Todos os posts de foradefoco

Podcast Fora de Foco #29 – Mulher, Estado e Revolução com Diana Assunção

E ae, gente, tudo bem? Está no ar a 29a edição do Podcast Fora de Foco que dessa vez é com a Diana Assunção para falar sobre o livro “Mulher, Estado e Revolução” da Wendy Goldman. Quer saber como a questão da família, casamento e filhos eram vistas na Rússia pós-revolução de 1917? Então dê o play ae 🙂

 

Clique aqui para comprar “Mulher, Estado e Revolução”

E aqui para comprar a biografia da Rosa Luxemburgo

Zé de Abreu: a oposição que Bolsonaro merece

Por Bruno Pavan

Quinta-feira passada (8), já depois da polêmica do Golden Shower, o presidente Jair Bolsonaro fez uma live para falar com a população brasileira via Facebook.

Entre outros trepidantes assuntos, falou sobre as lombadas eletrônicas nas estradas do país, denunciando a indústria da multa, como um bom vereador. Depois, denunciou uma cartilha que ensinava adolescentes a colocarem a camisinha corretamente. Uma indignação digna de sua tia carola, mas não de um presidente que precisa, entre outras coisas, desenvolver políticas públicas de combate a AIDS e esclarecer dúvidas sobre a gravidez na adolescência.  

Se ele não sabe, de acordo com o Ministério da Saúde, entre 2006 e 2015 o número de jovens de 15 a 19 anos com o vírus no país cresceu 187%.

Pra esse presidente, não há opositor maior do que o ator José de Abreu, que se autodenominou presidente do Brasil no último dia 26. Bolsonaro é, antes de tudo, performance com a sua estética do urgente. Nada melhor do que um ator e uma hashtag para o tirar do sério. Bolsonaro, inclusive, já ameaçou processá-lo. Alexandre Frota também.  

A impressão é que Bolsonaro nunca quis ser presidente. Se algum dia quis, já se arrependeu. Nesse pouco mais de dois meses no cargo ele se absteve de comentar qualquer coisa que fosse útil ao país. Não falou nada sobre a patacoada resultante da visita de parlamentares de sua base de apoio à China, sobre a crise na Venezuela, nem sobre a reforma da previdência, a maior de suas tarefas, pois foi colocado onde foi também pelo mercado financeiro.

O que o capitão reformado quer mesmo é ficar destilando seus preconceitos usufruindo do foro privilegiado para não ser processado como um reles mortal. Pra isso, poderia ficar com seu cargo na Câmara dos Deputados. Tarde demais. Agora virou vidraça.

A esquerda que quer fazer oposição ideológica séria precisa se voltar ao vice. Hamiltom Mourão não é só a voz da sensatez do governo. É a única cabeça que pensa algo de Brasil. Quando os adultos sentaram a mesa, era ele que estava no grupo de Lima para discutir a questão na Venezuela. Quando o presidente pediu e conseguiu a cabeça de Ilona Szabó para Sergio Moro, foi ele que lamentou. Quando Ricardo Salles diz que não importava quem era Chico Mendes, o General da reserva que colocou panos quentes.

Outra coisa que é preciso entender, as polêmicas de Bolsonaro nas redes não são pra fazer cortina de fumaça pra nada. Ele é assim. Só foi eleito por ser assim. E vai precisar manter seu eleitorado engajado contra os inimigos imaginários do brasil, da família, etc etc etc.

É aí que a esquerda que tem ideias, e não só memes, tem que agir.

José de Abreu é tudo que Bolsonaro merece.

O Belas Artes, a esquerda e a desigualdade cultural


Em pouco mais de 2 km, quem sai do Belas Artes tem mais de 50 salas de cinema; em 3 km, quem mora em Emerlino Matarazzo, extremo leste da cidade, tem três

Por Bruno Pavan

O Cine Belas Artes é um espaço tradicional em São Paulo. Na esquina da Consolação com a Paulista, o prédio recebe um cinema desde 1943. Especializado em filmes fora do circuito comercial, é um lugar adorado pelos amantes da sétima arte.

Após a não renovação de contrato com a Caixa Econômica Federal, no começo de 2019, o espaço corre o risco de fechar as portas novamente. O sócio-proprietário do local é o ex-secretário municipal de cultura de João Doria, André Sturm.

Antes de entrar na história de Sturm, cabe lembrar que o Belas Artes chegou a fechar as portas em 2011, também por motivos financeiros. Com a saída de um patrocinador, o HSBC, e um pedido de aumento no preço do aluguel do espaço, o cinema fechou no dia 17 de Março. “São duas tristezas: uma pelo fechamento e outra pela luta perdida”, disse Sturm à época.

Três anos depois, em 2014, com a ajuda da prefeitura, então comandada por Fernando Haddad, o espaço reabriu, com o patrocínio da Caixa. No meio disso tudo, o Condephaat, órgão responsável por preservar o patrimônio histórico do Estado de São Paulo, tombou a fachada do imóvel. Nesses três anos, entre mortos e feridos, todos sobreviveram.

O que está colocado agora é um debate entre os progressistas contra a atitude do governo de Jair Bolsonaro de tirar a Caixa fora desse patrocínio. E, claro, quem tem um pouco de amor no coração, deve defender a existência do Belas Artes. #SomosTodosBelasArtes

Minha posição é outra. Não que irei comemorar se o espaço for fechado, mas não acenderei velas a ele.

“Isso mesmo: vou quebrar sua cara”

Vamos olhar um pouquinho para André Sturm quando foi secretário municipal de cultura de São Paulo entre 2016 a 2019.

Sua gestão foi recheada de “polêmicas” pra usarmos aqui o português polido.

Foi alvo de investigação do Ministério Público Estadual por supostamente ter direcionado um edital em favor da empresa Dream Factory que, em outra palavras, fez o folião que veio pra São Paulo no carnaval de 2018 tomar Skol ao invés de Heinekken. Também foi flagrado em gravações chantageando o instituto que gere o Theatro Municipal de São Paulo.

“Não faz sentido não resolver e correr o risco de não assinar e aí a filigrana da filipeta… Porque é isso. Você sabe como é. Quando você quer ser chato, você sabe o que advogado é capaz. A Dilma caiu por causa de pedalada fiscal”, disse em gravação obtida pela Rádio CBN.

Além disso, também foi acusado de assédio por uma ex-funcionária da secretaria.



Mas é da quarta polêmica que eu quero falar aqui. E de como o ex-secretário municipal de cultura enxerga a cultura.

Em maio de 2017 houve um, digamos, “confronto de ideias e prioridades” entre a prefeitura de São Paulo e o movimento que mantém a Ocupação Cultural Ermelino Matarazzo, extremo leste de São Paulo. Não havia, ali, qualquer chance de um banco chegar e patrocinar aquele local, a 26 quilômetros do elegante e tombado prédio do Belas Artes.

Sturm e o movimento que mantém a casa se reúnem e na pauta estava a manutenção do espaço, importante pra região por trazer atividades culturais como dança, saraus, debates e…. cinema. O Movimento, que ocupou o local em 2016 um prédio público sem função há mais de 10 anos. Queria que a prefeitura mantivesse os R$ 100 mil semestrais para que o espaço continuasse funcionando. A Caixa pagava de patrocínio para o Belas Artes R$ 2 milhões por ano. Ou seja, 10 vezes mais.

A reunião foi tensa, com os moradores argumentando que prestavam contas do lugar e “faziam corres” para mantê-lo, mas que não seria viável a manutenção sem o apoio da prefeitura.

Sturm, membro da “elite cultural” de São Paulo, destila a boa educação que duvido que deve esbanjar nos jantares com potenciais patrocinadores do Belas Artes com o ativista cultural Gustavo Soares. 

“Providencia com a prefeitura regional o fechamento do espaço de Ermelino Matarazzo. Boa sorte pra vocês. Vocês querem fazer esse discursinho babaca. Você é um chato, rapaz. Se você falar assim eu vou quebrar sua cara. Isso mesmo: vou quebrar sua cara(…) Acabou a molecagem”, disse Sturm.

Desigualdade cultural

Como bom projeto de marxista, acredito mesmo que as desigualdades sociais começam no mundo material e no acesso às pessoas a ele. A desigualdade cultural é produto disso. o acesso da região leste da cidade a espaços culturais, públicos ou privados, é extremamente precária. Como mostra essa matéria, os coletivos de cultura são essenciais para que a população da região possa ter acesso a algum divertimento. A Caixa, que se desinteressou pelo patrocínio do Belas Artes, nunca esteve interessada nessa região.

Se excluída a opção pela Casa de Cultura, a população de Ermelino Matarazzo tem que andar muitos quilômetros para achar outro cinema. As três salas da SP Cine Quinta do Sol ficam a 3 km. Até o Shopping Metrô Itaquera, por exemplo, que tem nove salas, são 6,7 km. Para o Shopping Penha, com oito salas, alguém que sai da Casa de Cultura precisa andar 8.9 km. 11 km  separa a Casa do Cine Itaim Paulista e suas 5 salas. Já para os shoppings Metrô Tatuapé e Metrô Boulevard Tatuapé, com 13 salas no total, são 13 km. A 13 km também existe o Circuito Cinemas, em Guarulhos, com sete salas.

Agora vamos ver quantas opções a população que vive na região central da cidade tem. Caso as seis salas do belas Artes fechem, há 650 metros temos o Espaço Itaú de cinema da Rua Augusta com cinco salas. Andando 1.3 km, o mesmo Itaú mantém 12 salas no Shopping Frei Caneca. O Reserva cultural e suas quatro salas está há 1.3 km um pouco mais de 20 minutos andando pela agradável Avenida Paulista. A sala do CineSesc é ainda mais próxima, há 750 metros e o Shopping Cidade de São Paulo com suas 10 salas de última geração está há 1.4 km. O Shopping Centrer 3 tem 7 salas há 500 metros. Isso tudo sem contar as 9 salas do Shopping Pátio Paulista, mas aí seria muita maldade fazer o bom cidadão andar 2,7 km pela plana, confortável e iluminada Avenida Paulista.

UFA!

Ou seja, em menos de 3 km quem sai do belas artes tem CINQUENTA E QUATRO SALAS para escolher onde se divertir. Já quem está no extremo leste da cidade, precisa de um pouco mais de tempo para encontrar apenas três salas.

Em resumo, os amantes do cinema alternativos sobreviverão ao fim do Belas Artes.

João Amoedo do Mundo Invertido

Por Bruno Pavan

Os anos se passam eu eu nunca vou me acostumar com a genialidade de Caetano veloso em “Sampa”.

Apesar de ninguém da cidade chamar a cidade assim, a música é uma descrição perfeita do lugar em que, tudo sendo do avesso, na verdade é tudo do lado de fora.

Acho que São Paulo é uma cidade feita para migrantes e imigrantes. Quem sempre esteve aqui, não a vê do jeito certo.

Eu sou um deles. Tenho 31 anos. Todos vividos na capital Paulista.

Um dos personagens principais da cidade são os músicos de rua. Na minha rotina de casa-trabalho trabalho-casa não é raro que eu encontre músicos, principalmente na estação Vila Madalena do metrô.

A maioria deles são muito bons, mas eu, como azedo que sou, geralmente não gosto de nenhum. Não me emociona estar ali ouvindo bons músicos tocarem.

Isso mudou um pouco na última segunda-feira.

Resolvi mudar o meu trajeto. Quando você muda o trajeto, às vezes você economiza 20 minutos, às vezes você perde 20 minutos. E às vezes você tromba com novas histórias.

Um músico entra no busão em que eu estava, ali na altura do prédio da TV Gazeta, na Avenida Paulista.

Ele fala alguma coisa, com um forte sotaque espanhol, e começa a tocar.

Ele era muito ruim. Tocava violão mal. Tocava gaita mal. Cantava mal.

Mas alguma coisa ali me fez parar de ler meu livro e prestar atenção naquele cara.

Ele não pedia perdão por ser ruim. Ele, simplesmente, entrou no ônibus com seus instrumentos e tocou.

E a minha fascinação por aquele personagem também não tinha nada de piedade, era outra coisa.     

Como um João Amoedo do mundo reverso, eu queria premiar aquela incompetência honesta.

Depois da apresentação e de passar o chapéu, ele fez um rápido e confuso discurso sobre “fazer o Brasil dar certo apesar de convicções partidárias”.

“Não pode ficar desanimado assim. O Brasil é um país xófen”

Nada mais paulistano do que um estrangeiro tocando e cantando mal dentro do ônibus que, depois de sua apresentação, dá conselhos políticos em um português amarrado.

O que eu não gosto é do bom gosto, como disse Adriana Calcanhoto.  

Podcast Fora de Foco #28 – Marx, Marxismos e África – Com Muryatan Barbosa

Saiu a nova edição do Podcast Fora de Foco Dessa vez o assunto é o que Marx e o marxismo (ou marxismos) tem a nos dizer sobre a África. O entrevistado é o professor da UFABC Muryatan Barbosa Dê o play e aproveite

 

Prefere ver no youtube, sem problemas:

Brasil de 2019 e a estética do urgente

Por Bruno Pavan

A estética é sempre capaz de traçar uma espécie de perfil de uma época.

Filmes, músicas, quadros, esculturas, programas de TV são sempre um modo de entender a realidade em que vivemos.

Quando, na Europa, as pessoas deixaram de colocar Deus no centro do universo, a arte mudou.

No Brasil, por exemplo, Getúlio Vargas usava as marchinas de carnaval a seu favor. Um país que saia da República Velha e despontava para o futuro. Tinha uma esperança e uma descontração.

Nos anos JK, um presidente moderno, uma nova capital, não combinava muito com aqueles cantores do rádio, empostadores de voz, como Francisco Alves. Nasce então a Bossa Nova, uma mistura de samba com jazz, feita para ser a cara do novo país e levar o Brasil pra fora.

Na ´peoca da ditadura, ao menos três movimentos surgiram. Um conservador, de uma música bastante influenciada pelo rock americano falando sobre o beijo no cinema, o calhambeque, da namoradinha do amigo. A Jovem Guarda.

Outra contestador da realidade política nacional, que não tem muito nome, mas era liderado por Chico Buarque  e Geraldo Vandré.

O terceiro era moderno, contestador na forma, psicodélico. A Tropicalia. Ao cantar “É proibido proibir”, no festival de 1968, Caetano Veloso berrava, soterrado por vaias: “se vocês em política como são em estética, estamos feitos”

É possível traçar outras dezenas de exemplos, o rock dos anos 1980, em um país sem rumo; o axé nos anos 1990, em um país otimista e de bem com a vida; o funk ostentação nos anos 2010, em um país que consumia cada vez mais.

E hoje, qual a estética de um país deprimido, dividido, autoritário?

A cara do Brasil hoje é a cara de Jair Bolsonaro. Isso é doloroso de se dizer, mas é isso.

A cara do Brasil hoje é o pão com leite condensado que ele come no café da manhã, a caneta bic com que assina a sua posse, o bandeijão em que ele janta sozinho na Davos.

A simplicidade fake em contraste com os “marajás” que só pensam em sugar dinheiro da população.

Mas, mais do que isso, a cara do Brasil hoje são as artes de whattsApp.

Um governo como esse só para em pé se se colocar como a única saída frente todas as outras. Então, a estética dele não pode deixar margem nenhuma.

A imagem que ilustra a postagem é clara. Um recém-nascido bate continência e se declara pronto pra batalha. Quem pensa diferente é inimigo dessa criança que acabou de nascer. Ela não precisa nem aprender a andar, falar e pensar pra “saber” disso.

A estética é a mais “amadora” possível e, claro, isso também não é coincidência. Assim como Bolsonaro, pra essas pessoas, se elegeu contra tudo e contra todos, é necessário fazer a sua própria arte.

Tudo que é bem feito não combina com essa sensação de urgência que o Brasil tem hoje, pra tudo. E além de ter recebido dinheiro da Lei Rouanet.

Basta ver também os títulos de canais conservadores no Youtube: Bolsonaro HUMILHA (sim, sim, em caixa alta) jornalista comunista. Fulano CALA A BOCA de Sicrano. Mostra em quem está o poder e o que deve-se fazer com o “inimigo”.

Tem que mudar. Tem que matar. Tem que prender. Tem que humilhar.

Compartilhe. Agora. Já. Porque a Globo não vai mostrar.

Isso, justiça seja feita, a esquerda também faz.

O Brasil hoje é urgente. Não tem mais espaço pra país do futuro. Não tem mais espaço pra futuro.

As ruas que falam

Por Bruno Pavan

A cidade sempre foi uma grande fonte de inspiração para cantores, escritores, compositores… É na cidade e seus lugares onde tudo acontece.

A casa no campo, por exemplo, fez Elis sonhar em plantar amigos, discos e livros. Sampa, com sua deselegância discreta, fez Caetano entender que Narciso acha feio o que não é espelho.

Elis queria a tranquilidade e um controle sobre tudo ao seu redor. “Plantar amigos”. Caetano caiu na realidade da cidade sem rosto e coração.

“Se a rua beale falasse” (Cia das Letras), de James Baldwin não é só uma história de amor. Nem só um cenário do Harlem dos anos 1970.

O livro conta a história de amor de Clementine (Tish) com Alonzo (Fonny). E a luta dela para libertar o namorado após ser preso por um crime que não cometeu.

Tish, a narradora e protagonista, conta a história com vigor, foco e uma espécie de eletricidades nos detalhes certos. A passagem que mais me chamou a atenção foi quando ela, que trabalha no setor de cosméticos de uma grande loja de departamentos, conta um pouco da sua rotina:

“Não eram só as velhas brancas que vinham cheirar as costas da minha mão. Muito raramente um negro chegava perto daquele balcão, e, quando o fazia, suas intenções eram com frequência mais generosas e sempre mais precisas. Talvez, pra um homem negro, eu realmente lembrasse muito de perto uma irmã mais nova indefesa. Ele não gostaria que eu me tornasse uma puta. E talvez alguns deles se aproximassem simplesmente para olhar nos meus olhos, ouvir minha voz ou apenas verificar o que estava acontecendo. E nunca cheiravam as costas da minha mão: um homem negro estende as costas da mão dele para que você a borrife, e então ele próprio leva até o nariz. E não se dá ao trabalho de fingir que veio comprar algum perfume. Às vezes compra algum; na maioria das vezes, não. Às vezes a mão que desceu do nariz forma secretamente um punho cerrado, e, com uma prece, com tal saudação, ele se afasta. Mas um homem branco leva a mão da gente até o nariz dele e a mantém lá” (pp 117 e 118)

Tão singelo e tão forte quanto os punhos cerrados dos Panteras Negras é a mão negra que, após cheirar um perfume, se transforma em resistência.

A cidade também pode ser representada pela falta de palavras. Que muitas vezes grita mais do que o mais descritivo dos parágrafos. No trecho do livro onde a mão de Tish vai a Porto Rico, o advogado da Família, Hayward (não) tenta descrever uma favela. E por isso a descreve melhor do que ninguém.

“Estive só uma vez em Porto Rico, por isso não vou tentar descrever uma favela. E tenho certeza que, quando voltar, você também não vai tentar descrever o que é”.

Apesar do sofrimento gerado nas famílias, a vilã da história não é Victoria Rogers, a jovem porto riquenha que acusa Fonny de tê-la estuprado. O vilão se chama Estados Unidos da América.

Ernestine, irmã de Tish, em um momento de sororidade feminina, explica para a irmã o quão sofrido será para a Rogers revisitar uma história tão dura pra ela e mudar seu depoimento, inocentando Fonny. “Claro que ela está mentindo. Nós sabemos que ela está mentindo. Mas ela não está mentindo. Pra ela, foi o Fonny, e estamos conversados, ela não precisa mais lidar com isso. Está terminado. Pra ela. Se mudar o depoimento, vai ficar louca. Ou se transformar em outra mulher. E você sabe com que frequência as pessoas enlouquecem e como é raro que se transformem”.

Em outra parte, Sharon, mãe da narradora, bate na porta da Sr. Rogers. Em um momento da conversa, para convencê-la a mudar o seu depoimento, Sharon diz: “ele é negro. Como nós”.

A cidade que te mostra o que você é. Quem você encontra no trabalho, o ônibus que te leva, o quanto tempo você leva pra chegar em casa, onde você encontra seus amigos. E, muitas vezes, é mais do que ser herói ou vilão.

*O Fora de Foco é blog parceiro da Cia das Letras

Podcast Fora de Foco #27 – Pink, Green e Vegan Washing, o que é? – Com Alexandre Martins

Olá….
Está no ar a 27a edição do podcast Fora de Foco.
O entrevista é o Alexandre Martins, que é pesquisador e nos explicou o que são os conceitos de pink, green e vegan washing e como Israel os usa para melhorar sua imagem na região e no mundo.
Então dê o play ae e fique esperto (a)

 

Podcast Fora de Foco #26 – Andrea Longobardi – Revolução cultural chinesa

Vortemos,

Nessa primeira edição do Podcast em 2019 a entrevistada foi a Andrea Longobardi que falou sobre revolução cultural chinesa.

Dê o play ae porque tem muita desinformação rolando sobre esse assunto por aí….