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Vladimir Safatle: “A política hoje está nos extremos. E no Brasil nós só temos um extremo”

Em debate no espaço da Revista Cult, em São Paulo, Vladimir Safatle e Ruy Braga participaram do debate “o que foi feito”, para debater os caminhos e desafios da esquerda no Brasil

Por Bruno Pavan

Quatro eleições vencidas e um impeachment no final. A esquerda, capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores, parecia que havia conquistado um espaço definitivo no debate público brasileiro. De 2003 até 2014, milhões entraram no mercado consumidor, a crise de 2008 não passou de uma marolinha, o país recebeu Copa do Mundo e Olimpíadas em menos de dois anos e chegamos a ser a sexta maior economia do mundo.

Porém, o Brasil hoje vive uma crises políticas e econômicas sem precedentes e a classe baixa que ascendeu nos governos PT vê seus ganhos desmoronarem e são forçados a aceitarem trabalhos com condições precárias. Mas o que aconteceu?

O evento “O que foi feito?” aconteceu na última quinta-feira (30) no Espaço Cult, em São Paulo, convidou o filósofo Vladimir Safatle e o sociólogo Ruy Braga, ambos da USP, para debater os caminhos, os erros e como a esquerda pode voltar a ser propositiva no debate político nacional.

Capa do mais recente livro de Vladimir Safatle

Safatle, que lançou recentemente o livro “Só mais um esforço” (Ed. Três Estrelas) aponta que a esquerda hoje só apresenta um pensamento reativo diante dos desmontes trabalhista e do investimento público com a PEC do congelamento de gastos, mas não consegue propor nada novo.

“A esquerda nacional vende um pouco o cenário de uma situação de desespero. Então eles dizem ‘não dá pra parar, não dá pra pensar, não dá pra fazer nada, eles estão vindo daqui e dali, vão destruir tudo, depois a gente vê’. Isso nada mais é que uma estratégia quando você não tem estratégia”, criticou.

“Lulodependência é a tragédia da esquerda brasileira”

Capa do livro “A rebeldia do precariado”

Já Ruy Braga, que também lançou recentemente o livro “A rebeldia do precariado” (Ed. Boitempo), e que deu uma entrevista ao Podcast Fora de Foco aqui, critica muito a falta de rumos da esquerda brasileira, que pra ele não consegue mais propor nada ao país. Um dos principais motivos é uma espécie de “Sebastianismo do século XXI” no Braisl, o que ele chamou de “lulodependência”.

“Nós estamos perdendo a partida sem entrar em campo. A gente já entregou o ouro pro bandido, que é apostar em Lula 2018. Lula, ainda que concorra, concorrendo, ainda que vença, vencendo, ainda que seja capaz de governar, ele vai entregar mais do mesmo frustrando de maneira ainda mais radical as expectativas que foram criadas nesse período e que convergiu para sua eventual vitória. O modelo de desenvolvimento que o Lula vai esboçar é o PAC 3, é onde ele consegue chegar. Ele não é capaz de identificar no horizonte possível um modelo de desenvolvimento que rompa com isso, e mesmo se fosse capaz, os seus vistos políticos e as suas alianças espúrias bloqueariam”, apontou.

A frustração relativa dos Brasileiros

Mas por que, mesmo diante de um cenário de crise profunda, onde o presidente da República Michel Temer conta com 3% de aprovação dos brasileiros, não estamos vendo grandes massas nas ruas?

Para Safatle o que ocorre hoje no Brasil é uma espécie de “frustração relativa” onde a parte da população que ascendeu de classe social recentemente, vê seu poder de compra cair, a economia estagnar e  os empregos voltarem a ficar precarizados.

“Os piores momentos pra um governante é que aquele em que o país começa a se transformar, porque você produz um sistema de expectativas. Se esse sistema não se realiza, você pode ter certeza que vai ter que lidar com uma frustração três vezes maior, e nesses momentos os governos caem. Quem faz as revoluções nunca são as classes mais baixas, são as classes que começam a subir e depois percebem que não podem mais. Isso é uma reversão de expectativas em um prazo curtíssimo de tempo e é óbvio que isso geraria uma debacle geral e que mostra claramente a fragilidade institucional brasileira”, apontou.

“Hoje a política está nos extremos”

Uma análise mais superficial da realidade política internacional pode nos fazer acreditar que há uma forte onda conservadora no mundo todo. Podemos, facilmente, recuperar os exemplo da saída da Grã-Bretanha da União Europeia e a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, ambas cercadas por um mote nacionalista conservador. Braga e Safatle, porém, apontam um outro tipo de explicação para esses fenômenos: as receitas políticas hoje se encontram cada vez mais nos dois extremos do espectro político.

Para Safatle, isso aconteceu desde a crise de 2008, onde governos tanto de centro-esquerda quanto de centro-direita repetiam as mesmas receitas que deram no colapso econômico mundial.

“Eu não diria que você vive uma onda conservadora no resto do mundo. Você vê a política indo para os extremos, que é outra coisa. Um exemplo era na Holanda. Durante todo o tempo a imprensa falava da “ascensão irresistível” do protofascismo holandês. Quando chegou nas eleições, a esquerda radical quase toma o poder. Porque pra imprensa é muito melhor você criar essa ilusão de que “olha, está vendo, eles estão vindo” então você inventa uma espécie de figura de centro liberal pra dizer: não dá pra  gente ficar discutindo muito, tem que ser esse aqui mesmo. É o modelo francês que vê o fascismo chegando e diz que o povo tem que aceitar uma figura de centro totalmente insípida, inodora e incolor mas que vence pelo medo. Mas lá o candidato da extrema esquerda (Jean-Luc Mélenchon) ficou com cerca de 20% (A candidata da direita Marine Le Pen teve 21,7% contra 19,5% de Mélenchon). O que aconteceu na Inglaterra, o partido trabalhista (sob liderança do radical Jeremy Corbyn) moribundo que por muito pouco não formou governo. Então, por tudo isso, hoje a política só existe nos extremos. O problema brasileiro é que hoje só existe um extremo”, conjecturou.

Braga usou o tempo em que viveu nos EUA, entre 2015 e 2016, para lembrar da pré-candidatura do democrata Bernie Sanders. Socialista e com base no sindicalismo, nos jovens universitários e no movimento negro, Sanders, para Braga, poderia ter vencido Trump nas eleições.

“Se você olhar hoje no mundo, as experiência de esquerda que são bem sucedidas são as apostaram em uma radicalização do projeto político. Eu estava nos EUA e acompanhei um pouco o fenômeno do Bernie Sanders. Eu arriscaria que hoje nós somos ameaçados por um louco na Presidência dos EUA porque o Partido Democrata sistematicamente bombardeou o Sanders em favor da Hillary Clinton. Existem muitos estudos mostrando que a vitória do Trump não foi assegurada por uma onda conservadora que o inundou de votos, mas, sim, pelos democratas que não se dignaram a ir votar na Hillary Clinton. Se houvesse o Sanders como um anti-Trump, hoje nós estaríamos vivendo uma realidade política internacional na qual, pela primeira vez na história americana, um candidato autenticamente de esquerda estaria hoje no poder”, encerrou. 

O jovem Karl Marx: “A crítica da crítica da crítica”

Por Bruno Pavan

Contrariando o título do texto e talvez 100% dos guias de boas práticas jornalísticas, isso não é uma crítica ao filme “O Jovem Karl Marx”, dirigido por Raoul Peck, que foi indicado ao Oscar em 2017 pelo documentário “Eu não sou seu negro”.

Não se trata de uma crítica porque não tenho ambição de comentar um filme esteticamente. Não tenho nenhuma noção disso.

No começo da semana eu recebi um email da Boitempo Editorial me convidando para a pré-estréia do filme que havia visto, por meio de alguns comentários nas redes sociais, que tinha sido boicotado pela grande indústria do audiovisual. A informação, no entanto, é falsa. O filme estreará no dia 28 de dezembro, quando o outro velhinho barbudo que veste vermelho ainda estiver na sua viagem de volta a sua fábrica de brinquedos no Polo Norte, em salas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

A exibição desta sexta-feira (24) foi em um shopping na Avenida Paulista, às 10 da manhã. Eu, como morador de Interlagos, teria que sair bem cedo. E assim fiz. E em absurdas 1 hora e 30 minutos eu estava na frente do cinema. O Cinemark, que em dia de #RedFriday, virou Cinemarx (sobe a música da Praça é Nossa!).

No início do filme, duas cenas mostram os desvios pequenos-burgueses de Marx e Engels. A esposa do alemão, Jenny von Westphalen, acusa a funcionária que cuida de sua filha pequena de estar roubando a casa da família. Ao que Marx responde: “deixa ela roubar, estamos devendo dois meses de salário pra ela”.

A história de Engels é mais conhecida. Seu pai era dono de uma fiação em Manchester. Depois que uma das funcionárias perdeu o dedo por dormir em cima de uma máquina de tear e as funcionárias realizaram um motim, Engels se interessou por aquela situação e escreveu, em 1845, “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”.

Avançando até São Paulo de 2017, depois de ficar em pé em um ônibus lotado por 1h30, me permiti também a um desvio pequeno-burguês. Como cheguei antes da sessão começar, fui tomar um café. Na Starbucks. R$ 5,50 a xicrinha. Com direito a um mini-cookie. Do outro lado do corredor havia um outro lugar. Onde talvez eu devesse tomar o meu café com menos culpa: o Havana.

O filme também cumpre o objetivo de ser entretenimento. Como uma espécie de “informações de bastidores”, soubemos que Marx proferiu a sua célebre frase “os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo” depois de uma noitada de xadrez regada a muito goró com Engels. “Amigos nunca fiz bebendo chá”, reforçou, décadas depois, o filho de Jessé Gomes da Silva, o Zeca Pagodinho.

Zeca Pagodinho cachorro

Em outro momento, no início da aproximação de ambos com o anarquista francês Pierre Proudhon, fase em que Marx era crítico ferrenhos dos hegelianos, a dupla estava em dúvida sob qual seria o título do livro que estavam escrevendo. A esposa de Marx (que, como a de Engels, tem papel central na trama), os provocou dizendo que o livro deveria se chamar: “A crítica da crítica da crítica”. Na cena do rompimento deles com Wilhelm Wetling, o alemão aos alerta, não com essas palavras, mas que a crítica acaba dando a volta e comendo o próprio argumento. No fim, a sugestão da Sra Marx não foi aceita e a obra ficou conhecida como “A sagrada família”.   

O filme encerra a sua viagem em 1848, com o lançamento do Manifesto do Partido Comunista. Marx não queria escrevê-lo, estava cheio de escrever panfletos e já tinha, ao que tudo indica, ideia e pesquisa da sua obra definitiva: O Capital. Além do mais, estava querendo descansar. Ele foi convencido por Engels a deixar o descanso pra lá e embarcar no desafio de dizer a ao mundo pra que os comunistas vieram. “Depois descansaremos, como dois bons burgueses”, provocou.

Voltando um ano, em 1847, é contado como os comunistas deram um passo essencial para lançar no ar o “espectro que ronda a Europa”. Engels, sob protesto de parte dos participantes, sobe ao palanque para discursar no congresso da então Liga dos Justos, em Londres. O grupo atuava sob o lema, que hoje chamaríamos de desconstruidão “Todos os homens são irmãos”. Engels substitui esse lema pelo famoso “Proletários de todo o mundo, uni-vos”. Os Justos se tornam, então, comunistas.

Ao final da sessão, a Black Friday nos aguardava do lado de fora. Tudo convidava ao consumo, já que tudo parecia estar em promoção. Eu, faminto, quase fui seduzido por um anúncio do Monarca do Hambúrguer, chamado por aqui de Burguer King, que me prometia um lanche, um refrigerante e um balde de batatas fritas (com DOIS SACHÊS de maionese) por R$ 19,90. Declinei do convite. Acabei pagando R$ 2,50 no brasileiríssimo (mas não muito) Torcida sabor cebola. Nunca é tarde para a auto-crítica.

Esquerda precisa lutar contra o neototalitarismo, o populismo e o adesismo, diz Ruy Fausto

Ocorreu na última terça-feira (9) no livraria Martins Fontes em São Paulo o debate sobre o livro “Caminhos da esquerda”, do professor emérito da USP Ruy Fausto, lançado pela Companhia das Letras. O evento também contou com a presença do deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ).

Foram discutidos muitos pontos como quando aconteceu a crise da esquerda no Brasil e no mundo e o que será preciso fazer para a reorganização do campo progressista após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. Ou seja, como diz o próprio título do livro de Fausto, os caminhos da esquerda.

Para Fausto há três “doenças” principais da esquerda. O neo-totalitarismo, o populismo ou o patrimonialismo e o adesismo.

O neo totalitarismo, para Fausto, mora em manifestações de apoio a pensadores ortodoxos como o filósofo italiano Domênico Losurdo, que esteve no Brasil recentemente para as comemorações dos 100 anos de revolução russa. “Dizem que a revolução russa acabou com isso e com aquilo, sim, acabou mas colocou algo pior no lugar. A gente vê o (Antonio) Negri querendo fundar um novo leninismo, isso acabou, está morto e enterrado, não tem nenhum futuro”, criticou.

Já no campo do adesismo, ou seja, de abrir mão de seus ideiais para “seguir na onda” da política tradicional, Fausto dá os exemplos do ex-presidente Fernando henrique Cardoso, que na visão dele migrou da centro-esquerda para a centro-direita, e o PPS, que era o antigo PCB, e que saiu da extrema-esquerda e vai para a política dominante.

A terceira doença, o populismo, o professor identifica nas discursos a favor do governo venezuelano de Nicolas Maduro, que identifica tanto na esquerda brasileira, nas vozes de Gleisi Hoffman e em alguns quadros do PSOL, quanto na esquersa mundial, principalmente na figura de Jean-Luc Melenchon que ficou em quarto lugar nas eleições presidenciais francesas em 2017 com 19% dos votos.

A saída é uma esquerda mais moderna

O deputado Alessandro Molon também estava presente no evento e apontou a necessidade de se formar no Brasil um esquerda com pautas mais modernas, preocupada, sobretudo, com a desigualdade social mas sem esquecer da defesa da democracia.

“Dentro desse espector de uma esquerda democrática, há um vácuo no Brasil que ninguém conseguiu ocupar. Nem a Rede, partido da qual eu faço parte, conseguiu ocupar esse espaço. O PT deveria estar preocupado em fazer uma autocrítica honesta mas não está fazendo e os que se preocupam em fazer dizem que o partido errou porque não foi esquerda o suficiente. Eu não acho que esse seja o diagnóstico correto”, afirmou.

Ter um discurso contundente contra a corrupção também foi apontado tanto por Fausto quanto por Molon como algo essencial para que a esquerda brasileira possa ressurgir com força. O deputado fez menção a um artigo publicado no site justificando intitulado “Esquerda fashion punitivista” que fazia críticas e ele e ao senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) por defender publicamente o ex-procurador geral da república Rodrigo Janot e o Procurador da República Deltran Dellagnol e suas atuações na operação Lava Jato.

“Quanto à ideologia, a esquerda ‘fashion’ punitivista acaba sendo mais daninha ao avanço das liberdades democráticas do que os deletérios personagens da direita, justamente porque confundem a população e, com isso, contribuem para consolidar personagens que extrapolam suas funções institucionais, em clara afronta ao papel constitucional que deveriam exercer. A contradição que não percebem é que ao incentivar a exaltação política de autoridades do MP e do Judiciário, contribuem para a completa ausência de controle do poder punitivo”‘, apontou o advogado Patrick Mariano (Clique aqui para ler o artigo na íntegra)

“É claro que o combate à corrupção não pode ser um fim em si mesmo, mas eu não consigo entender, honestamente, quem diz que agora estão tentando usar o discurso garantista contra a seletividade penal pra dizer que quem é de esquerda não pode achar bom que as pessoas estão sendo descobertas e respondendo aos crimes que praticaram. É um negócio inacreditável isso! Durante anos a esquerda que estuda seletividade penal disse que o sistema penal foi feito pra prender pobre e negro, o que é corretíssimo. Mas quando começa a pegar o andar de cima você diz ‘não, nós somos contra cadeia’. Então a gente é contra o quê? Me parece que temos aqui um problema de igualdade também, mas não só social como republicana, de que maneira o estado trata cada um”, respondeu o deputado.

Sobre a polêmica com Marilena Chauí: “alguém precisava ter feito a crítica”

Na revista Piauí de número 121, de outubro de 2016, o professor  Ruy Fausto assinou o artigo “reconstruir a esquerda”, uma espécie de pontapé inicial para o livro lançado menos de um ano depois. Como é de praxe da revista, os artigo são ilustrado por uma ilustração e, no caso desse, era uma desenho da professora da FFLCH-USP Marilena Chauí feliz representada como uma sereia tocando uma harpa. A imagem contrastava com um navio com uma bandeira do PT passando por uma tormenta e pessoas se afogando. Há também uma menção ao ex-presidente Lula no desenho.

A ilustração não era gratuita e vinha com uma passagem do texto de Fausto abaixo: “é preciso dizer: o discurso político de Marilena Chauí tem representado uma verdadeira catástrofe para a esquerda. Infelizmente, ela se mostra seduzida demais pelo aplauso dos auditórios”   

Um mês depois, a revista Cult traz um artigo de seis professores da USP intitulado “Um frágil diagnóstico sobre Marilena Chauí e esquerdas”, que respondia ao professor Ruy Fausto.  

Perguntado sobre a crítica feita, Fausto apontou que as intervenções políticas de Chauí são insuficientes e demagógicas e que se ele não fizesse as críticas. alguém teria que fazê-la.

“Eu fiz uma crítica bastante forte à Marilena porque primeiro o estilo de intervenção política dela é muito insuficiente e um pouco demagógico. A saída dela em torno da classe média foi extremamente infeliz, tanto que agora ela já se corrigiu. Ela também não fez a autocrítica que tinha que fazer ao PT. Eu escrevi aqueles artigos depois de um colóquio fez e que ela termina com um elogio do PT. Numa outra reunião que tivemos, quando se falou em autocrítica ele disse que era coisa de stalinista, isso é uma bobagem, a autocrítica que a gente está pensando não é a autocrítica dos processos de Moscou. Esse tipo de linguagem tinha que ser criticada. Com isso eu não quero desprezar os méritos dela como professora, e espero que ela continue participando dos debates, não sei, não a vi depois dessa discussão, mas acho que um dia teriam que fazer isso e eu fico contente em ter feito. Se eu pensasse um pouco mais talvez eu não fizesse porque enfrentar a Marilena na universidade é uma coisa de maluco. Se passou um pouquinho da medida eu não sei, mas eu tive que fazer”, encerrou.    

Marina Silva comparece em ato de apoio ao deputado Marcos Feliciano

O seu Agnelo também não surpreende…

 

rede
um jeito novo de fazer política

 

Deu na Folha:

A bancada evangélica da Câmara saiu em defesa da permanência do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Casa.

Durante uma sessão de homenagem à Assembleia de Deus -que realiza nesta semana em Brasília convenção-geral para eleger seu presidente e diretores até 2017-, deputados evangélicos dispararam recados aos líderes partidários, que se reúnem hoje com Feliciano para discutir a sua manutenção à frente da comissão.

Estiveram na reunião dos representantes da Assembleia de Deus ontem à noite o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e a ex-senadora Marina Silva (Rede), ela própria participante do movimento.

Feliciano, que comanda a Catedral do Avivamento, um dos ministérios da Assembleia de Deus, não apareceu nem foi citado nos discursos e nas apresentações musicais que marcaram o evento.

 

FHC: só os nobres podem viver para sempre

Por Murilo Silva

Esse editor apostou no final do mês passado um cruzeiro furado na eleição de Ayres Britto para a cadeira 36 da Academia Brasileira de Letras, declarada vaga com a morte do jornalista João de Scantimburgo, no final de março último.

Eis que esse editor lascou-se com um cruzeiro furado, a partir do momento que a candidatura do já imortalizado pela  estória (assim mesmo, com ‘e’ de elefante), Fernando Henrique Cardoso I, tomou robustez.

Na ocasião, esse editor foi buscar na fonte camoniana uma expressão à altura da redenção do impropério proferido:

“Cesse tudo o que a musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta!”, Disse esse editor.

Eis que esse reles jornalista se pega no mesmo erro novamente, caro colaborador. O erro de comemorar precocemente os louros da deusa vitória.

Um novo candidato desponta na peleja!

Cessem do sábio Grego e do Troiano 

As navegações grandes que fizeram; 

Cale-se de Alexandro e de Trajano 

A fama das vitórias que tiveram….

(Veja caro colaborador, que esse editor se esmera para mostrar algum verniz intelectual, já que o trado da imortalidade assim o exige… Mas o inculto periodista não consegue avançar da terceira estrofe do I Canto…)

Sendo assim, sem mais preâmbulos o Fora de Foco apresenta a mais nova candidatura a cadeira 36, capaz de formar páreo ao nome do príncipe dos sociólogos!

amaury
Coração de Leão

O jornalista Amaury Ribeiro Júnior, tem uma relação estreita com a imortalidade.

Sua prima obra, por si só, já imortalizou muita gente…

Ricardo Sérgio de Oliveira, o homem de mil segredos.

José Serra, Daniel Dantas e suas Verônicas…

Só comparado as rotas das Índias Ocidentais, o Pritaria Tucana de Amaury traça um mapa preciso das correntes que movimentam o dinheiro público pelas águas quente abaixo do Equador.

As vezes o dinheiro sobe de mais… É a Lá Nina, Lá Nina Verônica!

A deriva pela rede, caro colaborador, corre um manifesto em apoio à candidatura desses jornalista.

Esse jornalista tantas vezes laureado pelo mais devotado exercício da mais terrena das profissões – o jornalismo.

Essa empolgante empreitada pela mortalidade de Amaury já reúne uma ilustre galeria, lista abaixo:

Ps’ para adicionar seu nome a lista de Amaury, clique aqui.

Ps” por questão de equidade, é bom lembrar que a candidatura de FHC também conta com vasta lista de apoios encabeçada por José Sarney, que por seus “Marimbondos de Fogo“, já assenta-se na távola de Machado de Assis pela eternidade.

A lista:

Altamiro Borges
Antonio Cantisani Filho
Breno Altman
Daniel Freitas
Dermi Azevedo
Diogo Moysés
Elis Regina Brito Almeida
Emiliano José
Emir Sader
Enio Squeff
Ermínia Maricato
Flavio Wolf Aguiar
Gilberto Maringoni
Inácio Neutzling
Ivana Jinkins
Joaquim Ernesto Palhares
Joaquim Soriano
João Brant
José Arbex Jr.
Julio Guilherme De Goes Valverde
Katarina Peixoto
Ladislau Dowbor
Laurindo Leal Filho
Lúcio Manfredo Lisboa
Luiz Carlos Azenha
Luiz Fernando Emediato
Luiz Gonzaga Belluzzo
Marcel Gomes
Marcio Pochmann
Marco Aurelio Weissheimer
Marcos Dantas
Paulo Henrique Amorim
Paulo Salvador
Raul Millet Filho
Reginaldo Nasser
José Reinaldo Carvalho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Samuel Pinheiro Guimarães
Venício Lima
Wagner Nabuco”

Sugestão para Marina Silva

Esse Fora de Foco reproduz, com exclusividade, uma sugestão de seu mais assíduo colaborados, o chargista Samuel de Oliveira Preto, endereçada à líder verde, Marina Silva.

Como revelou semana passada a colunista Dora Kramer, aqui carinhosamente chamada de Dorinha, o PSDB vêm ajudando Marina a colher assinaturas para fundar sua REDE – que assim como o PSD de Kassab, não é de esquerda e nem de direita e nem de centro.

Uma beleza.

Um “gentil patrocínio” como definiu Dorinha.

Veja:

rede
gratidão: a primeira das virtudes humanas

 

Mande você também sua colaboração ao Fora de Foco em: foradfoco@gmail.com

 

 

 

Dirceu recorrerá à Corte Interamericana?

Deu no Painel Político do iG:

O ex-ministro José Dirceu mandou rodar em três idiomas o texto em que se defende do resultado do julgamento do mensalão. O material ganhou versões em espanhol, inglês e francês.

O documento tem sido distribuído pelo petista a autoridades como chefes de Estado estrangeiros, para contar seu lado da condenação no Supremo Tribunal Federal por formação de quadrilha e corrupção ativa.

Um dos que recebeu o documento em mãos foi o ex-presidente da Espanha Felipe González, que esteve no Brasil no fim de março. O espanhol se disse estarrecido com o resultado da condenação.

Os remédios ficam mais caros e os planos de saúde ficam impunes

padilha
um, o outro, ou nenhum dos dois?

Por Murilo Silva,

O noticiário não é bom para o ministro da Saúde Alexandre Padilha. Nos bastidores, Padilha concorre com o colega de ministério, Aloizio Mercadante, a indicação do PT para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes em 2014.

Acontece que o noticiário das últimas semanas não é nada favorável à Padilha.

No começo da semana, a Folha divulgou que, por leniência, a Agencia Nacional de Saúde Suplementar deixou “caducar” 2,7 milhões de reais em multas contra planos de saúde.

Muito além do valor pecuniário, a prescrição das multas gera um prejuízo moral imenso a ANS, uma agência reguladora que se mostra débil em matéria de regulação. É um desastre em um país onde os planos de saúde batem recordes de queixas, e com isso, comprometem as vidas de milhares de clientes.

Hoje, o ministério da Saúde anuncia um aumento que parte de 2,70% e chega à 6,31% nos medicamentos.

A lista de remédios reajustados somam 6.234 itens, o que corresponde a mais de 50% do mercado brasileiro.

Segundo o IBOPE, o brasileiro deve gastar em média R$ 430,92 com medicamentos esse ano. Um mercado que deve movimentar 70 bi. Só a chamada classe C – alvo de todos e menina dos olhos do PT – deve arcar com metade desse custo. O aumento anunciado hoje terá impacto nessa conta.

Na última pesquisa IBOPE, que avaliou o governo Dilma com recorde absoluto de aprovação, a Saúde apareceu como principal problema do governo. Nada menos que 67% dos entrevistados desaprovam a gestão da Saúde.

Com essas prerrogativas – ainda que contando com a bem sucedida receita do “novo”, defendida por Lula – o nome de Padilha perde força perante Aloizio Mercadante.

Além de ter o apoio do PT de São Paulo, Mercadante aparece com o prestigio revigorado no Planalto, figurando atualmente como um dos principais interlocutores da presidente Dilma.

Em um partido com cada vez menos democracia interna, a bola esta com Dilma, Lula e os marqueteiros. A conferir.

A política não se faz com a pomba branca. Nem com o fígado

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Produção… ô… produção….

Por Bruno Pavan 

O pragmatismo, principalmente nas minhas posições políticas, é algo que eu prezo muito. Política é, antes de tudo, escolha de um lado. Muitas vezes essas escolhas te farão colecionar pessoas que não vão muito com a sua cara. Faz parte.

Não acho possível fazer política como pretende, por exemplo a ex-ministra Marina Silva, com a pomba branca da paz na mão. Penso que isso é fazer política com a antipolítica.

Tomar posição é necessário. Melhor do que ficar sugerindo plebiscito pra tudo. Lula, FHC, Jean Willys geram ódio por quem não concorda com suas posições. Os três são políticos e devem tomar posições.

Nessa semana uma polêmica tomou conta do twitter. Um perfil polemicista profissional ofendeu o deputado Fernando Ferro (PT-PE). O chamou de “lixo humano” e de “merda”. Que respondeu com insultos homofóbicos. O mais curioso de tudo é que o perfil faz parte de tropa anti-governista. Supostamente fariam críticas à esquerda do governo. Na prática, fazem política com o fígado.

Ferro errou em entrar na onda do polemicista. Faltou jogo de cintura para lidar com os revoltados (e mal educados) da internet. Errou em ter chamado o dono do perfil de “boneca agressiva”, usou a orientação sexual do ofensor para ofendê-lo. O pontinho antes do nome do deputado é representativo. Ele jogou verde pra colher maduro. E colheu.

O antigovernista apelou para a tática Ivo Holanda de argumentação. Escolheu um alvo, o ofendeu para tirá-lo do sério, depois saiu gritando “produção, produção… me ajuda produção”. É infantil. Da mesma forma como acusam o governismo de ser.

(tentar) Discutir política é cada vez mais difícil no mundo em que as redes sociais liberam o que há de mais preconceituoso na mente das pessoas. Deixem as vísceras longe da política, ela só atrapalha.

Quem o ministro da Justiça quer esconder?

DantasCardozo
quem Cardoso esconde?

 

Deu no Globo:

BRASÍLIA — A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nesta terça-feira nota de apoio aos delegados Luís Flávio Zampronha de Oliveira, que investigou o mensalão, e Matheus Mela Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, que foram proibidos de dar entrevistas sem a autorização prévia do departamento de Comunicação Social da Polícia Federal (PF). Segundo a associação, os delegados estão sendo “vítimas de procedimentos disciplinares com base em normas inconstitucionais que negam o direito de manifestação e à informação”. A entidade já entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a Instrução Normativa 13/2008 da Polícia Federal, que instituiu a proibição.

Saindo do Foco:

Por Murilo Silva

A revista Época teve acesso em 2011 ao inquérito mineiro do Mensalão. O relatório comandado pelo delegado Zampronha montra um protagonista até agora escondido.

O relatório de Zampronha mostra como Daniel Dantas fazia nomeações na ANATEL – agência reguladora que deveria vigiar Dantas, na época, gestor da Brasil Telecom.

O relatório de Zampronha mostra correspondência eletrônica entre o lobista Roberto Amaral – sob soldo de Dantas – e os chefes de ordem do Presidente Fernando Henrique.

O relatório de Zampronha mostra correspondência eletrônica entre o lobista Roberto Amaral e o motorista do então ministro José Serra, que também responde pela alcunha de “Niger”.

Amaral pediu ao motorista do Serra a cabeça de um dirigente da Previ – maior fundo de pensão da América Latina – e foi prontamente atendido por este que deve ser o mais influente motorista do mundo.

O relatório de Zampronha faz uma verdadeira arquivologia política do grupo Opportunity – principal alvo da investigação.

Estabelece um vínculo central entre os dois governos do chamado Brasil Moderno – um vinculo comum aos “mensalões”.

Entre 1999 e 2002 – governo FHC-  a Telemig, empresa controlada por Dantas, pagou 77 milhões de reais as agências de Valério.

Entre 2003 e 2005 – governo Lula – a cifra foi de 87 milhões.

O relatório de Zampronha dedica 36 páginas ao D.D., 10% do texto.

A Carta Capital teve acesso ao inquérito e o disponibilizou na integra em seu site.

Em tempo: Como se sabe, os amigos de Daniel Dantas chamam o ministro José Eduardo Cardoso, da Justiça, de Zé. O ministro já gastou vastamente seu latim para negar suas relações com o banqueiro. Contudo, Zé Eduardo se notabilizou na imprensa italiana pela via-sacra que fez por lá para defender os interesses do banqueiro carioca em sua disputa com a Telecom Itália. Zé também já engrossou as fileiras de advogados do controvertido banqueiro.

Deixa o Zampronha falar, Zé!