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Cerra Solteiro: onde está você agora…

Será que ela tem Face?

Este blog contará com luxuosas participação de colunistas especiais.

O de hoje é uma figura querida por 30% do eleitorado brasileiro mas que, sem cargo público e agora solteiro, está sofrendo muito.

Não vamos deixar esse valoroso nome da Democracia sem espaço na internet.

Com vocês: Cerra Solteiro!

Olá…

Olá Damião, olá Dona Maria… ops, desculpe, é a força do hábito.

Semana passada eu voltei pras redes sociais, consegui pegar o sinal wi-fi do vizinho aqui. Desde que fui expulso de casa, estava sem conexão.

Escrevo da casa de um amigo meu. Gosto daqui, mas entra muita luz no meu quarto e o pessoal acorda muito cedo. Meio dia, vê lá se isso são horas de levantar.

Enfim, outro dia eu estava no telefone com o Alckmin, dando umas coordenadas de como lidar com nossos companheiros (APAGAR) de partido, e ele me disse que eu tinha que arrumar uma namorada. Até o FHC arrumou, ele me disse.

Atualizei meu status no par perfeito e, logo depois, comecei a escutar uns sininhos desses de bicicleta em baixo da janela. Só saí depois que ela (a bicicleta) foi embora.

Ainda estou pensando numa foto boa (cadê aquela da Veja, hein???). As da campanha do ano passado eu apaguei todas. Se bem que teve aquela que me beijou né…

Outro dia fui na Sala São Paulo (me disseram que a massa cheirosa frequenta o lugar…) e vi uma senhora muito jovial me seduzindo com um Martini. Comecei um papo simpático sobre a gestão petista na Petrobras mas ela não pareceu se animar muito. Quando falei sobre aborto ela foi embora e quase jogou a bebida na minha cara. Não entendi.

Deixa eu ir agora. O telefone tá tocando aqui. Mônic… ih rapaz… ah tá, é a jornalista… preciso atender.

Anauê

Metrô 24 horas em São Paulo só em 2033, e olhe lá

metrosp_lotado
Como Paris, Tóquio, Londres e Seul

Deu no iG:

O diretor de manutenção do Metrô de São Paulo, Milton Gioia, afirmou na noite de quarta-feira (20) que é “impossível” que os trens da cidade comecem a operar por 24 horas em menos de 20 ou 30 anos. O servidor admitiu ao iG que a rede de Metrô da quarta maior cidade do mundo é pequena e não foi concebida para funcionar sem pausas. As declarações foram dadas depois de sua participação em audiência pública sobre o assunto, organizada pelos deputados Luiz Cláudio Marcolino (PT) e Leci Brandão (PCdoB-SP), na Assembleia Legislativa do Estado.

“Todo o projeto foi concebido para operar do jeito que está, assim como em Paris (França), Tóquio (Japão), Londres (Inglaterra) e Seul (Coreia do Sul). Todas operam do mesmo jeito que a gente, com exceção de Nova York (Estados Unidos). Então qualquer alteração seria uma mudança radical em tudo o que a gente faz. É impossível? Eu acho que nos próximos 20 ou 30 anos é impossível. Mas, a gente pode começar a trabalhar nesse sentido, tá bom?”

Marcolino e Leci são os autores de dois projetos de lei sobre o assunto que tramitam de forma indexada na Assembleia. O petista entrou com uma proposta (PL621) em 2011 para que o Metrô funcione sem parar todos os dias. Já o projeto de lei de Leci Brandão propõe que o transporte fique aberto ininterruptamente pelo menos aos fins de semana. O tema ganhou ainda mais força recentemente, quando um abaixo-assinado, criado no site da Avaaz.org, sobre o mesmo assunto conseguiu o apoio de mais de 90 mil pessoas.

[…]

Apesar de bastante criticado e, em certo momento, vaiado pelo público presente na audiência, Joia não foi o único a discursar contra a proposta de Metrô 24 horas para a cidade. Também convidado para dar sua opinião, o secretário de comunicação do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Ciro Moraes, disse que operação poderia ser fatal.

“Eles [metroviários que fazem manutenção] são obrigados a fazer uma verificação geral porque qualquer trinco num trilho pode causar um descarrilhamento de proporções catastróficas”, disse depois de culpar o governo do Estado pela impossibilidade de implantar o serviço na madrugada. “Infelizmente devido a escassez de linhas, no Metrô de São Paulo não tem alternativa. É a negligência do Estado que, em vez de construir mais linhas, fica comprando mais trens para atender a demanda em apenas um período. A histórica crônica de negligência do governo em ampliar as linhas não permite que nós façamos o transporte seguro das pessoas [na madrugada]. Se não tiver uma manutenção preventiva diária qualquer falha seria fatal”, opina.

Solução

Uma alternativa sugerida por alguns grupos que participaram da audiência foi a utilização de apenas uma via do Metrô durante a madrugada para transporte enquanto a segunda passaria por manutenção. Milton Gioia confirmou que isso é possível, mas disse que nem todas as linhas oferecerem esse recurso. “Para fazer o serviço de manutenção é preciso desenergizar os trilhos. Se há um trilho trincado você tem que cortar um pedaço de até 24 metros da linha. Cada pedaço deste pesa mais de uma tonelada”, rebate.

Em entrevista ao iG, o professor de transportes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) Telmo Giolito Porto, defendeu também que a única forma de viabilizar o Metrô 24 horas é aumentar a rede de estações. “Outros países fazem isso porque já tem uma malha [de metrô] fechada que nós ainda não temos. O que acontece é que em outros países você tem mais de um caminho para operação. Você fecha um dos caminhos, mas existem outros para chegar no mesmo lugar. Você consegue parar trechos das via sem prejudicar acesso total. Aqui são poucas as estações que têm acesso a mais de uma linha. Essa é uma diferença muito forte”, conclui.

Safatle: e depois do lulismo?

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por Bruno Pavan

O Fora de Foco reproduz artigo de Vladimir Safatle, na Carta Capital:

A pauta das eleições

Iniciado com um ano e meio de antecedência, o debate sobre as eleições presidenciais de 2014 demonstra o raquitismo político ao qual o eleitor brasileiro se -encontra submetido. Já sabemos de antemão quais devem ser os candidatos a presidente. Ainda é difícil, porém, encontrar pautas de debates que poderiam permitir ao País sintetizar novas soluções para seus problemas.

Por enquanto, sabemos apenas que o candidato tucano Aécio Neves está disposto a dar um salto para trás no tempo e recuperar o ideário liberal que alimentou seu partido nos anos 1990, inclusive ao trazer os mesmos nomes de sempre para pensar seu programa de governo. Como se nada tivesse ocorrido no mundo nos últimos 15 anos, como se o modelo liberal não tivesse naufragado desde a crise de 2008, o candidato tucano demonstra que a guinada conservadora do chamado partido “social-democrata” brasileiro é mesmo um horizonte terminal. Alguns partidos social-democratas europeus (como o PS francês, o SPD alemão e os próprios trabalhistas britânicos) procuraram ao menos ensaiar certo distanciamento dos ideais da terceira via, hegemônicos na década que Tony Blair vendia ao mundo sua cool Britania. Mas o caso brasileiro parece, de fato, completamente perdido.

Há de se perguntar, no entanto, o que poderia ser uma pauta da esquerda para as próximas eleições. Se aceitarmos certo esgotamento do modelo socioeconômico e político que vigorou no Brasil na última década sob o nome de “lulismo”, então a boa questão será: como a esquerda pode pensar o pós-lulismo?

Neste cenário, três questões seriam eixos privilegiados de debate. Primeiro, o esgotamento do lulismo implica necessidade de pensar um novo modelo de distribuição de renda e de combate à desigualdade. O modelo lulista, baseado na construção de redes de seguridade social e aumento real do salário mínimo, chega ao fim por não poder combater os processos que produzem, atualmente, a limitação da ascensão social dos setores beneficiados pelas políticas governamentais. Pois se os salários atuais são erodidos em seu poder de compra pelos gastos em saúde e educação, além do alto preço dos serviços e produtos em uma economia, como a brasileira, oligopolizada até a medula, um novo modelo de combate à desigualdade só pode passar pela construção de algo próximo àquilo que um dia se chamou de Estado do Bem-Estar Social, ou seja, um Estado capaz de garantir serviços de educação e saúde gratuitos, universais e de alta qualidade.

Nada disso está na pauta das discussões atuais. Qual partido apresentou, por exemplo, um programa crível à sociedade no qual explica como em, digamos, dez anos não precisaremos mais pagar pela educação privada para nossos filhos? Na verdade, ninguém apresentou porque a ideia exigiria uma proposta de refinanciamento do Estado pelo aumento na tributação daqueles que ganham nababescamente e contribuem pouco. Algo que no Brasil equivale a uma verdadeira revolução armada. Ou seja, um programa que nos anos 1950 e 1960 era visto como simploriamente reformista é revolucionário no Brasil atual.

Segundo ponto: o esgotamento do lulismo significa o aumento exponencial do desencantamento político em razão do modelo de coalização e “governabilidade” praticado desde o início da Nova República. Nesse sentido, ele exige a apresentação de uma pauta abrangente e corajosa de absorção das demandas por democracia direta nos processos de gestão do Estado e transparência ouvida cada vez mais em várias partes do mundo. Esse é um momento privilegiado para a esquerda retomar seu ideário de soberania popular. Ele não se acomoda aos regimes de conselhos consultivos que se tentou ultimamente, mas exige processos efetivo de transferência de poder decisório para instâncias de democracia direta.

Terceiro ponto: ao seguir uma lógica típica norte-americana, o pensamento conservador nacional tenta se recolocar no centro do debate por meio da inflação de pautas de costumes e de cultura. Tal estratégia só pode ser combatida pela aceitação clara de tais pautas de costumes, mas como eixo central de uma política de modernização social. Cabe à esquerda dizer alto e bom som que temas como casamento igualitário, direito ao aborto e políticas de combate à desigualdade racial são pontos inegociáveis a ser implementados com urgência. Dessa forma, fecha-se um círculo no qual uma pauta de modernização socioeconômica, política e social pode guiar nossos debates.

Fora do foco

Este blog terá a audácia de tecer alguns comentários sobre o ótimo artigo de Safatle, o principal pensador da esquerda no Brasil atualmente.

O Lulismo respondeu questões e resolveu problemas que o neoliberalismo dos anos 90 colocou.

Mas o Brasil da segunda década do século XXI não quer só comida. Quer comida, diversão e arte…

A esquerda deve seguir o conselho de Safatle: não ter medo de dizer seu nome nem no que acredita.

Botar o bloco na rua.

Ps.: sobre a candidatura Aécio, este democrático espaço toma a liberdade de sugerir um norte para a campanha, baseado em Jânio Quadros:

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O que Yoani não conta

Dia de princesa na Casa Branca

Foto da AP: um dia de princesa na Casa Branca

Do Blog do Mello

Por que a blogueira Yoani Sanchez não denuncia greve de fome que está acontecendo agora em Cuba?

Prisioneiros em Cuba “estão em greve de fome há 43 dias em protesto contra o confisco de bens pessoais como fotografias, cartas e exemplares do Corão” … e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

A “ONG Centro de Direitos Constitucionais, baseada em Nova York, afirma que a greve de fome já alcança 130 dos 166” detentos em Cuba… e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

O antropólogo Mark Mason, especialista em fatores culturais causadores de sofrimento humano, em entrevista à rede russa RT declarou: “Mais da metade deles está livre de acusações. Eles deveriam estar na rua, saírem da prisão hoje mesmo”. No entanto, estão presos em Cuba, em greve de fome… e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

O mesmo antropólogo prosseguiu: “Eu não consigo descrever as condições horríveis, o tratamento e a humilhação que muitos desses detentos reportaram. Eles são obrigados a ficar em pé, sem roupas, em salas geladas por horas. Só isso já constitui estresse físico, é uma tortura psicológica indescritível”. E agora há a greve de fome… e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

Um dos prisioneiros relatou que “Eles realmente tentam de tudo para nos quebrar, incluindo tortura física e psicológica. Eu mesmo fui torturado com eletrochoques e waterboarding [simulação de afogamento]. Presenciei ainda crianças entre nove e 12 anos dentro dos campos. É muito difícil observar essas crianças sendo espancadas em minha frente”. Por isso muitos dos 133 detentos em Cuba estão em greve de fome desde o dia 6 de fevereiro… e a blogueira Yoani Sanchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?

Sabe por quê? Porque tudo isso está acontecendo na ilha de Cuba, mas não sob administração cubana. Tudo isso se passa na prisão de Guantánamo, na Base Naval dos Estados Unidos na Baía de Guantánamo, sob responsabilidade dos Estados Unidos da América.

Por isso Yoani Sanchez não fala nada. Também as Damas de Blanco estão silentes.

Yoani Sanchez não fala nada, e mais uma vez deixa cair a máscara e mostra a serviço de quem se encontra.

 

Fora do Foco:

Yoani esteve hoje na Casa Branca onde foi recebida por Ricardo Zuniga, assessor do presidente para assuntos da América Latina.

Obama não estava em casa…

Quantos jornalistas sul-americanos tem a mesma consideração da White House?

Câmara Municipal de São Paulo vai homenagear algozes de Mariguella

telhada
Telhada: um tucano rápido no gatilho

Por Murilo Silva

A Câmara Municipal de São Paulo vai homenagear o batalhão de elite da Polícia Militar de São Paulo, a ROTA –  Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar.

O projeto de lei é do ex-comandante do batalhão, o vereador Coronel Telhada.

Telhada foi eleito com o lema: “bandido bom é bandido morto”.

Para o vereador – o quinto mais votado de São Paulo – o slogan é mais que um lema, é um mantra!

O ex-policial tem 36 casos de morte por “resistência a prisão” no currículo.

Para José Serra, a gestão de Telhada na ROTA é sinônimo de  “uma política firme que respeita os direitos humanos”.

Dentre outros méritos, a ROTA esta sendo condecorada pela “Salva de Prata” por suas “campanhas de guerra”, protagonizadas pelas companhias Boinas Negras que atuaram durante a ditadura militar perseguindo guerrilheiros de esquerda como Carlos Lamarca e Carlos Marighella.

A proposta foi prontamente aprovada pela Câmara, que vai entregar uma medalha aos algozes de Mariguella.

A cerimonia de coroação do fáscio ainda não tem data marcada.

Conselho Federal de Medicina pede liberação do aborto até 12ª semana

aborto

Do Estadão:

O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu romper o silêncio e defender a liberação do aborto até a 12.ª semana de gestação. O colegiado vai enviar à comissão do Senado que cuida da reforma do Código Penal um documento sugerindo que a interrupção da gravidez até o terceiro mês seja permitida, a exemplo do que já ocorre nos casos de risco à saúde da gestante ou quando a gravidez é resultante de estupro.

Fora do Foco:

Esse blog, despretensiosamente, chama a atenção dos movimentos sociais para a discussão do novo Código Penal, conduzida pelo brilhante jurista e ministro do STJ, Gilson Dipp.

Dessa Comissão podem sair avanços extraordinários.

É sem dúvida uma briga mais frutífera do que a  que se trava na Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara.

Um briga que se dá entorno de uma figura política menor, sem expressão, e que, em condições normais de temperatura e pressão, não mereceria nota nem nesse modestíssimo blog.

Civita II por Mino Carta

Por Bruno Pavan

Não leve à mal este despretensioso blog, ele torce pela plena recuperação de Roberto Civita.

Internado no Sírio Libanês há dias, Roberto passou o bastão da Abril para a III geração da família, representada pelo seu filho Giancarlo Civita.

Este editor do blog está lendo “O Brasil”, de Mino Carta jornalista que conhece como poucos a figura de Roberto.

Em uma das passagens mais marcantes ele trata da figura pessoal do filho de Victor Civita, que não tinha o poder que tem hoje, em uma reunião que Mino teve com o chefe da Casa Civil (rs) Golbery do Couto e Silva, em nome da Veja.

Mino era editor chefe da publicação e tentava um acordo pelo fim da censura militar à revista. Ela havia sido suspensa mas voltava por conta de uma charge de Millôr Fernandes que mostrava um torturado numa cela enquanto um balão sai detrás da porta e decreta: “nada consta”.

Ao entrar na sala de Golbery, Mino fora avisado de que o filho do chefe estava presente mas não tinha hora marcada. Ficou contrariado mas acabou vencido pelo cansaço e permitiu que Roberto acompanhasse a reunião, sem antes dar um aviso: “você entra comigo, mas se compromete a não abrir a boca”. A promessa veio.

Dentro da sala a conversa evolui e Golbery promete uma saída para a Veja ir pras bancas normalmente naquela conturbada semana.

A reunião não acabaria, no entanto, sem um único pitaco de Roberto Civita: “General, se o senhor acha que devemos tomar alguma providência em relação ao Millôr Fernandes…” e a resposta vem sem reticências: “Senhor Civita, não pedi a cabeça de ninguém”.

Na antessala, Mino busca o tom mais desprezível que consegue e solta: “bem que tinha pedido que você ficasse calado, mas você é um imbecil”.

Não cheguei ainda ao fim do livro do Mino, logo, não sei se ele trará mais palavras “simpáticas” a Roberto Civita.

Mas este blog, em seu primeiro dia de funcionamento, não poderia deixar de homenageá-lo.

Da GOURMETERIA SP: Xico Sá nos entende

PIPOCA
Isso é uma pipoca gourmet

 

A GOURMETERIA SP, é um espaço destinado a contemplar o excesso de cosmopolitísmo de São Paulo.

Lugar onde se pode encontrar pipoca gourmetpastel gourmetfrango de padaria gourmet; brigadeiro gourmetpadarias gourmet aos montes… Tem de tudo, tudo que é gourmet tem aqui!

Para abrir essa seção do Fora de Foco, vai um texto do brilhante Xico Sá, o trovador moderno da imprensa brasileira.

Essa gente que degusta e harmoniza um mundo-gourmet

Ele não come, ele não bebe, ele degusta.

Ele não combina as coisas, ele harmoniza.

Ele não vai à cozinha, utiliza o espaço gourmet.

E assim mil e uma frescuras. O homem-bouquet ou o homem-hortinha e quase sempre o homem-de-predinho-antigo [vide post anterior deste blog aqui] conjugam todos esses verbos e situações.

Ele não sonda, ele não vê qualé, ele prospecta. Usa o verbo prospectar inclusive no assédio amoroso. Que romântico!

Mas deixa o rapaz prospectar em paz, fiquemos nos usos e abusos dos degustadores e harmonizadores que fizeram do mundo um planeta-gourmet.

Tudo é gourmet. Água, café, suco, ovo de páscoa… Se brincar tem até doritos-gourmet.

Tudo é gourmet e tudo se harmoniza. Hoje mesmo recebi um convite para harmonizar cerveja com chocolates finos. Lembrei do velho Francisco, meu pai, lá no seu rancho na chapada, autêntico macho-jurubeba, e declinei do chamado. Tô fuera. Já ando afrescalhado demais, chega!

A vida é muito curta para a gente ficar só degustando. Se o cara te convidar para degustar, em vez de comer ou beber um vinho, corra, Lola, corra, é roubada na certa. Se só degusta, jamais vai a fundo.

Realmente se abusa desses verbos de moda. Outro dia a Flávia Gusmão, ótima colunista do “JC” do Recife, relatou um caso que vai além de qualquer exemplo que eu pudesse imaginar. Uma amiga dela foi agraciada com uma degustação de papel higiênico. Isso aí, receberia em casa ofertas para degustar. Oi!

E você ai, caríssimo(a) leitor(a), já harmonizou alguma coisa hoje?

Agora me dê licença, madame, que vou ali degustar a minha rabada-gourmet. Sim, para harmonizar, Catuaba Selvagem ou qualquer outro vinho fino com aroma amadeirado.

E como diria meu amigo Ibrahim Sued, ademã que eu vou em frente.