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Metrô 24 horas em São Paulo só em 2033, e olhe lá

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Como Paris, Tóquio, Londres e Seul

Deu no iG:

O diretor de manutenção do Metrô de São Paulo, Milton Gioia, afirmou na noite de quarta-feira (20) que é “impossível” que os trens da cidade comecem a operar por 24 horas em menos de 20 ou 30 anos. O servidor admitiu ao iG que a rede de Metrô da quarta maior cidade do mundo é pequena e não foi concebida para funcionar sem pausas. As declarações foram dadas depois de sua participação em audiência pública sobre o assunto, organizada pelos deputados Luiz Cláudio Marcolino (PT) e Leci Brandão (PCdoB-SP), na Assembleia Legislativa do Estado.

“Todo o projeto foi concebido para operar do jeito que está, assim como em Paris (França), Tóquio (Japão), Londres (Inglaterra) e Seul (Coreia do Sul). Todas operam do mesmo jeito que a gente, com exceção de Nova York (Estados Unidos). Então qualquer alteração seria uma mudança radical em tudo o que a gente faz. É impossível? Eu acho que nos próximos 20 ou 30 anos é impossível. Mas, a gente pode começar a trabalhar nesse sentido, tá bom?”

Marcolino e Leci são os autores de dois projetos de lei sobre o assunto que tramitam de forma indexada na Assembleia. O petista entrou com uma proposta (PL621) em 2011 para que o Metrô funcione sem parar todos os dias. Já o projeto de lei de Leci Brandão propõe que o transporte fique aberto ininterruptamente pelo menos aos fins de semana. O tema ganhou ainda mais força recentemente, quando um abaixo-assinado, criado no site da Avaaz.org, sobre o mesmo assunto conseguiu o apoio de mais de 90 mil pessoas.

[…]

Apesar de bastante criticado e, em certo momento, vaiado pelo público presente na audiência, Joia não foi o único a discursar contra a proposta de Metrô 24 horas para a cidade. Também convidado para dar sua opinião, o secretário de comunicação do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Ciro Moraes, disse que operação poderia ser fatal.

“Eles [metroviários que fazem manutenção] são obrigados a fazer uma verificação geral porque qualquer trinco num trilho pode causar um descarrilhamento de proporções catastróficas”, disse depois de culpar o governo do Estado pela impossibilidade de implantar o serviço na madrugada. “Infelizmente devido a escassez de linhas, no Metrô de São Paulo não tem alternativa. É a negligência do Estado que, em vez de construir mais linhas, fica comprando mais trens para atender a demanda em apenas um período. A histórica crônica de negligência do governo em ampliar as linhas não permite que nós façamos o transporte seguro das pessoas [na madrugada]. Se não tiver uma manutenção preventiva diária qualquer falha seria fatal”, opina.

Solução

Uma alternativa sugerida por alguns grupos que participaram da audiência foi a utilização de apenas uma via do Metrô durante a madrugada para transporte enquanto a segunda passaria por manutenção. Milton Gioia confirmou que isso é possível, mas disse que nem todas as linhas oferecerem esse recurso. “Para fazer o serviço de manutenção é preciso desenergizar os trilhos. Se há um trilho trincado você tem que cortar um pedaço de até 24 metros da linha. Cada pedaço deste pesa mais de uma tonelada”, rebate.

Em entrevista ao iG, o professor de transportes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) Telmo Giolito Porto, defendeu também que a única forma de viabilizar o Metrô 24 horas é aumentar a rede de estações. “Outros países fazem isso porque já tem uma malha [de metrô] fechada que nós ainda não temos. O que acontece é que em outros países você tem mais de um caminho para operação. Você fecha um dos caminhos, mas existem outros para chegar no mesmo lugar. Você consegue parar trechos das via sem prejudicar acesso total. Aqui são poucas as estações que têm acesso a mais de uma linha. Essa é uma diferença muito forte”, conclui.

Safatle: e depois do lulismo?

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por Bruno Pavan

O Fora de Foco reproduz artigo de Vladimir Safatle, na Carta Capital:

A pauta das eleições

Iniciado com um ano e meio de antecedência, o debate sobre as eleições presidenciais de 2014 demonstra o raquitismo político ao qual o eleitor brasileiro se -encontra submetido. Já sabemos de antemão quais devem ser os candidatos a presidente. Ainda é difícil, porém, encontrar pautas de debates que poderiam permitir ao País sintetizar novas soluções para seus problemas.

Por enquanto, sabemos apenas que o candidato tucano Aécio Neves está disposto a dar um salto para trás no tempo e recuperar o ideário liberal que alimentou seu partido nos anos 1990, inclusive ao trazer os mesmos nomes de sempre para pensar seu programa de governo. Como se nada tivesse ocorrido no mundo nos últimos 15 anos, como se o modelo liberal não tivesse naufragado desde a crise de 2008, o candidato tucano demonstra que a guinada conservadora do chamado partido “social-democrata” brasileiro é mesmo um horizonte terminal. Alguns partidos social-democratas europeus (como o PS francês, o SPD alemão e os próprios trabalhistas britânicos) procuraram ao menos ensaiar certo distanciamento dos ideais da terceira via, hegemônicos na década que Tony Blair vendia ao mundo sua cool Britania. Mas o caso brasileiro parece, de fato, completamente perdido.

Há de se perguntar, no entanto, o que poderia ser uma pauta da esquerda para as próximas eleições. Se aceitarmos certo esgotamento do modelo socioeconômico e político que vigorou no Brasil na última década sob o nome de “lulismo”, então a boa questão será: como a esquerda pode pensar o pós-lulismo?

Neste cenário, três questões seriam eixos privilegiados de debate. Primeiro, o esgotamento do lulismo implica necessidade de pensar um novo modelo de distribuição de renda e de combate à desigualdade. O modelo lulista, baseado na construção de redes de seguridade social e aumento real do salário mínimo, chega ao fim por não poder combater os processos que produzem, atualmente, a limitação da ascensão social dos setores beneficiados pelas políticas governamentais. Pois se os salários atuais são erodidos em seu poder de compra pelos gastos em saúde e educação, além do alto preço dos serviços e produtos em uma economia, como a brasileira, oligopolizada até a medula, um novo modelo de combate à desigualdade só pode passar pela construção de algo próximo àquilo que um dia se chamou de Estado do Bem-Estar Social, ou seja, um Estado capaz de garantir serviços de educação e saúde gratuitos, universais e de alta qualidade.

Nada disso está na pauta das discussões atuais. Qual partido apresentou, por exemplo, um programa crível à sociedade no qual explica como em, digamos, dez anos não precisaremos mais pagar pela educação privada para nossos filhos? Na verdade, ninguém apresentou porque a ideia exigiria uma proposta de refinanciamento do Estado pelo aumento na tributação daqueles que ganham nababescamente e contribuem pouco. Algo que no Brasil equivale a uma verdadeira revolução armada. Ou seja, um programa que nos anos 1950 e 1960 era visto como simploriamente reformista é revolucionário no Brasil atual.

Segundo ponto: o esgotamento do lulismo significa o aumento exponencial do desencantamento político em razão do modelo de coalização e “governabilidade” praticado desde o início da Nova República. Nesse sentido, ele exige a apresentação de uma pauta abrangente e corajosa de absorção das demandas por democracia direta nos processos de gestão do Estado e transparência ouvida cada vez mais em várias partes do mundo. Esse é um momento privilegiado para a esquerda retomar seu ideário de soberania popular. Ele não se acomoda aos regimes de conselhos consultivos que se tentou ultimamente, mas exige processos efetivo de transferência de poder decisório para instâncias de democracia direta.

Terceiro ponto: ao seguir uma lógica típica norte-americana, o pensamento conservador nacional tenta se recolocar no centro do debate por meio da inflação de pautas de costumes e de cultura. Tal estratégia só pode ser combatida pela aceitação clara de tais pautas de costumes, mas como eixo central de uma política de modernização social. Cabe à esquerda dizer alto e bom som que temas como casamento igualitário, direito ao aborto e políticas de combate à desigualdade racial são pontos inegociáveis a ser implementados com urgência. Dessa forma, fecha-se um círculo no qual uma pauta de modernização socioeconômica, política e social pode guiar nossos debates.

Fora do foco

Este blog terá a audácia de tecer alguns comentários sobre o ótimo artigo de Safatle, o principal pensador da esquerda no Brasil atualmente.

O Lulismo respondeu questões e resolveu problemas que o neoliberalismo dos anos 90 colocou.

Mas o Brasil da segunda década do século XXI não quer só comida. Quer comida, diversão e arte…

A esquerda deve seguir o conselho de Safatle: não ter medo de dizer seu nome nem no que acredita.

Botar o bloco na rua.

Ps.: sobre a candidatura Aécio, este democrático espaço toma a liberdade de sugerir um norte para a campanha, baseado em Jânio Quadros:

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Câmara Municipal de São Paulo vai homenagear algozes de Mariguella

telhada
Telhada: um tucano rápido no gatilho

Por Murilo Silva

A Câmara Municipal de São Paulo vai homenagear o batalhão de elite da Polícia Militar de São Paulo, a ROTA –  Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar.

O projeto de lei é do ex-comandante do batalhão, o vereador Coronel Telhada.

Telhada foi eleito com o lema: “bandido bom é bandido morto”.

Para o vereador – o quinto mais votado de São Paulo – o slogan é mais que um lema, é um mantra!

O ex-policial tem 36 casos de morte por “resistência a prisão” no currículo.

Para José Serra, a gestão de Telhada na ROTA é sinônimo de  “uma política firme que respeita os direitos humanos”.

Dentre outros méritos, a ROTA esta sendo condecorada pela “Salva de Prata” por suas “campanhas de guerra”, protagonizadas pelas companhias Boinas Negras que atuaram durante a ditadura militar perseguindo guerrilheiros de esquerda como Carlos Lamarca e Carlos Marighella.

A proposta foi prontamente aprovada pela Câmara, que vai entregar uma medalha aos algozes de Mariguella.

A cerimonia de coroação do fáscio ainda não tem data marcada.

Conselho Federal de Medicina pede liberação do aborto até 12ª semana

aborto

Do Estadão:

O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu romper o silêncio e defender a liberação do aborto até a 12.ª semana de gestação. O colegiado vai enviar à comissão do Senado que cuida da reforma do Código Penal um documento sugerindo que a interrupção da gravidez até o terceiro mês seja permitida, a exemplo do que já ocorre nos casos de risco à saúde da gestante ou quando a gravidez é resultante de estupro.

Fora do Foco:

Esse blog, despretensiosamente, chama a atenção dos movimentos sociais para a discussão do novo Código Penal, conduzida pelo brilhante jurista e ministro do STJ, Gilson Dipp.

Dessa Comissão podem sair avanços extraordinários.

É sem dúvida uma briga mais frutífera do que a  que se trava na Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara.

Um briga que se dá entorno de uma figura política menor, sem expressão, e que, em condições normais de temperatura e pressão, não mereceria nota nem nesse modestíssimo blog.

A divisão no PSDB é mais grave do que se pinta

privatariatucana

Saiu na Folha, na Coluna da Mônica Bergamo:

FAMÍLIA
José Serra afasta qualquer possibilidade de se reconciliar pessoalmente com Aécio Neves, embora militem no PSDB. O ex-governador de São Paulo acha que o mineiro está por trás do livro “A Privataria Tucana”, de 2011, em que negócios de sua filha, Veronica, foram esquadrinhados. Não perdoa.

FAMÍLIA 2
O autor, Amaury Ribeiro Jr., diz em um dos capítulos do livro que foi escalado por um jornal de Minas, ligado a Aécio, para levantar informações sobre arapongas que Serra teria supostamente colocado no encalço do mineiro. A partir daí, começou a pesquisar os negócios da família do paulista. Diz, no entanto, que fez isso por conta própria, “usando da liberdade conferida aos repórteres especiais” da publicação em que trabalhava.

Fora do Foco:

José Serra dá sinais de que fará por Aécio em 2014 o que Aécio fez por ele em 2010.

Se a coluna de Bergamo tiver precedência – e geralmente têm – a cidadela paulista fica mais receptiva as investidas de Eduardo Campos, que tem conversado com empresários de São Paulo.

Sem São Paulo, Eduardo já pode sonhar com o segundo lugar…

Sonhar, aliás, até a Marina pode.

Por Murilo Silva,