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Nem um dia depois da aprovação da reforma da Previdência na Câmara, agência de risco diz que só ela não basta para o Brasil

Do G1:

Mesmo assim, a reforma do sistema de aposentadorias sozinha não será suficiente para recolocar a economia do país de imediato na trilha da recuperação, disse analista líder da Moody’s para o Brasil.

A menos de um ano e meio das eleições municipais, Congresso tira Estados e Municípios da Reforma da Previdência

Assembleias Legislativas Estaduais e Câmaras Municipais terão que votar as suas reformas separadamente

Por Bruno Pavan

Um dos principais pontos da Reforma da Previdência foi esclarecido nesta terça-feira. De acordo com o texto do relator da proposta Samuel Moreira (PSDB-SP) servidores municipais e estaduais estão fora do texto que será votado em Brasília.

O desejo de governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores era não ter esse ônus e deixar que Brasília os incluísse no texto.

Com as eleições municipais a menos de um ano e meio de acontecer, prefeitos e vereadores terão de dar a cara a tapa, encarar seus eleitores e protestos em suas cidades.

Leia matéria do UOL:

Estados e municípios ficam fora de parecer sobre reforma da Previdência, mostra voto

Acordo entre União Europeia e Mercosul vai mexer no nosso queijo

Texto do acordo ainda não foi publicado e terá que ser aprovado pelo Congresso nacional, mas a indústria tem que ficar de olho

Por Bruno Pavan

Na semana passada, durante o encontro do G20, todos foram pegos de surpresa com a confirmação do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. Em discussão desde 1999, o acordo indiscutivelmente dá novo gás ao Mercosul e também vem em boa hora para a UE, precisando expandir suas fronteiras.

Vitória do globalismo pois, tão atacado pelo chanceler Ernesto Araújo. 

Falando diretamente para  seu bolso, o acordo poderá fazer com qu produtos europeus cheguem por aqui mais baratos. Desde carros até vinhos, queijos e macarrão. Seu petit comitê regado a vinhos e queijos no fim de semana pode ficar mais barato. 

É preciso, no entanto, ver essa questão por um outro patamar. O da indústria nacional. 

Peguemos, por exemplo, a indústria queijeira. Ela movimenta R$ 22 bilhões por ano no Brasil. Os produtores vão desde gigantes como a Itambé até produtores artesanais. O estado de Minas Gerais é responsável por 25% da produção brasileira. A produção artesanal é a saída da crise para muitas famílias.

Leia aqui o especial do G1 sobre o assunto.

Uma das grandes questões que o congresso terá que se debruçar nos próximos anos e a do queijo parmesão. A itambé, por exemplo, vende queijo parmesão. Acontece que o queijo parmesão original é produzido na Itália, nas regiões da Emília- Romanha e Lombardia. Eles seguem uma série de regras para ostentar o DOP – Denominação de Ordem Protegida. Ou seja, se o parmesão italiano vier pra cá custando menos, quem perde é a indústria nacional, que não vai mais poder colocar “parmesão” em sua embalagem. Fora que, a variedade de queijos italianos e franceses disponíveis obviamente vai prejudicar o comércio do queijo artesanal do pequeno produtor.

Algo parecido acontecerá com o vinho. Com a bebida francesa e italiana chegando mais barata ao país, os produtores nacionais vão continuar vendendo o que vendem hoje?

O que será que as federações das indústria pelo país, tão mobilizadas pelo impeachment da ex-presidenta Dilma  tão simpática a agenda do ministro Paulo Guedes vão fazer diante desse risco? Esse blog tem uma singela e simpática ideia: um queijo inflável e campanha “não mexam no meu queijo”.              

Bolsonaro se isola no radicalismo

Por Bruno Pavan

Não é fácil analisar o que aconteceu nesse último domingo (26) pelas ruas de mais de 150 cidades do país. Manifestações a favor do governo de Jair Bolsonaro foram convocadas para defender um governo que já começa capenga.

(Os agentes do mercado, ao que parece, já estão pulando fora)

As manifestações não foram um fracasso. Nem um sucesso. O governo conseguiu tirar gente de casa num domingo ensolarado mesmo que em menor número que os estudantes e professores saíram no último dia 15 em defesa da educação pública. Mas não conseguiu agregar ninguém fora dos 30% que consideram o governo ótimo ou bom.

Ele ficou no radicalismo.

Nem todos os eleitores de Bolsonaro fazem parte desse núcleo duro que está com ele desde que ganhou notoriedade nos tempos de CQC. Alguns votaram apenas para tirar o PT. Outros confiando que a economia iria melhorar. Os primeiros, que vêem comunistas debaixo da cama, continuam apoiando o capitão-presidente. Já o outro grupo não.

Nesse aspecto, a manifestação do dia 15 conseguiu furar a bolha. Os verde-e-amarelos, não.

Mas há algo mais para se analisar nesse debate: o apoio, não ao presidente, mas aos ministros Sergio Moro e Paulo Guedes.

A Folha de S.Paulo, malandramente, como diz o funk, omitiu o nome do presidente na principal manchete dessa segunda-feira (27). “Atos apoiam Guedes e Moro e criticam Maia e Centrão”. Omite o presidente, que entre outras barbaridades chama os estudantes e professores nas ruas de “idiotas úteis”, e foca nos “cheirosos”.

O Valor publica uma pesquisa, coordenada pelo professor da USP Pablo Ortellado, em que aponta que 75% dos manifestantes em São Paulo foram às ruas em favor da reforma da previdência. Sem uma pesquisa que diz quem são esses manifestantes, idade, cor da pele e classe social, isso não significa muita coisa.

A tentativa da imprensa é clara: descolar Guedes e Moro de Bolsonaro. O primeiro pois defendê-lo é defender a “necessária”, na visão da maioria da grande imprensa, reforma da previdência. O segundo é defender o “legado da Lava Jato”.

Por último mas não menos importante, as manifestações não ajudaram em nada na melhoria da relação do governo com o Congresso Nacional.   

Obs: aqui dados completos da pesquisa completa de Ortellado em que mostra que 65% dos manifestantes eram homens; 78% acima dos 35 anos; 66% brancos e 54% recebem mais de cinco salários mínimos.