boa para a política”.

Serra, que tem evitado discutir em público o cenário político nacional e concorreu duas vezes ao Planalto por seu partido, deu a declaração ao confirmar que se reuniu com Campos na última sexta-feira, em sua casa, na capital paulista. O encontro foi revelado pela colunista da Folha Eliane Cantanhêde.

A assessoria de Campos disse que se tratou de “uma conversa sobre o Brasil”. A versão do ex-governador de São Paulo vai na mesma linha. “Foi uma conversa cordial sobre o Brasil, a política e a economia”, disse Serra.

O tucano negou que, durante o encontro, Campos tenha falado sobre sua candidatura presidencial ou discutido alianças eleitorais.

Saindo do Foco:

Por Murilo Silva

Cerra tem uma peculiaridade política – ele só pensa no bem do Brasil!

Porque para o Cerra, bom para o Brasil é o que é bom para o Cerra.

É por isso que mesmo quando candidato a prefeito ele fala do câmbio, da Petrobras e da desindustrialização.

Esse despretensioso blog, através desse editor, faz uma pequena correção a tese corrente: a propagandeada obsessão de Cerra pela presidência é um equivoco histórico.

Cerra é daquele time de políticos que apoiou o parlamentarismo na constituinte de 1988.

Um regime político que favorece os partidos de “quadros” como o PMDB e o então novato PSDB.

O parlamentarismo é a forma mais rápida de se chegar ao poder. Você corre o risco de chegar lá sem precisar do povo.

Uma maravilha!

Se não fosse esse povo inculto e ingrato Cerra já teria se tornado César há muito tempo…

Ou seja, sua obsessão não é a presidência.

É o poder!

Definitivamente aligado da política eleitoral, Cerra agora se movimenta nas sombras.

Começa a entender que não pode ser presidente, e volta a sonhar com o posto de Primeiro Ministro. Não de um país parlamentarista, mas de um presidencialismo “cordial”.

Cerra quer ser nosso Putin.

Cerra fará por Aécio o que Aécio fez por ele.

Dora Kramer disse no Estadão de ontem: “Há três meses Serra não é sequer notificado sobre o que é decidido no PSDB”.

Ele quer o poder de volta. Se não tiver no PSDB vai buscar em outro lugar – e para isso, não precisa deixar o PSDB.

Essa é a sacada,

Cerra é muito mais perigoso dentro da estrutura tucana.

É muito pior para a candidatura de Aécio a fritura em óleo brando em São Paulo.

Ao mesmo tempo, muito mais valioso será o passe se Cerra levar todo o partido até Campos em um eventual segundo turno.

 

É o “pogresso”…

Joga as cascas pra lá…

Por Bruno Pavan

Está para acontecer no Rio de Janeiro, mais precisamente no que foi no passado o Museu do Índio, o Pinheirinho Carioca.

Pra quem não se lembra, Pinheirinho foi uma desocupação de uma favela em São José dos Campos com o patrocínio da PM Paulista, justiça brasileira e Naji Nahas.

Muitos ficaram feridos. Todos ficaram sem casa.

Agora, 10 e trinta e sete da manhã, em nome do progresso e da Copa do Mundo, a Tropa de Choque carioca está pronta para tomar o prédio e passar por cima dos índios que lá estão.

A história se repete.

Em 1955, Adoniram Barbosa escreveu um lindo samba chamado Saudosa Maloca. Ele o o Mato grosso ainda tinham o Joca para confortá-los.

O que terão os índios da Aldeia Maracanã?

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PUC-SP apresenta d. Crocodilo Scherer para o mundo

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Tamo junto Odilo… Tamo junto…

Deu no iG:

Uma piada que nasceu dentro da Pontifícia Universidade Católica (PUC) tem sido repetida pelos petistas: o cardeal brasileiro dom Odilo Scherer, na verdade, teria sido o mais votado no conclave.

No entanto, o espírito santo resolveu escolher o terceiro colocado da tríplice aliança, o argentino Jorge Mário Bergoglio, para ser o novo papa.

Os petistas consideram dom Odilo, da ala conservadora da Igreja Católica brasileira, como opositor ao governo e próximo ao PSDB.

Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, republicou no seu perfil do Twitter, no dia 14 de março, quando o Papa foi eleito:

“Dom Odilo Scherer não vai usar sapatilhas vermelhas da Prada. Deus não ajuda tucanos a ganhar eleição.”

Fora do Foco:

Por Murilo Silva

Ao contrário do que se imaginava na PUC-SP, o d. Odilo não é tão bom assim em listas tríplice.

Isso é uma lenda!

Assim como o prédio novo da Faficla – o colaborador puquiano entende esse editor.

Dom Odilo é de um time que não é bom de eleição…

Não gosta de democracia. Nem aquele arremedo de eleição do Vaticano.

Escolheu bem o Espirito Santo, principalmente pelo que não escolheu.