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Para o “Novo”, Brasil deve combater a pobreza e não a desigualdade de renda. Por que isso não faz sentido?

Na manhã desta segunda-feira (11) o economista, engenheiro, palestrante e pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República João Amoêdo, tuitou que o grande problema brasileiro não é a desigualdade de renda mas, sim, a pobreza.

O que queremos: combater a pobreza e não necessariamente a desigualdade. Somos, felizmente, diferentes por natureza.
O combate à pobreza de faz com o crescimento e com a criação de riqueza, e não com a sua distribuição.

Abaixo, um vídeo do professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP Vladimir Safatle, no evento da Revista Cult “o que foi feito?” que explica a incoerência desse discurso em um país como o Brasil.

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Jessé Souza e a “esquerda Oslo” brasileira

O sociólogo e professor da UFABC Jessé Souza lançou seu novo livro “A elite do atraso – Da escravidão à Lava Jato” na última terça-feira (31) na livraria Tapera Taperá em São Paulo.

Em certa parte de sua fala ele explica o que é a “esquerda Oslo” brasileira. Trata-se da parcela da classe média progressista e liberal, mas que encara os problemas sociais como se fossem escandinávos.

Assista o vídeo abaixo:

Esquerda precisa lutar contra o neototalitarismo, o populismo e o adesismo, diz Ruy Fausto

Ocorreu na última terça-feira (9) no livraria Martins Fontes em São Paulo o debate sobre o livro “Caminhos da esquerda”, do professor emérito da USP Ruy Fausto, lançado pela Companhia das Letras. O evento também contou com a presença do deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ).

Foram discutidos muitos pontos como quando aconteceu a crise da esquerda no Brasil e no mundo e o que será preciso fazer para a reorganização do campo progressista após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. Ou seja, como diz o próprio título do livro de Fausto, os caminhos da esquerda.

Para Fausto há três “doenças” principais da esquerda. O neo-totalitarismo, o populismo ou o patrimonialismo e o adesismo.

O neo totalitarismo, para Fausto, mora em manifestações de apoio a pensadores ortodoxos como o filósofo italiano Domênico Losurdo, que esteve no Brasil recentemente para as comemorações dos 100 anos de revolução russa. “Dizem que a revolução russa acabou com isso e com aquilo, sim, acabou mas colocou algo pior no lugar. A gente vê o (Antonio) Negri querendo fundar um novo leninismo, isso acabou, está morto e enterrado, não tem nenhum futuro”, criticou.

Já no campo do adesismo, ou seja, de abrir mão de seus ideiais para “seguir na onda” da política tradicional, Fausto dá os exemplos do ex-presidente Fernando henrique Cardoso, que na visão dele migrou da centro-esquerda para a centro-direita, e o PPS, que era o antigo PCB, e que saiu da extrema-esquerda e vai para a política dominante.

A terceira doença, o populismo, o professor identifica nas discursos a favor do governo venezuelano de Nicolas Maduro, que identifica tanto na esquerda brasileira, nas vozes de Gleisi Hoffman e em alguns quadros do PSOL, quanto na esquersa mundial, principalmente na figura de Jean-Luc Melenchon que ficou em quarto lugar nas eleições presidenciais francesas em 2017 com 19% dos votos.

A saída é uma esquerda mais moderna

O deputado Alessandro Molon também estava presente no evento e apontou a necessidade de se formar no Brasil um esquerda com pautas mais modernas, preocupada, sobretudo, com a desigualdade social mas sem esquecer da defesa da democracia.

“Dentro desse espector de uma esquerda democrática, há um vácuo no Brasil que ninguém conseguiu ocupar. Nem a Rede, partido da qual eu faço parte, conseguiu ocupar esse espaço. O PT deveria estar preocupado em fazer uma autocrítica honesta mas não está fazendo e os que se preocupam em fazer dizem que o partido errou porque não foi esquerda o suficiente. Eu não acho que esse seja o diagnóstico correto”, afirmou.

Ter um discurso contundente contra a corrupção também foi apontado tanto por Fausto quanto por Molon como algo essencial para que a esquerda brasileira possa ressurgir com força. O deputado fez menção a um artigo publicado no site justificando intitulado “Esquerda fashion punitivista” que fazia críticas e ele e ao senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) por defender publicamente o ex-procurador geral da república Rodrigo Janot e o Procurador da República Deltran Dellagnol e suas atuações na operação Lava Jato.

“Quanto à ideologia, a esquerda ‘fashion’ punitivista acaba sendo mais daninha ao avanço das liberdades democráticas do que os deletérios personagens da direita, justamente porque confundem a população e, com isso, contribuem para consolidar personagens que extrapolam suas funções institucionais, em clara afronta ao papel constitucional que deveriam exercer. A contradição que não percebem é que ao incentivar a exaltação política de autoridades do MP e do Judiciário, contribuem para a completa ausência de controle do poder punitivo”‘, apontou o advogado Patrick Mariano (Clique aqui para ler o artigo na íntegra)

“É claro que o combate à corrupção não pode ser um fim em si mesmo, mas eu não consigo entender, honestamente, quem diz que agora estão tentando usar o discurso garantista contra a seletividade penal pra dizer que quem é de esquerda não pode achar bom que as pessoas estão sendo descobertas e respondendo aos crimes que praticaram. É um negócio inacreditável isso! Durante anos a esquerda que estuda seletividade penal disse que o sistema penal foi feito pra prender pobre e negro, o que é corretíssimo. Mas quando começa a pegar o andar de cima você diz ‘não, nós somos contra cadeia’. Então a gente é contra o quê? Me parece que temos aqui um problema de igualdade também, mas não só social como republicana, de que maneira o estado trata cada um”, respondeu o deputado.

Sobre a polêmica com Marilena Chauí: “alguém precisava ter feito a crítica”

Na revista Piauí de número 121, de outubro de 2016, o professor  Ruy Fausto assinou o artigo “reconstruir a esquerda”, uma espécie de pontapé inicial para o livro lançado menos de um ano depois. Como é de praxe da revista, os artigo são ilustrado por uma ilustração e, no caso desse, era uma desenho da professora da FFLCH-USP Marilena Chauí feliz representada como uma sereia tocando uma harpa. A imagem contrastava com um navio com uma bandeira do PT passando por uma tormenta e pessoas se afogando. Há também uma menção ao ex-presidente Lula no desenho.

A ilustração não era gratuita e vinha com uma passagem do texto de Fausto abaixo: “é preciso dizer: o discurso político de Marilena Chauí tem representado uma verdadeira catástrofe para a esquerda. Infelizmente, ela se mostra seduzida demais pelo aplauso dos auditórios”   

Um mês depois, a revista Cult traz um artigo de seis professores da USP intitulado “Um frágil diagnóstico sobre Marilena Chauí e esquerdas”, que respondia ao professor Ruy Fausto.  

Perguntado sobre a crítica feita, Fausto apontou que as intervenções políticas de Chauí são insuficientes e demagógicas e que se ele não fizesse as críticas. alguém teria que fazê-la.

“Eu fiz uma crítica bastante forte à Marilena porque primeiro o estilo de intervenção política dela é muito insuficiente e um pouco demagógico. A saída dela em torno da classe média foi extremamente infeliz, tanto que agora ela já se corrigiu. Ela também não fez a autocrítica que tinha que fazer ao PT. Eu escrevi aqueles artigos depois de um colóquio fez e que ela termina com um elogio do PT. Numa outra reunião que tivemos, quando se falou em autocrítica ele disse que era coisa de stalinista, isso é uma bobagem, a autocrítica que a gente está pensando não é a autocrítica dos processos de Moscou. Esse tipo de linguagem tinha que ser criticada. Com isso eu não quero desprezar os méritos dela como professora, e espero que ela continue participando dos debates, não sei, não a vi depois dessa discussão, mas acho que um dia teriam que fazer isso e eu fico contente em ter feito. Se eu pensasse um pouco mais talvez eu não fizesse porque enfrentar a Marilena na universidade é uma coisa de maluco. Se passou um pouquinho da medida eu não sei, mas eu tive que fazer”, encerrou.    

Podcast Fora de Foco #9 – Consenso e conflito na democracia contemporânea

A nona edição do Podcast Fora de Foco entrevistou o professor da Universidade de Brasília Luis Felipe Miguel, que falou sobre seu novo livro “Consenso e conflito na democracia contemporânea”

Podcast Fora de Foco #8 – Por que o brasileiro não protesta contra o governo Michel Temer?

Saiu a oitava edição do Podcast Fora de Foco.

Jessé Souza, Leonardo Isaac Yarochewsky, Leda Paulani e Marcia Tiburi discutem os motivos que a população não está nas ruas contra a corrupção do governo Michel Temer.

Podcast Fora de Foco #7 – Tancredo neves – O príncipe Civil


No ar a sétima edição do Podcast Fora de Foco.

A entrevista dessa vez é com o jornalista Plínio Fraga, autor da biografia Tancredo neves – O príncipe civil

Podcast Fora de Foco #6 – Uberização dos processos de trabalho

Está no ar a sexta edição do Podcast Fora de Foco.

Hoje o assunto é o processo de uberização nos processos de trabalho, que foi alvo de debate no III São do Livro Políltico que aconteceu no Teatro da Universidade Católica (TUCA) em São Paulo nos dias 5, 6, 7 e 8 de junho de 2017.

Os debatedores foram a professora de autora do livro “Sem Maquiagem – O trabalho de 1 milhão de revendedora de cosméticos” pela editora Boitempo (aqui para comprar), em que ela analisou as revendedores dos produtos da Natura, uma espécie de primórdios do que chamamos hoje de uberização.

Outro debatedor foi o mestre em direito e economia política pela Universidade de Turim Rafael Zanatta, que também atua no Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) e traduziu o livro cooportatismo de plataforma, da Autonomia literária e Editora Elefante. (Aqui para comprar e aqui para baixar em PDF)

Para falar sobre o sistema da rating, ou seja, de avaliação nesses aplicativos, quem falou foi a especialista em direito digital Maria Cecília Oliveira Gomes.

FIFA veta (?) nome de Garrincha. Que tal João Havelange?

mister teixeira
esse dribla mais que o Garrincha!

 

Deu na Folha:

Bicampeão do mundo pela seleção brasileira em 1958 e 1962, Garrincha está proibido pela Fifa de ter seu nome associado ao estádio de Brasília durante a Copa das Confederações e a Copa-2014.

O ex-craque do Botafogo dá nome ao estádio da capital federal desde a década de 1980. No ano passado, virou lei no DF: o nome da arena é “Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha” […]

A entidade argumenta que as competições são de “interesse internacional” e que deve “manter a consistência dos nomes dos estádios”.

Contudo, outros estádios que também possuem nomes tradicionais, e, em tese, de difícil compreensão semântica para o público internacional, como Maracanã e Mineirão, não sofrerão mudança […]

Embora o governo tenha afirmado, em nota enviada à Folha, “estar certo de que não haverá necessidade de mudança na arena da capital federal”, projeto de lei enviado semana passada pelo governador Agnelo Queiroz (PT) aos deputados distritais inclui artigo prevendo a troca.

Saindo do Foca:

Por Murilo Silva

Que tal Estádio Mister Havelange? Mister Teixeira? Mister Eurico Miranda? Ou como fez o meu querido Massa Bruta, Mister Nabi Abi Chedid!

É melhor parar as sugestões por aqui, Agnelo pode se animar e batizar o estádio de Arena Mister Cachoeira…

Só gente fina, que merece todo o reconhecimento do torcedor brasileiro.

A cervejaria Petrópolis acaba de assinar acordo com o consórcio Odebrecht/OAS, gestor da nova “Fonte Nova” para dar nome ao estádio.

O grupo vai pagar 10 milhões de reais por dez anos. E o estádio vai se chamar…  “Itaipava Arena Fonte Nova”.

Itaipavão é mais traduzível que Mané?  Mané Guarrincha? Manézão?

A Arena da Baixada, no Paraná chama “Arena Kyocera” desde 2008, quando o Atlético Paranaense fechou com a fabricante de celular um acordo de naming rights.

Outros estádios devem repetir o mesmo modelo de negócio, terão de pedir autorização à FIFA? Já é hora do governo brasileiro, que banca a maior parte dos investimentos do evento, se fazer entender. O Brasil não pode ser tratado como uma republiqueta de bananas.

 

O tempo passou na janela… E Rafinha não viu…

Vamos pedir piedade… pois há um incêndio sob a chuva rala…

Saindo do Foco

Por Bruno Pavan

Rafinha Bastos é o ícone do “novo humor”.

Assim como o CQC, programa do qual fez parte e foi demitido por… fazer piada com a pessoa errada, é a esperança da TV “muderna”.

A pretensão é essa.

A realidade é que fazer humor com minorias não é nada novo.

Até o Jornal Nacional se rendeu ao amor nos tempos de Feliciano e fechou a edição da última quarta (03/04) com Daniela e sua companheira.

Cazuza: lhe dê um pouco de coragem…

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O medo da maioria às mobilizações sociais

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=DEeNSkXn5mY&w=420&h=315]

Regininha não ganha eleição… mas o medo dela venceu a (minha) esperança…

Por Bruno Pavan

Movimentos sociais são um dos grandes temores da elite/classe média idiotizada brasileira.

MST, um monte de baderneiros que deveriam arrumar emprego; direitos humanos, defensores de bandidos; feministas, um monte de mulher mal-amada sem ter o que fazer.

Na maioria das vezes altamente despolitizados, esse pedaço da sociedade não suporta que se reúne pra protestas o que quer que for. O único protesto que vale são aqueles pra redução de impostos. “Roupa em Miami é tão mais barato…” (Leia aqui texto do Leonardo Sakamoto sobre a indignação da classe média)

Colocar medo na grande massa da população aos movimentos é a tática mais usada. O MST pode invadir seu terreninho no interior! Os comunistas te farão dividir sua casa com outra família!

A revista Época do dia 25 de março presta mais um grande desserviço a luta dos movimentos sociais, mais precisamente ao feminismo. A capa traz a frase: “A mulher que trabalha, cuida dos filhos, do marido, da comida, da casa… 50 anos de feminismo e ela ainda existe”.

O recado, pra aquela mulher que recebe a revista em casa ou a olha na banca, me parece ser: as feministas malvadas são contra as donas de casa! Olhem só!

O feminismo não é nada disso. Ele prega que a mulher seja o que quiser. Até dona de casa! O problema é ela ser dona de casa sem que ela queira ser dona da casa para fazer a roda do patriarcado rodar.

Por isso que vemos muitas mulheres por aí dizendo que “não são feministas, são femininas” – clique aqui a leia a Clara Averbuck sobre o assunto – é difícil se sentir representado (a) por uma coisa que grande parte da população rejeita, muito inflamada pela grande imprensa.

Não é difícil esclarecer. Mas parece ser ainda mais fácil embolar e confundir. Uma pena.

Conheça alguns blogs feministas:

Lola Aronovich – Escreva, Lola, escreva.

Nádia Lapa – Cem homens

Clara Averbuck

Aline Valeck

As mulheres da minha vida