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Thatcher pra sempre será lembrada. Pobre Keynes…

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 Ô, Grécia… tamo junto Grécia… tamo junto…

Por Bruno Pavan

Sempre quando o mundo se vê na crise, vem sempre a velha receita: cortar gastos com programas sociais, demitir funcionários públicos e privatizar empresas estatais.

Chamado de neoliberalismo, esse regime teve em Margaret Thatcher um símbolo tão presente e ilustrativo que também é conhecido como Thatcherismo.

A dama de ferro faleceu hoje em Londres aos 87 anos.

Vítima de Alzheimer nos últimos anos, não sei se acompanhou a crise europeia com muita atenção.

Mas, onde quer que esteja agora, certamente ficou orgulhosa de uma outra mulher, também primeira-ministra de um grande país europeu: Angela Merkel.

O repórter Geneton Moraes contou uma curiosa história envolvendo a dama de ferro e Fernando Collor, mas que poderia ser de Merkel com qualquer líder europeu em crise.

Antes de tomar posse, Collor se encontrou com líderes mundiais pensando em como tirar o Brasil do buraco econômico que se encontrava.

A saída foi pedir condescendência dos países desenvolvidos com as dívidas dos emergentes.

A proposta era: pago 70% da dívida e os outros 30% são perdoados.

Thatcher finge que não escuta e pede para o presidente eleito repetir a “indecente” proposta. E, então, com a repetição de tudo como ela realmente pensou ter escutado, fulmina: “Não, não conte comigo nem com o governo britânico. Não! Não ! Não! Se o senhor deve 100, o senhor tem de pagar 100! Poderemos discutir como o senhor vai pagar, mas dever 100 e querer pagar 70, negativo! Comigo o senhor não conta!“

Aqui para ler a história na íntegra.

Imediatamente fiz um paralelo com a crise de hoje. A Grécia, companheira alemã no “sonho” da zona do euro, está atolada em dívidas.

“Vamos lá, senhores, entrem para o sonho do euro. Uma grande zona, com uma moeda única e forte. Tamo junto…”

E, como na ótima propaganda da Fiat, a cena muda e a Grécia (ou Espanha, ou Portugal, ou Irlanda, ou Chipre…) está sozinha com a caneca na mão.

Quer dinheiro? Tá aqui a receitinha: aumenta impostos (dos pobres), enxugue a máquina pública (demita e privatize) e aí, talvez, a gente te ajude.

Precisa de mais… hummmm… ah, já sei, você não tem umas ilhas aí dando sopa? Tem um xeque rico aí que precisa de mais espaço para suas três mulheres e 24 filhos, vende uma pra ele… que mal faz?

Thatcher se vai, mais a sua obra fica. Ao contrário do injustiçado Keynes, sempre ignorado nessas horas.

Às favas com o Estado!

PSDB propõe cortar pela metade FGTS das domésticas. Esse é o banho de povo do FHC

veja
nós x eles

Deu no G1:

O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), protocolou nesta quinta-feira (4) projeto de lei que estabelece um sistema simplificado de recolhimento dos encargos dos empregados domésticos através da criação do “microempregador doméstico” […]

O texto da PEC das Domésticas, que iguala os direitos dos empregados domésticos aos demais trabalhadores urbanos e rurais, foi publicado no “Diário Oficial da União” desta quarta-feira (3) e, com isso, nove direitos previstos na emenda já estão valendo. Outros sete ainda dependem de regulamentação.

A proposta do PSDB permite um documento único para o recolhimento mensal de contribuição para a Seguridade Social e para o Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS). Também reduz o percentual que o empregador terá que pagar em FGTS para as domésticas, que passaria de 8% para 4%, taxa incidente sobre o valor do salário registrado na carteira de trabalho.

Já a contribuição para a Seguridade Social será, pela proposta, de 8%, sendo 5% pago pelo empregador e 3% retido e recolhido do salário do empregado doméstico segurado. O projeto também exclui o pagamento de 40% do FGTS para empregado demitido sem justa causa.

Sampaio argumenta que a redução e simplificação de encargos são necessárias já que “a relação de trabalho entre empregador e domésticas é diferente da relação entre empresa e trabalhador”.

Saindo do Foco:

Por Murilo Silva

Eis que a falange pela família já cruzou os portais de Vilaboim!

A PEC que é revolucionária justamente por dar direitos IGUAIS a trabalhadores que historicamente só mereceram a indiferença, enfrenta seu primeiro ataque frontal.

Ataque de uma classe média que não compreende seu novo papel dentro de uma sociedade mais igualitária.

A Organização Internacional do Trabalho, que revelou em estudo recente que o Brasil tem 7,2 milhões de empregados domésticos – o dobro da soma dos países ricos – elogiou a PEC das Domésticas.

Segundo a OIT, o Brasil da exemplo ao mundo.

É comovente a preocupação do deputado Carlos Sampaio com os empregos das domésticas.

É comovente…

O que ele não entende é que, como disse Delfim, a doméstica virou manicure, foi para o call-center…

Ela não vai mais lavar o banheiro da casa do patrão.

Em último caso, ela vai lavar o banheiro do escritório, e vai ganhar 8% de FGTS como todo trabalhador, e não os 4% sugeridos pelo ilustre deputado Sampaio.

A proposta do PSDB e sinônimo de um partido dominado pelos “gênios” dos juros altos.

Aqueles, que como disse Delfim: “querem que a empregada doméstica que hoje usa sabonete Dove volte a usar sabão de coco.”

É um “processo civilizatório”, diz Delfim.

Não é socialismo,

Não é populismo,

Não é nem esquerdismo,

A PEC das domésticas é capitalismo, estúpido!

Em tempo: desse jeito, em vez de “banho de povo”, o PSDB vai levar um banho do povo. Outro…

Cada emprego gerado pela indústria automobilística custou 103 mil a União

Capitalismo tupiniquim:

Números de Toledo. Veja o vídeo:

 

Sem título
Toledo: um jornalista bom de conta

Por Murilo Silva

Por que o governo brasileiro é refém da indústria automotiva?

Não seria o caso de mandar a Volkswagen  a Ford, a GM e a Fiat irem vender carro em Atenas, Madri, Roma, Paris ou até mesmo Detroit?

Por que um mercado de possibilidades tão extraordinárias como o mercado brasileiro tem de oferecer tantas bondades para a indústria automotiva?

Por que os investimentos desse setor são tão sensíveis no aqui?

Falta capitalismo no Brasil.

spread do carro no Brasil é um dos maiores do mundo.

Quer vender mais? Por que não abaixa o preço?

 

Governo coloca inteligência atrás dos portos. Vai achar o Dantas?

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guerra dos portos

Deu no Estadão:

BRASÍLIA – O Palácio do Planalto montou uma operação para monitorar a movimentação sindical no Porto de Suape, em Pernambuco, principal ponto de tensão entre a presidente Dilma Rousseff e o governador Eduardo Campos (PSB). Coordenada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e executada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a ação teve início há cerca de um mês.

Possível candidato à Presidência da República no ano que vem, Campos lidera o movimento opositor à medida provisória dos Portos, que, entre outras mudanças, retira a autonomia dos Estados de licitar novos terminais de carga. O governador pernambucano tem realizado uma série de reuniões com sindicalistas. Na pauta dos trabalhadores está, inclusive, a possibilidade de uma greve geral contra a medida.

A operação classificada como “Gerenciamento de Risco” foi desencadeada no Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) e tem como foco justamente essa possível greve geral.

Saindo do Foco:

Por Murilo Silva,

Não é de hoje que Eduardo Campos tem andado com más companhias.

Um sinistro embaixador na FIESP, Flávio Rocha, da Riachuelo – veja aqui a história do moço.

José Serra, com quem diz ter muitas afinidades.

E Paulinho da Força – ou da Farsa – apelidado por Paulo Henrique Amorim como Pauzinho do Dantas.

Mas o que tem Daniel Dantas com isso? – pergunta o caro colaborador.

Daniel Dantas, convidado de honra no banquete da Privataria Tucana – fez-se dono da Santos Brasil, maior terminal portuário do país.

Daniel Dantas é portanto contra a abertura dos portos promovida pelo governo da presidente Dilma.

A medida visa criar concorrência com os terminais públicos.

Quando o governo FHC privatizou os portos, ele o fez de uma maneiro sui generis. 

O porto passou a ser explorado pela iniciativa privada, porem, o monopólio sobre o serviço permaneceu. Só um porto público, concedido ou não a iniciativa privada, pode escoar carga de terceiros no Brasil.

É um meio liberalismo, entente?

Você entrega o porto para iniciativa privada, mas protege o comprador do porto da concorrência.

Você combate o monopólio público – “danoso ao país” – e coloca um monopólio privado no lugar.

Foi assim com as teles, com as empresas elétricas, com a mineração e siderurgia – e em TODOS, TODOS esses processos, Daniel Dantas se fez presente. Esse é o legado de FHC.

Pois bem, a presidente Dilma tomou uma decisão: vai abrir os portos e destravar de vez os gargalos da exportação.

Desde então, a Força Sindical, sobre a inspiração intelectual de Dantas, vem mobilizando os trabalhadores portuários contra a medida.

Muito embora Dilma tenha afirmado na ocasião da proposta que: “Abrir os portos não significa tirar um, um ou meio ou um milímetro de direito do trabalhador portuário. Pelo contrário, nós mantivemos intacta a forma pela qual esses direitos foram garantidos”.

Abrir os portos significa liberar a concorrência. O sujeito tem a grana, vai lá e faz um porto. Feito o porto ele pode escoar produção de terceiros a vontade, desde que respeite as leis de mercado. Não pode haver favorecimento entre carga própria e de terceiros.

Um navio chinês chegou a ser ocupado pelos trabalhadores de Santos.

A questão ganhou contorno de guerra, já que Dilma não esta sozinha nessa empreitada.

Empresários de alto calibre – Eike Batista e Emilio Odebrecht – são os principais interessados na abertura dos portos.

A CUT também se posicionou ao lado do governo. Vagner Freitas, presidente da Central Unica dos Trabalhadores, foi fundamental para conter a greve em Santos.

Agora, a arena esta posta.

Dilma, seguida por Eike Batista e Emilio Odebrecht no campo empresarial e a CUT no campo sindical.

Contra Dantas, Paulinho da Força – ou da Farsa – e… Eduardo Campos.

O relato de Alana Rizzo do Estadão mostra que o governo esta de olho…

Em tempo: O governo desmentiu a matéria de Alana Rizzo, mas, nesse caso, ninguém esperava algo diferente do governo. Guerra é guerra.

Pobre agora come carne. Açougue no alemão fatura 250 mil por mês

Deu na Folha:

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novo Alemão

 

O açougue de Manuel Novais, 56, atende diariamente 500 pessoas, em média, na principal e movimentada rua de acesso a Nova Brasília, uma das 13 favelas do Complexo do Alemão. Por mês, o faturamento do comerciante é superior a R$ 250 mil.

A prosperidade nas vendas de Novais sinaliza a boa fase dos negócios em comunidades de baixa renda localizadas na cidade do Rio.

O aumento do consumo reforçou os investimentos de microempresários, muitas vezes impulsionados pelos empréstimos concedidos por bancos com representantes em favelas.

“Do ponto de vista do consumo, há uma revolução em andamento nas comunidades do Rio”, afirma Renato Meirelles, diretor do instituto Data Popular, especializado no setor de baixa renda.

É possível perceber a transformação pelo histórico da Caixa Econômica. Até 2010, as linhas de crédito para pequenos empreendedores, incluindo os informais, eram inexploradas pelo banco estatal nas favelas cariocas.

Em novembro do mesmo ano, com a ocupação policial do Complexo do Alemão, o banco passou a atender esse segmento. Encerrou 2011 com a concessão de 400 microcréditos. No ano passado, o número saltou para 2.000. A projeção para 2013 é alcançar a marca de 3.500 linhas de crédito concedidas.

“Percebemos que a procura pelo microcrédito dobra a cada seis meses”, afirma Tarcísio Luiz Dalvi, superintendente regional da Caixa, que coordena o atendimento às favelas da zona norte.

Saindo do Foco:

Por Murilo Silva

Os números de empreendedores que nasceram do “Bolsa Esmola” são impressionantes, meu bom reaça.

Só em 2011 o Sebrae investiu 180 milhões de reais na formação de micro-empreendedores.

Esse dinheiro, além criar uma massa de consumo nos antigos bolsões de pobreza, cria um comércio forte e pujante, negócios prósperos como o açougue de dona Manuela.

São mais de 102 mil Microempreendedores Individuais no Bolsa Família, meu bom reaça.

É a porta de saída.

O Bolsa Família, quem diria, é um choque de capitalismo.

Se esse modesto editor tivesse dinheiro para investir, fugiria de Eike Batista e buscaria sociedade com dona Manuela.

 

Bernardo prepara a 2ª privatização das Teles

FHC e bernardo

O coletivo Intervozes e a ONG de defesa ao direito do consumidor PROTESTE estão encampando uma briga contra a cessão dos chamados “bens reversíveis” às Teles.

O governo pretende passar paras as operadoras de telefonia a propriedade definitiva sobre esses bens. Em troca, o governo quer mais investimentos na criação de centros de acesso à banda larga.

Em 1998, durante o leilão que privatizou o sistema telefônico brasileiro, o Estado manteve parte do patrimônio – móvel e imóvel – indispensável a prestação de serviço telecomunicação.

As concepcionárias adquiriram o direito de uso dessa infraestrutura, e não de propriedade.

Segundo relatório de 2012 da ANATEL, os bens conversíveis em poder das Teles somam uma lista de mais de 8 milhões de itens totalizando um valor de mercado superior à 108 bilhões de reais.

Uma mixaria…

Veja o relatório da Anatel:

http://www.anatel.gov.br/Portal/verificaDocumentos/documento.asp?numeroPublicacao=284382&assuntoPublicacao=Relat%F3rio%20RBR%20ano%20base%202011&caminhoRel=In%EDcio-Biblioteca-Apresenta%E7%E3o&filtro=1&documentoPath=284382.pdf


Para se ter uma ideia deste patrimônio, o leilão do sistema Telebras, o maior da história do País, arrecadou na época 22 bilhões de reais.

Os bens reversíveis devem voltar ao poder público para seu uso e fruto em 2025, quando termina o contrato de concessão das Teles.

Ao fim do contrato, o Estado terá o direito de dispor desses recursos como quiser, inclusive para conseguir condições melhores na negociação de renovação dos contratos.

Como se sabe, a privatização da telefonia no Brasil se deu no “limite da irresponsabilidade”.

O leilão de 1998 se consolidou por uma venda com pouco capital privado e muito incentivo público, principalmente do BNDES.

A maior empresa vendida naquele 29 de junho, na Bolsa de Valores do Rio, foi a Tele Norte Leste, arrematada pelo consórcio Telemar.

Um dia depois, o governo percebeu o óbvio. O grupo formado por empresários brasileiros não tinha grana.

O grupo comandado por Sérgio Andrade e Carlos Jereissati havia deixado a carteira em casa.

Lá entrou o BNDES como sócio, para impedir que todo o processo fosse anulado – como rezava o edital – salvando assim o que ficou conhecido como Tele-gangue.

Outro beneficiado com o processo foi o banqueiro Daniel Dantas.

(Aliás, este post se felicita por dar as boas vindas a este ilustre brasileiro aqui no “Fora de Foco”. Seja bem vindo D.D. ! Inclua-nos no seu menu. Mas cuidado, leia com moderação.)

Seguido ao leilão, gravações feitas a partir dos telefones do BNDES no Rio de Janeiro, mostravam uma concertação do governo para beneficiar o consórcio comandado pelo banqueiro baiano-carioca – que também atende pela alcunha de orelhudo.

Os “grampos do BNDES” marcaram o governo FHC. Não resistiram ao episódio: o Ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros; do Presidente do BNDES, André Lara Resende; e o lendário diretor de negócios internacionais do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira.

Voltando a vaca fria, a própria existência dos bens conversíveis é um escandá-lo.

Muito desses bens são: orelhões; torres de transmissão, quilômetros e quilômetros de fios e cabos, estações telefônicas e etc. São equipamentos que estarão ultrapassados até 2025.

O fato desse patrimônio ser público, e ser disponibilizado sem custo algum as concessionárias, desestimula as empresas a investirem na modernização de equipamentos.

Por esse e por outros tantos motivos, o leilão de 1998 culminou com um dos piores serviços de telefonia do mundo e com a patranha da BrOi.

A fusão da Brasil Telecom com a Oi.

A a super Tele-Gangue, que rendeu 1 bilhão de reais a Daniel Dantas, (volto a frisar, uma referência intelectual deste blog).

Agora, a PROTESTE e o Intervozes denunciam a proposta do ministério das Comunicações de entregar os bens reversíveis às Teles em troca de metas de investimento.

O que significa entregar um mega patrimônio público para que empresas privadas invistam em si mesmas.

O Governo alega que este seria um bom negócio, justamente porque o patrimônio estaria todo sucateado até 2025.

Contudo, a teoria não se aplica muito bem a realidade. Grande parte desta lista de 8 milhões de itens corresponde a prédios, terrenos, contratos de concessão de serviços e até obras de arte.

Veja a nota da PROTESTE, que já enviou o caso ao MPF e ao TCU:

http://www.proteste.org.br/nt/nc/press-release/proteste-contra-troca-dos-bens-reversiveis-por-investimentos-das-teles