Arquivo da categoria: Brasil

Moro (e não o hacker) vaza investigação da PF para Bolsonaro

Investigação sobre os laranjas do PSL, que corre em sigilo, foi parar na mão do presidente 

Da Folha
“Ele [Moro] mandou a cópia do que foi investigado pela Polícia Federal pra mim. Mandei um assessor ler porque não tive tempo de ler”, disse o presidente

Moro vazou para Bolsonaro

Presidente disse que ministro lhe deu cópia de investigação da PF, mas ela está em segredo

 

Marcelo Tas e o perigo do verniz pseudoisento

Jornalista, que abriu as portas do CQC para Jair Bolsonaro, critica metodologia do Intercept na Vaza Jato 

Por Bruno Pavan

O Jornalista Marcelo Tas, atual apresentador do programa Provocações, da TV Cultura, disse em entrevista ao programa Pânico, na rádio Jovem Pan, que Jair Bolsonaro “divide o país assim como o PT dividiu”.

O discurso não é novo, mas é cada vez mais raro que, mesmo depois do início do governo Bolsonaro, figuras com algum bom senso possam embarcar nessa falácia. Pra ficar no exemplo mais famoso, o presidente, ainda quando era deputado, elogiou em rede nacional o general Carlos Alberto Brilhante Ustra, quando deu seu voto favorável ao impeachment de Dilma Rousseff. Fora que seu filho e deputado federal Eduardo Bolsonaro já ameaçou o poder judiciário dizendo que bastava um cabo e um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da justiça brasileira.

Alguns jornalistas já sentiram na pele que Bolsonaro e PT não são “duas faces da mesma moeda”. A âncora Rachel Sheherazade sempre foi um grande símbolo do conservadorismo brasileiro, inclusive defendendo que uma criança suspeita de cometer um delito fosse amarrada num poste. Nunca, pelo que se saiba, correu risco de perder emprego durante os governos PT. Em menos de seis meses de governo, Luciano Hang, um dos mais importantes bolsonaristas do país e dono das Lojas Havan, pediu a cabeça da apresentadora ao dono do SBT Silvio Santos. 

O discurso de Tas é perigoso porque vem com um verniz falso de isenção. Não tem coragem de defender abertamente o governo, como faz figuras da própria Jovem Pan, mas também não quer se misturar com a oposição a esquerda. Por ser quem é, o jornalista dá uma seriedade a essa falsa simetria. 

O jornalista também desconfiou da metodologia do site The Intercept Brasil sobre a Vaza Jato e de seu editor Gleen Greenwald.

“Estão sendo jogados dados no ventilador sem contexto, e o jornalismo existe para dar contexto. Esse jornalismo a conta-gotas eu conheço, não é legal. Eu sou a favor da liberdade de imprensa, acho legítimo que o Glenn [Greenwald, do The Intercept] publique as informações. O que não dá é para fazer essa técnica Netflix, isso não é jornalismo”, disse.

O que me espanta nessa fala é recordar como o CQC, programa que Tas comandou por anos, foi o principal responsável pela popularização do discurso de Jair Bolsonaro ao dar palco quase semanalmente para seu discurso racista, homofóbico e autoritário. O programa não “jogava a fala de Bolsonaro no ventilador, sem contexto”?   

Em sua época de participação em programas infantis, Tas fazia o personagem Telekid, no Castelo Rá-Tim-Bum. Ele respondia as dúvidas do curioso menino Zequinha sempre começando sempre dizendo que “porque sim não é resposta” e terminando com “entenderam o por quê?” O grande problema é que ao contrário de Zequinha, que genuinamente queria saber o porquê das coisas, Tas não parece ter essa curiosidade infantil dentro dele. 

 
Ouça a edição do Podcast do Fora de Foco 17: “Bolsonaro e o auditório”

PSL tenta impedir CPI das Fake News. Por quê?

Do Congresso em Foco

O vice-líder do PSL na Câmara Filipe Barros (PR) entrou com mandado de segurança nesta quarta-feira (3) no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a instalação da CPI mista das Fake News, determinada na última tarde pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

O pedido de criação da CPI foi apoiado por parlamentares de vários partidos, do PT ao próprio PSL, por motivos diferentes.

(…)

A menos de um ano e meio das eleições municipais, Congresso tira Estados e Municípios da Reforma da Previdência

Assembleias Legislativas Estaduais e Câmaras Municipais terão que votar as suas reformas separadamente

Por Bruno Pavan

Um dos principais pontos da Reforma da Previdência foi esclarecido nesta terça-feira. De acordo com o texto do relator da proposta Samuel Moreira (PSDB-SP) servidores municipais e estaduais estão fora do texto que será votado em Brasília.

O desejo de governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores era não ter esse ônus e deixar que Brasília os incluísse no texto.

Com as eleições municipais a menos de um ano e meio de acontecer, prefeitos e vereadores terão de dar a cara a tapa, encarar seus eleitores e protestos em suas cidades.

Leia matéria do UOL:

Estados e municípios ficam fora de parecer sobre reforma da Previdência, mostra voto

Acordo entre União Europeia e Mercosul vai mexer no nosso queijo

Texto do acordo ainda não foi publicado e terá que ser aprovado pelo Congresso nacional, mas a indústria tem que ficar de olho

Por Bruno Pavan

Na semana passada, durante o encontro do G20, todos foram pegos de surpresa com a confirmação do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. Em discussão desde 1999, o acordo indiscutivelmente dá novo gás ao Mercosul e também vem em boa hora para a UE, precisando expandir suas fronteiras.

Vitória do globalismo pois, tão atacado pelo chanceler Ernesto Araújo. 

Falando diretamente para  seu bolso, o acordo poderá fazer com qu produtos europeus cheguem por aqui mais baratos. Desde carros até vinhos, queijos e macarrão. Seu petit comitê regado a vinhos e queijos no fim de semana pode ficar mais barato. 

É preciso, no entanto, ver essa questão por um outro patamar. O da indústria nacional. 

Peguemos, por exemplo, a indústria queijeira. Ela movimenta R$ 22 bilhões por ano no Brasil. Os produtores vão desde gigantes como a Itambé até produtores artesanais. O estado de Minas Gerais é responsável por 25% da produção brasileira. A produção artesanal é a saída da crise para muitas famílias.

Leia aqui o especial do G1 sobre o assunto.

Uma das grandes questões que o congresso terá que se debruçar nos próximos anos e a do queijo parmesão. A itambé, por exemplo, vende queijo parmesão. Acontece que o queijo parmesão original é produzido na Itália, nas regiões da Emília- Romanha e Lombardia. Eles seguem uma série de regras para ostentar o DOP – Denominação de Ordem Protegida. Ou seja, se o parmesão italiano vier pra cá custando menos, quem perde é a indústria nacional, que não vai mais poder colocar “parmesão” em sua embalagem. Fora que, a variedade de queijos italianos e franceses disponíveis obviamente vai prejudicar o comércio do queijo artesanal do pequeno produtor.

Algo parecido acontecerá com o vinho. Com a bebida francesa e italiana chegando mais barata ao país, os produtores nacionais vão continuar vendendo o que vendem hoje?

O que será que as federações das indústria pelo país, tão mobilizadas pelo impeachment da ex-presidenta Dilma  tão simpática a agenda do ministro Paulo Guedes vão fazer diante desse risco? Esse blog tem uma singela e simpática ideia: um queijo inflável e campanha “não mexam no meu queijo”.              

Na crise permanente do governo, Carlos Bolsonaro entra (mais uma vez) em atrito com General Heleno

Vereador e filho do presidente comenta vídeo em que jornalista acusa GSI e FAB de serem cúmplices de sargento que levou 39kg de cocaína em avião presidencial.

Da Folha

Carlos Bolsonaro ataca general Heleno e cria novo atrito com militares

Filho do presidente faz ilações sobre falha do GSI no episódio do voo com cocaína

 

Veja tuíte de Carlos:

“Divino amor” é episódio de Black Mirror sobre o Brasil cristofascista

Filme mostra Brasil de 2027, dominado pelos fundamentalistas

Por Bruno Pavan

Aposto que você já ouviu falar em Black Mirror. A série, que já viveu dias melhores, que mostra um futuro assustador unindo o pregressos tecnológico com pautas morais. Uma espécie de ficção científica comportamental. 

Um dos maiores méritos da série é mostrar que não existe avanço da tecnologia neutra. Ela sempre está a serviço de alguém (geralmente um grande corporação que pode pagar pela sua implementação).

Divino Amor (2019, Gabriel Mascaro) alia as inovações tenológicas, sendo a maioria delas relacionada a privacidade, com um Estado cada vez teocrático, fazendo assim uma espécie de Black Mirror Brasileiro.   

A protagonista do filme é Joana (Dira Paes) que trabalha em um cartório. Evangélica praticante, Joana trabalha na área de divórcios e, quase sempre, extrapola as suas funções para convencer casais a se manterem juntos e os convidando a participar de uma reunião (nada ortodoxa) da Igreja do Amor Supremo, da qual faz parte. 

Um ponto que merece ser chamado a atenção é como a personagem busca influenciar a burocacia com sua visão religiosa. Ao passo de travar com seu chefe um diálogo quandoe ele a questiona sobre sua atuação um pouco mais, digamos, “alternativa”. Suas resposta é que ela pratica uma burocracia mais humana. Ao que seu chefe replica que “burocracia humana é privilégio”. 

Não há como não lembrar do projeto do “liberal” vereador Fernando Holiday (DEM) que que propõe “internação psiquátrica” para a gestante que tiver “propensão ao aborto”.

“A mulher passaria obrigatoriamente por atendimento psicológico para dissuadi-la da ideia de realizar o aborto e por um exame de imagem e som ‘que demonstre a existência de órgãos vitais, funções vitais e batimentos cardíacos’ além de uma ‘explicação sobre os atos de destruição, fatiamento e succção do feto”, diz o projeto de lei. 

Ao SUS deveria caber a realização do aborto seguro quando permitido no Brasil e não uma sessão de tortura para a gestante. À trabalhadora do cartório cabe dar o divórcio e não fazer o casal se reatar.  

A grande reviravolta da história acontece quando Joana consegui, enfim, engravidar do marido Danilo (Júlio Machado). Mas eu não estou aqui pra dar Spoiler então, trate de ir ver o filme!!!  

Apesar de abordar tanta coisa, Divino Amor não é um filme cabeçudo. As questões são tocadas com bastante objetividade, deixando clara as hipocrisias dessa nova sociedade, mas sem dar nada mastigado pra não chamar o espectador de bobo.  

Com manifestações esvaziadas, MBL é hostilizado pela direita bolsonarista

Movimento foi um dos maiores entusiastas das manifestações deste domingo (30) em apoio a Sergio Moro

Por Bruno Pavan

Movimento Brasil Livre saiu derrotado das ruas neste domingo após as manifestações em apoio ao ex-juiz e atual Ministro Sergio Moro depois do escândalo da Vaza Jato, revelado pelo site The Intercept Brasil.

As mobilizações foram menores  que as registradas tanto contra o governo (dias 15 e 30 ) quanto a favor (26 ). Nenhuma delas teve participação do movimento na organização. 

Além disso, em São Paulo e no Rio de Janeiro eles foram até mesmo hostilizados da própria mobilização que ajudou a organizar. Eles soltaram até mesmo uma nota oficial lamentando os episódios. 

Como esse blog já havia adiantado, as mobilizações seriam uma queda de braço entre a direita brasileira. Hoje, os conservadores mais aguerridos no apoio ao governo mostraram que estão mais mobilizados.

Leia artigo publicado aqui no dia 28 http://bit.ly/QuedadeBracoDireita

QUEDA DE BRAÇO DA DIREITA NAS RUAS

 

Protesto marcado para esse domingo, por quento, não conta com o entusiasmo de quem foi pras ruas no último dia 26

Por Bruno Pavan

Você sabia que no próximo domingo (30) terão protestos pelo Brasil? É isso mesmo, o Movimento Brasil Livre (MBL) que foi chamado de “tonto” pelo ex-juiz e atual Ministro Sergio Moro em uma das mensagens vazadas pelo The Intercept, está organizando um ato em favor da operação. 

Se você não viu nada em lugar nenhum, fique tranquilo, você teria mesmo que se esforçar muito pra isso. 

Diferente da manifestação do último dia 26 de maio, de apoio ao governo, o MBL, que foi o maior mobilizador das multidões que foram as ruas contra a ex-presidenta Dilma Rousseff e o PT, tem tido dificuldades para se comunicar dessa vez. O fato deles terem ficado de fora do primeiro protesto, gerando a acusação de serem comunistas por simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro, pode ter prejudicado o sucesso dos atos.

Ao contrário dos protestos do mês passado, quando disse que iria e não foi, mas o fez ficar em voga durante toda a semana na imprensa, Bolsonaro está no Japão uma hora dessas, na cúpula do G20, e, apesar de também ter passado vergonha e querendo vender bijuterias de nióbio, conseguiu fechar o acordo da União Europeia com o Mercosul.

O maior homenageado nem no Brasil está. O Ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro está numa misteriosa viagem (ele não tem nem agenda oficial) aos Estados Unidos bem na semana que iria se explicar na Câmara dos Deputados.

O editor chefe do The Intercept Brasil Gleen Greenwald não fugiu a foi a Câmara nesta semana. Diante de um shoe de homofobia, onde deputados tinham uma dificuldade latente em chamar seu Marido, o também deputado David Miranda de MARIDO, ele disse para o deputada Carla Zambelli que ela iria se arrepender de pedir para ouvir os áudios das conversas de Moro (ainda não publicados). 

Mas o principal fator do futuro fracasso das manifestações aconteceu na última terça-feira (25) quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por deixar o ex-presidente Lula preso até, pelo menos, agosto. 

Como numa reviravolta em um roteiro pacato e modorrento de um filme de herói, seria muito mais saudável à manifestação de domingo se Lula fosse solto. Os pixulecos se encheriam de ar novamente e as pessoas estariam motivadas a retornar às ruas, menos de um mês depois da última manifestação. 

A verdade hoje é que a Lava Jato está nas mãos da direita e extrema-direita do país. Desde que Moro aceitou ser ministro de Bolsonaro, quem a defendia por ser apartidária já ficou com uma pulga atrás da orelha. Ainda assim, Moro é o ministro mais popular do governo Bolsonaro, o que reforça a tese de ter virado um personagem da extrema direita brasileira.

O colunista da Folha de S. Paulo Celso Rocha de Barros, em coluna no último dia 24/06, apontou que “a Vaza Jato torna mais fácil para o Presidente da República fazer o que sempre quis fazer com o ministro da Justiça: reduzi-lo a um tamanho que ainda faça bela figura em seu ministério sem, entretanto, tornar-se um rival na eleição presidencial de 2022.”

(Opinião parecida com a desse blog aqui )

Por fim, o próximo domingo vai mostrar a força de uma direita que quer se afastar do governo Jair Bolsonaro. O MBL preferiu ficar de fora dos protestos do dia 26 de maio, que não foram um estrondoso sucesso, mas também não foram um fracasso. Eles agora estão na linha de frente de uma outra mobilização e querem marcar território na defesa da Lava Jato. Se não conseguir levar milhões às ruas, perdem a musculatura.