Podcast Fora de Foco #14 – Alysson Mascaro – As limitações da luta por direitos

A décima quarta edição do Podcast Fora de Foco está no ar!

Nesse programa o professor da Faculdade do Largo São Francisco Alysson Mascaro debate a forma do direito em um estado capitalista e critica a visão da esquerda de somente lutar por mais direitos.

Racismos, Marx e as “coisas de preto” no Brasil

“É preto, é coisa de preto”, diz William Waack

Recebi em meados do mês de março da Companhia das Letras o livro Racismos, do historiador e professor da King`s College, em Londres, Francisco Bethencourt*.

A primeira coisa que me chama a atenção é o “s” de Racismos que tem muito destaque na capa. O livro procura entender as origens dos diversos tipos de racismos pelo mundo no tempo.

“O racismo é relacional e sofre alterações com o tempo, não podendo ser compreendido na sua totalidade através do estudo segmentado de breves períodos temporais, de regiões específicas ou de vítimas recorrentes – negros ou judeus, por exemplo”, explica Bethencourt na introdução do livro.

Outro destaque de seu pensamento durante o livro é que em relação à preconceitos étnicos associados a ações discriminatórias foi motivado por projetos políticos. A extensa obra analisa diversos momentos históricos desde as cruzadas, a exploração oceânica dos europeus, as sociedades coloniais, como foi a criação das teorias de raça e, por fim, o papel do nacionalismo.

O Brasil

“Como é possível que a mesma pessoa seja considerada negra nos Estados Unidos, de cor no Caribe ou na África do Sul e branca no Brasil? (…) nos Estados Unidos, uma gota de sangue africano define um indivíduo como negro, ao passo que, no Brasil, o status de classe média embranquece a tez humana”, explica o autor logo na página 22.

Aqui entra o ALERTA LEIA MARX do texto. É um erro pensar na questão de raça descolada da questão de classe no Brasil. Bethencourt acusa a interpretação marxista para o problema do racismo limita a explicação às relações econômicas. Talvez realmente tenhamos que ir além de Marx para entender, por exemplo, a questão das desigualdades de acesso à escola, saúde pública ou bens culturais da população negra no Brasil. Mas tirar o sistema capitalista dessa conta não é o caminho.

A tal da Nova Classe Média, propagandeada pelos governos petistas e limitada a nível de renda mensal, foi um erro grave. Do mesmo jeito que, alguém que ganha R$ 2.000,00 por mês tem a sua tez embranquecida, se isso não vier com reformas profundas no Estado, daqui a alguns anos essa mesma pessoa pode ter seus direitos trabalhistas extingui….. er, quer dizer, flexibilizados, ter que virar profissional autônomo ou voltar pra subempregos. E tem a sua tez escurecida novamente.

Foi só a crise econômica chegar ao Brasil que a renda dos negros e pardos, entre 2015 e 2017, caiu 1,6% e 2,8% respectivamente. A dos brancos subiu 0,8%. Entre 2012 e 2014 a situação era inversa: os rendimentos dos autodeclarados pretos cresceu 8,6%; de pardos 6,5% e o de brancos 5,6%. Um trabalhador negro ganha, em média, 56% do que um branco. Clique aqui ler mais. Quando fazemos o recorte por gênero, os números são ainda piores. 63% das trabalhadoras domésticas do país são mulheres negras, uma categoria que sempre teve condições trabalhistas muito precarizadas. Clique aqui para ler mais.

Por fim, mas não menos importante, cabe lembrarmos que, com menos direitos sociais a balança sempre acaba pendendo mais para a questão penal e carcerária. Com a terceira maior população atrás das grades do planeta, 726 mil pessoas se encontram presas hoje no Brasil. 64% delas são negras. Os estados do Acre (95%), Amapá (91%) e Bahia (89%) são os com maiores percentuais de negros nas penitenciárias. Clique aqui para ler mais.

O lugar do negro na sociedade brasileira está bem delimitado, mesmo sem escravidão, mesmo sem apartheid oficial. Caso ouse sair desse lugar, com méritos próprios, como os liberais adoram dizer, mesmo Marielle Franco (Psol-RJ) conseguindo mais de 40 mil votos e ser eleita vereadora na segunda maior cidade do país, corre o risco de tomar quatro tiros na cabeça e, ainda por cima, ser difamada nas redes sociais.

*O Fora de Foco faz parte do time de leitores da Cia das letras de 2018

Tom Zé e a urgência didática

A tropicália morreu em um apê do Leblon, mas vive nas ideias e na inquietação de Tom Zé

Por Bruno Pavan

Tom Zé tem 81 anos.

Contou no show que fez no último sábado (6) no Sesc Belenzinho, Zona Leste de São Paulo, que depois que compôs “Tô”, um de seus maiores sucessos no disco “Estudando o Samba”, em 1976, ficou 20 anos fazendo shows em diretórios acadêmicos de universidades pelo Brasil e pensou em ir trabalhar em um posto de gasolina de seu sobrinho, em Salvador.

“Eu to te explicando pra te confundir/ Eu tô te confundindo pra te esclarecer”, disse ele na canção.

Somente no final da década de 1990 o músico britânico David Byrne, da banda Talking Heads, recuperou Tom Zé do ostracismo e fez o Brasil redescobrir o músico.

(Aqui para ler a entrevista que o baiano deu para Pedro Alexandre Sanchez, na Folha de S. Paulo, no ano 2000.)  

Viajando direto para 2016, já com 80 anos, lançou seu mais recente álbum “Canções eróticas de ninar” onde prova que o sexo e prazer são construções sociais acima de tudo. 

O caminho começa em “descaração familiar”  e nas sutilezas de como os filhos da Casagrande eram introduzidos a educação sexual. “Puras figuras de linguagem/ Na libidinagem”.

Depois vem a “urgência didática” das muitas vezes violentas formas de colocar meninos e meninas em seus quadrados de acordo com o que tem “debaixo do umbigo”.

(Nesse momento Tom interrompeu a música, ao vivo, pra explicar a importância de se desatar, não só o primeiro nó da mulher, o debaixo do umbigo, mas todos eles, inclusive aquele que está na cabeça e que é imposto pela sociedade e igreja.)

“Tinha que ser libidinática a urgência didática/ Bem discarática, sem-vergonhática Lascivolática/ LBGTS, a luta permanece, nosso coração merece”.

 

Em tempos de Escola sem partido, uma porrada muito mais bem dada do que os papas da Música Brasileira estão dispostos a dar.

O show segue, falando sobre a sexualidade da “moça feia” e chegando perto do orgasmo com um pedido: “sobe ni min”.

Até que chega em “orgasmo terceirizado”, que é a melhor história do álbum.

Tom conta que ele estava com muita dificuldade em compor o repertório do novo trabalho. Tudo que mostrava as amigas não gostavam, achavam vulgar etc.

Até que chegou em sua casa a revista JP, da colunista social Joyce Pascowitch.

Uma matéria na edição de outubro de 2015 o chamou atenção: “orgasmo terceirizado”, conta a experiência de uma repórter da revista havia ido a um local de massagem tântrica.

A educação sexual que lá atrás os filhos da burguesia teriam que ir até a Copa e a cozinha receber de forma sutil, agora estava em uma publicação da classe AAA. Entre iates, jatinhos e BMWs, o orgasmo.

(Aqui para ler a matéria na íntegra)

“É de outubro ano 15, memorize/ Uma vitória da imprensa, musa que pensa/ Numa edição histórica, a revista categórica/ Expõe pela primeira vez/ O que o homem prometeu e nunca deu”

O show, por mais que trate de um assunto ainda tão delicado, é uma brincadeira de Tom em cima do palco. Uma espécie de cientista do som, mistura sussurros, respiros e jogos de palavras.

Há uma chama transgressora ali, uma transgressão naturlíssima. Sem ativismo de butique, sem os “Fora Temers” classemedianos

A tropicália vive, e não é nos petit comitês do Leblon, uma espécie de redoma à prova de balas. Vive na energia, no atrevimento e na urgência didática de Tom Zé.

“Eu tô aqui comendo para vomitar…”

Para o “Novo”, Brasil deve combater a pobreza e não a desigualdade de renda. Por que isso não faz sentido?

Na manhã desta segunda-feira (11) o economista, engenheiro, palestrante e pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República João Amoêdo, tuitou que o grande problema brasileiro não é a desigualdade de renda mas, sim, a pobreza.

O que queremos: combater a pobreza e não necessariamente a desigualdade. Somos, felizmente, diferentes por natureza.
O combate à pobreza de faz com o crescimento e com a criação de riqueza, e não com a sua distribuição.

Abaixo, um vídeo do professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP Vladimir Safatle, no evento da Revista Cult “o que foi feito?” que explica a incoerência desse discurso em um país como o Brasil.

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Vladimir Safatle: “A política hoje está nos extremos. E no Brasil nós só temos um extremo”

Em debate no espaço da Revista Cult, em São Paulo, Vladimir Safatle e Ruy Braga participaram do debate “o que foi feito”, para debater os caminhos e desafios da esquerda no Brasil

Por Bruno Pavan

Quatro eleições vencidas e um impeachment no final. A esquerda, capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores, parecia que havia conquistado um espaço definitivo no debate público brasileiro. De 2003 até 2014, milhões entraram no mercado consumidor, a crise de 2008 não passou de uma marolinha, o país recebeu Copa do Mundo e Olimpíadas em menos de dois anos e chegamos a ser a sexta maior economia do mundo.

Porém, o Brasil hoje vive uma crises políticas e econômicas sem precedentes e a classe baixa que ascendeu nos governos PT vê seus ganhos desmoronarem e são forçados a aceitarem trabalhos com condições precárias. Mas o que aconteceu?

O evento “O que foi feito?” aconteceu na última quinta-feira (30) no Espaço Cult, em São Paulo, convidou o filósofo Vladimir Safatle e o sociólogo Ruy Braga, ambos da USP, para debater os caminhos, os erros e como a esquerda pode voltar a ser propositiva no debate político nacional.

Capa do mais recente livro de Vladimir Safatle

Safatle, que lançou recentemente o livro “Só mais um esforço” (Ed. Três Estrelas) aponta que a esquerda hoje só apresenta um pensamento reativo diante dos desmontes trabalhista e do investimento público com a PEC do congelamento de gastos, mas não consegue propor nada novo.

“A esquerda nacional vende um pouco o cenário de uma situação de desespero. Então eles dizem ‘não dá pra parar, não dá pra pensar, não dá pra fazer nada, eles estão vindo daqui e dali, vão destruir tudo, depois a gente vê’. Isso nada mais é que uma estratégia quando você não tem estratégia”, criticou.

“Lulodependência é a tragédia da esquerda brasileira”

Capa do livro “A rebeldia do precariado”

Já Ruy Braga, que também lançou recentemente o livro “A rebeldia do precariado” (Ed. Boitempo), e que deu uma entrevista ao Podcast Fora de Foco aqui, critica muito a falta de rumos da esquerda brasileira, que pra ele não consegue mais propor nada ao país. Um dos principais motivos é uma espécie de “Sebastianismo do século XXI” no Braisl, o que ele chamou de “lulodependência”.

“Nós estamos perdendo a partida sem entrar em campo. A gente já entregou o ouro pro bandido, que é apostar em Lula 2018. Lula, ainda que concorra, concorrendo, ainda que vença, vencendo, ainda que seja capaz de governar, ele vai entregar mais do mesmo frustrando de maneira ainda mais radical as expectativas que foram criadas nesse período e que convergiu para sua eventual vitória. O modelo de desenvolvimento que o Lula vai esboçar é o PAC 3, é onde ele consegue chegar. Ele não é capaz de identificar no horizonte possível um modelo de desenvolvimento que rompa com isso, e mesmo se fosse capaz, os seus vistos políticos e as suas alianças espúrias bloqueariam”, apontou.

A frustração relativa dos Brasileiros

Mas por que, mesmo diante de um cenário de crise profunda, onde o presidente da República Michel Temer conta com 3% de aprovação dos brasileiros, não estamos vendo grandes massas nas ruas?

Para Safatle o que ocorre hoje no Brasil é uma espécie de “frustração relativa” onde a parte da população que ascendeu de classe social recentemente, vê seu poder de compra cair, a economia estagnar e  os empregos voltarem a ficar precarizados.

“Os piores momentos pra um governante é que aquele em que o país começa a se transformar, porque você produz um sistema de expectativas. Se esse sistema não se realiza, você pode ter certeza que vai ter que lidar com uma frustração três vezes maior, e nesses momentos os governos caem. Quem faz as revoluções nunca são as classes mais baixas, são as classes que começam a subir e depois percebem que não podem mais. Isso é uma reversão de expectativas em um prazo curtíssimo de tempo e é óbvio que isso geraria uma debacle geral e que mostra claramente a fragilidade institucional brasileira”, apontou.

“Hoje a política está nos extremos”

Uma análise mais superficial da realidade política internacional pode nos fazer acreditar que há uma forte onda conservadora no mundo todo. Podemos, facilmente, recuperar os exemplo da saída da Grã-Bretanha da União Europeia e a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, ambas cercadas por um mote nacionalista conservador. Braga e Safatle, porém, apontam um outro tipo de explicação para esses fenômenos: as receitas políticas hoje se encontram cada vez mais nos dois extremos do espectro político.

Para Safatle, isso aconteceu desde a crise de 2008, onde governos tanto de centro-esquerda quanto de centro-direita repetiam as mesmas receitas que deram no colapso econômico mundial.

“Eu não diria que você vive uma onda conservadora no resto do mundo. Você vê a política indo para os extremos, que é outra coisa. Um exemplo era na Holanda. Durante todo o tempo a imprensa falava da “ascensão irresistível” do protofascismo holandês. Quando chegou nas eleições, a esquerda radical quase toma o poder. Porque pra imprensa é muito melhor você criar essa ilusão de que “olha, está vendo, eles estão vindo” então você inventa uma espécie de figura de centro liberal pra dizer: não dá pra  gente ficar discutindo muito, tem que ser esse aqui mesmo. É o modelo francês que vê o fascismo chegando e diz que o povo tem que aceitar uma figura de centro totalmente insípida, inodora e incolor mas que vence pelo medo. Mas lá o candidato da extrema esquerda (Jean-Luc Mélenchon) ficou com cerca de 20% (A candidata da direita Marine Le Pen teve 21,7% contra 19,5% de Mélenchon). O que aconteceu na Inglaterra, o partido trabalhista (sob liderança do radical Jeremy Corbyn) moribundo que por muito pouco não formou governo. Então, por tudo isso, hoje a política só existe nos extremos. O problema brasileiro é que hoje só existe um extremo”, conjecturou.

Braga usou o tempo em que viveu nos EUA, entre 2015 e 2016, para lembrar da pré-candidatura do democrata Bernie Sanders. Socialista e com base no sindicalismo, nos jovens universitários e no movimento negro, Sanders, para Braga, poderia ter vencido Trump nas eleições.

“Se você olhar hoje no mundo, as experiência de esquerda que são bem sucedidas são as apostaram em uma radicalização do projeto político. Eu estava nos EUA e acompanhei um pouco o fenômeno do Bernie Sanders. Eu arriscaria que hoje nós somos ameaçados por um louco na Presidência dos EUA porque o Partido Democrata sistematicamente bombardeou o Sanders em favor da Hillary Clinton. Existem muitos estudos mostrando que a vitória do Trump não foi assegurada por uma onda conservadora que o inundou de votos, mas, sim, pelos democratas que não se dignaram a ir votar na Hillary Clinton. Se houvesse o Sanders como um anti-Trump, hoje nós estaríamos vivendo uma realidade política internacional na qual, pela primeira vez na história americana, um candidato autenticamente de esquerda estaria hoje no poder”, encerrou. 

O jovem Karl Marx: “A crítica da crítica da crítica”

Por Bruno Pavan

Contrariando o título do texto e talvez 100% dos guias de boas práticas jornalísticas, isso não é uma crítica ao filme “O Jovem Karl Marx”, dirigido por Raoul Peck, que foi indicado ao Oscar em 2017 pelo documentário “Eu não sou seu negro”.

Não se trata de uma crítica porque não tenho ambição de comentar um filme esteticamente. Não tenho nenhuma noção disso.

No começo da semana eu recebi um email da Boitempo Editorial me convidando para a pré-estréia do filme que havia visto, por meio de alguns comentários nas redes sociais, que tinha sido boicotado pela grande indústria do audiovisual. A informação, no entanto, é falsa. O filme estreará no dia 28 de dezembro, quando o outro velhinho barbudo que veste vermelho ainda estiver na sua viagem de volta a sua fábrica de brinquedos no Polo Norte, em salas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

A exibição desta sexta-feira (24) foi em um shopping na Avenida Paulista, às 10 da manhã. Eu, como morador de Interlagos, teria que sair bem cedo. E assim fiz. E em absurdas 1 hora e 30 minutos eu estava na frente do cinema. O Cinemark, que em dia de #RedFriday, virou Cinemarx (sobe a música da Praça é Nossa!).

No início do filme, duas cenas mostram os desvios pequenos-burgueses de Marx e Engels. A esposa do alemão, Jenny von Westphalen, acusa a funcionária que cuida de sua filha pequena de estar roubando a casa da família. Ao que Marx responde: “deixa ela roubar, estamos devendo dois meses de salário pra ela”.

A história de Engels é mais conhecida. Seu pai era dono de uma fiação em Manchester. Depois que uma das funcionárias perdeu o dedo por dormir em cima de uma máquina de tear e as funcionárias realizaram um motim, Engels se interessou por aquela situação e escreveu, em 1845, “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”.

Avançando até São Paulo de 2017, depois de ficar em pé em um ônibus lotado por 1h30, me permiti também a um desvio pequeno-burguês. Como cheguei antes da sessão começar, fui tomar um café. Na Starbucks. R$ 5,50 a xicrinha. Com direito a um mini-cookie. Do outro lado do corredor havia um outro lugar. Onde talvez eu devesse tomar o meu café com menos culpa: o Havana.

O filme também cumpre o objetivo de ser entretenimento. Como uma espécie de “informações de bastidores”, soubemos que Marx proferiu a sua célebre frase “os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo” depois de uma noitada de xadrez regada a muito goró com Engels. “Amigos nunca fiz bebendo chá”, reforçou, décadas depois, o filho de Jessé Gomes da Silva, o Zeca Pagodinho.

Zeca Pagodinho cachorro

Em outro momento, no início da aproximação de ambos com o anarquista francês Pierre Proudhon, fase em que Marx era crítico ferrenhos dos hegelianos, a dupla estava em dúvida sob qual seria o título do livro que estavam escrevendo. A esposa de Marx (que, como a de Engels, tem papel central na trama), os provocou dizendo que o livro deveria se chamar: “A crítica da crítica da crítica”. Na cena do rompimento deles com Wilhelm Wetling, o alemão aos alerta, não com essas palavras, mas que a crítica acaba dando a volta e comendo o próprio argumento. No fim, a sugestão da Sra Marx não foi aceita e a obra ficou conhecida como “A sagrada família”.   

O filme encerra a sua viagem em 1848, com o lançamento do Manifesto do Partido Comunista. Marx não queria escrevê-lo, estava cheio de escrever panfletos e já tinha, ao que tudo indica, ideia e pesquisa da sua obra definitiva: O Capital. Além do mais, estava querendo descansar. Ele foi convencido por Engels a deixar o descanso pra lá e embarcar no desafio de dizer a ao mundo pra que os comunistas vieram. “Depois descansaremos, como dois bons burgueses”, provocou.

Voltando um ano, em 1847, é contado como os comunistas deram um passo essencial para lançar no ar o “espectro que ronda a Europa”. Engels, sob protesto de parte dos participantes, sobe ao palanque para discursar no congresso da então Liga dos Justos, em Londres. O grupo atuava sob o lema, que hoje chamaríamos de desconstruidão “Todos os homens são irmãos”. Engels substitui esse lema pelo famoso “Proletários de todo o mundo, uni-vos”. Os Justos se tornam, então, comunistas.

Ao final da sessão, a Black Friday nos aguardava do lado de fora. Tudo convidava ao consumo, já que tudo parecia estar em promoção. Eu, faminto, quase fui seduzido por um anúncio do Monarca do Hambúrguer, chamado por aqui de Burguer King, que me prometia um lanche, um refrigerante e um balde de batatas fritas (com DOIS SACHÊS de maionese) por R$ 19,90. Declinei do convite. Acabei pagando R$ 2,50 no brasileiríssimo (mas não muito) Torcida sabor cebola. Nunca é tarde para a auto-crítica.

Jessé Souza e a “esquerda Oslo” brasileira

O sociólogo e professor da UFABC Jessé Souza lançou seu novo livro “A elite do atraso – Da escravidão à Lava Jato” na última terça-feira (31) na livraria Tapera Taperá em São Paulo.

Em certa parte de sua fala ele explica o que é a “esquerda Oslo” brasileira. Trata-se da parcela da classe média progressista e liberal, mas que encara os problemas sociais como se fossem escandinávos.

Assista o vídeo abaixo:

Podcast Fora de Foco #13 – Belchior – Apenas um rapaz latino-americano

Está no ar a décima terceira edição do podcast Fora de Foco. Nessa edição o entrevistado é o jornalista e escrito Jotabê Medeiros que fala sobre seu livro “Belchior – Apenas um rapaz latino-americano” lançado pela editora Todavia (Aqui para comprar)

Abaixo a lista de músicas que foram utilizadas no programa

Podcast Fora de Foco #12 – Somália

Em edição especial, o Podcast Fora de Foco traz um programa com a professora do Instituto de Relações Internacionais da PUC-RJ Marta Fernández para entender melhor o que acontece na Somália.

Link para matéria da Rede Brasil Atual com a professora aqui: http://www.redebrasilatual.com.br/mundo/2017/10/atentado-na-somalia-e-resultado-de-conflito-historico-e-alianca-com-eua

Link para a última edição do Podcast do Xadrez Verbal aqui: https://xadrezverbal.com/2017/10/20/xadrez-verbal-podcast-116-somalia-venezuela-e-energia-limpa/

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PODCAST FORA DE FOCO #11 – Estado pós-democrático

Saiu a 11a edição do meu, do seu, do nosso Podcast Fora de Foco!
Dessa vez se trata de uma entrevista com o juíz do TJ do Rio de Janeiro Rubens Casara sobre seu novo livro Estado pós-democrático – neo-obscurantismo e gestão dos indesejáveis (Ed. Civilização Brasileira)