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Donald Trump continua andando

“Você acerta Donald na cabeça e ele segue em frente. Nem percebe que foi atingido”, a frase é de Roger Ailes, ex-presidente da Rede de TV Fox News, ícone conservador estadunidense, sobre Donald Trump.

Fogo e Fúria – Por dentro da Casa Branca de Trump (Ed. Objetiva) , de Michael Wolff, é uma crônica de como, um candidato tratado como piada na maior parte do tempo da campanha eleitoral, conseguiu se eleger contra o status quo da política dos EUA.

(Primeiro, veja aqui como o cineasta Michael Moore, que está longe de ser um trumpista, elencou cinco motivos pelo qual Trump venceria a eleição meses antes dela ocorrer )

Em tempos de fake news e de pós-verdade, “seguir em frente”, como faz Trump, talvez é a principal qualidade que um político conservador deva ter.

O livro de Wolff pode ter exageros: alguém eleito presidente da maior potência mundial não pode ser um completo idiota, como o jornalista deixa claro em praticamente todas as frases do livro. Mas ele nos faz entender como a descrença na política e na “nova ordem mundial” pode produzir figuras como essa.

O ridículo político

Em diversas partes de seu livro, Wolff deixa claro que Trump é uma marca. Sua empresa não é do ramo imobiliário, esportivo, de lazer ou qualquer outro. Sua empresa é ele. E junto com isso vem, por exemplo, uma forma de pensar e resolver as coisas. O problema tem que ser resolvido, então, às favas com a diplomacia, faça-se uma lista países onde seus cidadãos, a partir de hoje, não podem mais viver o “sonho americano”. Abandone-se políticas públicas de imigração e constrói-se um muro na fronteira com o México. (e faça os mexicanos pagarem por ele)

A filósofa Márcia Tiburi lançou, em 2017, seu livro “O ridículo político” (Ed. Record). Nesse vídeo ela recorda do filósofo alemão, integrante da Escola de Frankfurt, Walter Benjamin onde ele aponta que havia naquele momento uma estetização da política.

“Quando a gente fala de estética política nós estamos colocando em cena justamente o aparecer do poder. O modo como o poder se apresenta e como, ao se apresentar, toca na nossa sensibilidade. Como nos afeta e nos influencia o nível também dos nossos sentidos”, explica.

Trump não é burro! Mas talvez a construção de um presidente que não é nada além do que a sua marca seja uma das coisas mais americanas que existem.

Em certo momento, Wolff explica qual era a importância de Steve Bannon, que foi membro do Conselho de Segurança Nacional do governo Trump até abril de 2017.

“Simplesmente fazer tornou-se um princípio de Bannon, o antídoto generalizado para a resistência e para o tédio da burocracia do estabilishment. Foi o caos desses tipo de atitude que realmente levou as coisas a serem feitas”.

Na coletânia de artigos “Ocuppy – Movimentos de protesto que tomaram as ruas” (Ed. Boitempo), o filósofo e psicanalista Vladimir Safatle aponta:

“O pensamento, quando aparece, exige que toda a ação não efetiva pare, com o intuito de que o verdadeiro agir se manifeste. Nessas horas, entendemos como, muitas vezes, agimos para não pensar. Pensar de verdade significa pensar em sua radicalidade, utilizar a força crítica do pensamento. Quando a força crítica do pensamento começa a agir, todas as respostas se tornam possíveis e alternativas novas aparecem na mesa”.

A saída de Trump, mais que o não-pensamento, é o anti-pensamento. É o se manter em pé mesmo com uma bala na cabeça. A urgência do ato em oposição ao pensamento é a mentira de que não há outro modo de fazer as coisas.

Por isso a confiança em instituições e ideias pouco democráticas como a família, a igreja e a polícia. Por isso a oposição à política e a virtude nos gestores. Estados tem que ser gerenciados como empresas privadas.

Ao contrário do que disse Francis Fukuyama depois do fim da URSS: parece que a História vai começar outra vez.

Não se pode dizer que é um governo socialista, diz Raquel Varela sobre a geringonça portuguesa

O chanceler português Antonio da Costa com a ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet. Foto: Sebastian Rodriguez / Gobierno do Chile

Por Bruno Pavan

Parece que foi ontem, mas a crise de 2008 completará uma década ainda esse ano. Para muitos a crise foi a pior desde 1929. O que começou com empréstimos de alto risco sendo concedido a torto e a direito nos Estados Unidos devastou e economia de diversos países gerando crises econômicas e políticas sucessivas.

Um dos maiores atingidos por ela foi Portugal. Principalmente depois de 2010 o país foi devastado por altos índices de desemprego, aumento na taxa da pobreza, corte de serviços básicos e a utilização de dinheiro público para salvar empresas privadas.

A suposta saída foi apontada pela chamada Troika, grupo composto por Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia, é velha conhecida de quem viveu o Brasil dos anos 90: privatizações de empresas e serviços públicos, superávit na balança comercial e cortes no investimento público em prol do pagamento da dívida pública.

A historiadora portuguesa Raquel Varela explica que o remédio amargo da Troika focou, novamente, nos cortes contra os trabalhadores, que hoje trabalham com direitos cada vez mais precários. Enquanto os capitalistas concentram uma fatia cada vez maior da riqueza do país.

“O que a troika impôs foi uma dramática intensificação do trabalho. As pessoas trabalham mais horas com mais tarefas. Desde 2008 isso tem levado a um aumento enorme do desgaste dos trabalhadores, do absenteísmo no trabalho e dificuldades das pessoas em se concentrarem. Fora que as políticas impostas são péssimas do ponto de vista do desenvolvimento do país sobretudo a longo prazo, já que elas destroem os sistemas de educação e saúde públicos”, disse.

Nasce a geringonça

Nos anos 1990 as experiências neoliberais principalmente na América latina, foram traumáticas. Altíssimas taxas de desemprego e estados totalmente desmontados fizerma com que todo o continente tivesse uma guinada a esquerda nas eleições no final da década e começos dos anos 2000. De moderados como Lula, no Brasil, e Nestor Kirchner, na Argentina; até Hugo Chávez, na Venezuela; Evo Morales, na Bolívia e Rafael Correa, no Equador, que refundaram seus respectivos países com novas constituições.

Portugal vive hoje um momento parecido. Depois de governos de direita desde a crise econômica, hoje o país é governado pela chamada “Geringonça socialista”. O primeiro ministro Antonio da Costa, do Partido Socialista, precisou de uma coalizão tida como frágil da direita portuguesa, com o Bloco de Esquerda, o partido Comunista Português e os Verdes.

O sociólogo português Boaventura Sousa Santos, em entrevista à Folha de S. Paulo, disse que o único governo de esquerda a, de fato, governar à esquerda na Europa é o de Portugal

Varela não é tão otimista assim. Ela aponta que o apoio de certos setores da classe trabalhadora ao governo é por medo de que a direita volte ao poder, mas que o governo o PS não rompeu com as políticas neoliberais da Troika.

“Não se pode dizer que é um governo socialista, apesar do partido se chamar socialista. As privatizações não foram revertidas, manteve-se a degradação dos serviços públicos e o governo se recusou a alterar as leis liberais que a Troika implementou. Não é socialista porque o capital tem todo o espaço de acumulação. A geringonça não só salvou as ações privadas de três bancos como se orgulha de pagar juros antecipadamente ao FMI”, critica Varela.

Para ela, o bom momento econômico do país não permite que haja um avanço dos grupos chamados “eurocéticos”, ao contrário do que acontece em países como França e Itália. Mas que como o governo da geringonça não realizou mudanças econômicas profundas, em uma próxima crise a situação em Portugal pode se agravar ainda mais.

O que Yoani não conta

Dia de princesa na Casa Branca

Foto da AP: um dia de princesa na Casa Branca

Do Blog do Mello

Por que a blogueira Yoani Sanchez não denuncia greve de fome que está acontecendo agora em Cuba?

Prisioneiros em Cuba “estão em greve de fome há 43 dias em protesto contra o confisco de bens pessoais como fotografias, cartas e exemplares do Corão” … e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

A “ONG Centro de Direitos Constitucionais, baseada em Nova York, afirma que a greve de fome já alcança 130 dos 166” detentos em Cuba… e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

O antropólogo Mark Mason, especialista em fatores culturais causadores de sofrimento humano, em entrevista à rede russa RT declarou: “Mais da metade deles está livre de acusações. Eles deveriam estar na rua, saírem da prisão hoje mesmo”. No entanto, estão presos em Cuba, em greve de fome… e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

O mesmo antropólogo prosseguiu: “Eu não consigo descrever as condições horríveis, o tratamento e a humilhação que muitos desses detentos reportaram. Eles são obrigados a ficar em pé, sem roupas, em salas geladas por horas. Só isso já constitui estresse físico, é uma tortura psicológica indescritível”. E agora há a greve de fome… e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

Um dos prisioneiros relatou que “Eles realmente tentam de tudo para nos quebrar, incluindo tortura física e psicológica. Eu mesmo fui torturado com eletrochoques e waterboarding [simulação de afogamento]. Presenciei ainda crianças entre nove e 12 anos dentro dos campos. É muito difícil observar essas crianças sendo espancadas em minha frente”. Por isso muitos dos 133 detentos em Cuba estão em greve de fome desde o dia 6 de fevereiro… e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

Sabe por quê? Porque tudo isso está acontecendo na ilha de Cuba, mas não sob administração cubana. Tudo isso se passa na prisão de Guantánamo, na Base Naval dos Estados Unidos na Baía de Guantánamo, sob responsabilidade dos Estados Unidos da América.

Por isso Yoani Sanchez não fala nada. Também as Damas de Blanco estão silentes.

Yoani Sanchez não fala nada, e mais uma vez deixa cair a máscara e mostra a serviço de quem se encontra.

 

Fora do Foco:

Yoani esteve hoje na Casa Branca onde foi recebida por Ricardo Zuniga, assessor do presidente para assuntos da América Latina.

Obama não estava em casa…

Quantos jornalistas sul-americanos tem a mesma consideração da White House?