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Para o “Novo”, Brasil deve combater a pobreza e não a desigualdade de renda. Por que isso não faz sentido?

Na manhã desta segunda-feira (11) o economista, engenheiro, palestrante e pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República João Amoêdo, tuitou que o grande problema brasileiro não é a desigualdade de renda mas, sim, a pobreza.

O que queremos: combater a pobreza e não necessariamente a desigualdade. Somos, felizmente, diferentes por natureza.
O combate à pobreza de faz com o crescimento e com a criação de riqueza, e não com a sua distribuição.

Abaixo, um vídeo do professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP Vladimir Safatle, no evento da Revista Cult “o que foi feito?” que explica a incoerência desse discurso em um país como o Brasil.

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Vladimir Safatle: “A política hoje está nos extremos. E no Brasil nós só temos um extremo”

Em debate no espaço da Revista Cult, em São Paulo, Vladimir Safatle e Ruy Braga participaram do debate “o que foi feito”, para debater os caminhos e desafios da esquerda no Brasil

Por Bruno Pavan

Quatro eleições vencidas e um impeachment no final. A esquerda, capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores, parecia que havia conquistado um espaço definitivo no debate público brasileiro. De 2003 até 2014, milhões entraram no mercado consumidor, a crise de 2008 não passou de uma marolinha, o país recebeu Copa do Mundo e Olimpíadas em menos de dois anos e chegamos a ser a sexta maior economia do mundo.

Porém, o Brasil hoje vive uma crises políticas e econômicas sem precedentes e a classe baixa que ascendeu nos governos PT vê seus ganhos desmoronarem e são forçados a aceitarem trabalhos com condições precárias. Mas o que aconteceu?

O evento “O que foi feito?” aconteceu na última quinta-feira (30) no Espaço Cult, em São Paulo, convidou o filósofo Vladimir Safatle e o sociólogo Ruy Braga, ambos da USP, para debater os caminhos, os erros e como a esquerda pode voltar a ser propositiva no debate político nacional.

Capa do mais recente livro de Vladimir Safatle

Safatle, que lançou recentemente o livro “Só mais um esforço” (Ed. Três Estrelas) aponta que a esquerda hoje só apresenta um pensamento reativo diante dos desmontes trabalhista e do investimento público com a PEC do congelamento de gastos, mas não consegue propor nada novo.

“A esquerda nacional vende um pouco o cenário de uma situação de desespero. Então eles dizem ‘não dá pra parar, não dá pra pensar, não dá pra fazer nada, eles estão vindo daqui e dali, vão destruir tudo, depois a gente vê’. Isso nada mais é que uma estratégia quando você não tem estratégia”, criticou.

“Lulodependência é a tragédia da esquerda brasileira”

Capa do livro “A rebeldia do precariado”

Já Ruy Braga, que também lançou recentemente o livro “A rebeldia do precariado” (Ed. Boitempo), e que deu uma entrevista ao Podcast Fora de Foco aqui, critica muito a falta de rumos da esquerda brasileira, que pra ele não consegue mais propor nada ao país. Um dos principais motivos é uma espécie de “Sebastianismo do século XXI” no Braisl, o que ele chamou de “lulodependência”.

“Nós estamos perdendo a partida sem entrar em campo. A gente já entregou o ouro pro bandido, que é apostar em Lula 2018. Lula, ainda que concorra, concorrendo, ainda que vença, vencendo, ainda que seja capaz de governar, ele vai entregar mais do mesmo frustrando de maneira ainda mais radical as expectativas que foram criadas nesse período e que convergiu para sua eventual vitória. O modelo de desenvolvimento que o Lula vai esboçar é o PAC 3, é onde ele consegue chegar. Ele não é capaz de identificar no horizonte possível um modelo de desenvolvimento que rompa com isso, e mesmo se fosse capaz, os seus vistos políticos e as suas alianças espúrias bloqueariam”, apontou.

A frustração relativa dos Brasileiros

Mas por que, mesmo diante de um cenário de crise profunda, onde o presidente da República Michel Temer conta com 3% de aprovação dos brasileiros, não estamos vendo grandes massas nas ruas?

Para Safatle o que ocorre hoje no Brasil é uma espécie de “frustração relativa” onde a parte da população que ascendeu de classe social recentemente, vê seu poder de compra cair, a economia estagnar e  os empregos voltarem a ficar precarizados.

“Os piores momentos pra um governante é que aquele em que o país começa a se transformar, porque você produz um sistema de expectativas. Se esse sistema não se realiza, você pode ter certeza que vai ter que lidar com uma frustração três vezes maior, e nesses momentos os governos caem. Quem faz as revoluções nunca são as classes mais baixas, são as classes que começam a subir e depois percebem que não podem mais. Isso é uma reversão de expectativas em um prazo curtíssimo de tempo e é óbvio que isso geraria uma debacle geral e que mostra claramente a fragilidade institucional brasileira”, apontou.

“Hoje a política está nos extremos”

Uma análise mais superficial da realidade política internacional pode nos fazer acreditar que há uma forte onda conservadora no mundo todo. Podemos, facilmente, recuperar os exemplo da saída da Grã-Bretanha da União Europeia e a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, ambas cercadas por um mote nacionalista conservador. Braga e Safatle, porém, apontam um outro tipo de explicação para esses fenômenos: as receitas políticas hoje se encontram cada vez mais nos dois extremos do espectro político.

Para Safatle, isso aconteceu desde a crise de 2008, onde governos tanto de centro-esquerda quanto de centro-direita repetiam as mesmas receitas que deram no colapso econômico mundial.

“Eu não diria que você vive uma onda conservadora no resto do mundo. Você vê a política indo para os extremos, que é outra coisa. Um exemplo era na Holanda. Durante todo o tempo a imprensa falava da “ascensão irresistível” do protofascismo holandês. Quando chegou nas eleições, a esquerda radical quase toma o poder. Porque pra imprensa é muito melhor você criar essa ilusão de que “olha, está vendo, eles estão vindo” então você inventa uma espécie de figura de centro liberal pra dizer: não dá pra  gente ficar discutindo muito, tem que ser esse aqui mesmo. É o modelo francês que vê o fascismo chegando e diz que o povo tem que aceitar uma figura de centro totalmente insípida, inodora e incolor mas que vence pelo medo. Mas lá o candidato da extrema esquerda (Jean-Luc Mélenchon) ficou com cerca de 20% (A candidata da direita Marine Le Pen teve 21,7% contra 19,5% de Mélenchon). O que aconteceu na Inglaterra, o partido trabalhista (sob liderança do radical Jeremy Corbyn) moribundo que por muito pouco não formou governo. Então, por tudo isso, hoje a política só existe nos extremos. O problema brasileiro é que hoje só existe um extremo”, conjecturou.

Braga usou o tempo em que viveu nos EUA, entre 2015 e 2016, para lembrar da pré-candidatura do democrata Bernie Sanders. Socialista e com base no sindicalismo, nos jovens universitários e no movimento negro, Sanders, para Braga, poderia ter vencido Trump nas eleições.

“Se você olhar hoje no mundo, as experiência de esquerda que são bem sucedidas são as apostaram em uma radicalização do projeto político. Eu estava nos EUA e acompanhei um pouco o fenômeno do Bernie Sanders. Eu arriscaria que hoje nós somos ameaçados por um louco na Presidência dos EUA porque o Partido Democrata sistematicamente bombardeou o Sanders em favor da Hillary Clinton. Existem muitos estudos mostrando que a vitória do Trump não foi assegurada por uma onda conservadora que o inundou de votos, mas, sim, pelos democratas que não se dignaram a ir votar na Hillary Clinton. Se houvesse o Sanders como um anti-Trump, hoje nós estaríamos vivendo uma realidade política internacional na qual, pela primeira vez na história americana, um candidato autenticamente de esquerda estaria hoje no poder”, encerrou. 

O jovem Karl Marx: “A crítica da crítica da crítica”

Por Bruno Pavan

Contrariando o título do texto e talvez 100% dos guias de boas práticas jornalísticas, isso não é uma crítica ao filme “O Jovem Karl Marx”, dirigido por Raoul Peck, que foi indicado ao Oscar em 2017 pelo documentário “Eu não sou seu negro”.

Não se trata de uma crítica porque não tenho ambição de comentar um filme esteticamente. Não tenho nenhuma noção disso.

No começo da semana eu recebi um email da Boitempo Editorial me convidando para a pré-estréia do filme que havia visto, por meio de alguns comentários nas redes sociais, que tinha sido boicotado pela grande indústria do audiovisual. A informação, no entanto, é falsa. O filme estreará no dia 28 de dezembro, quando o outro velhinho barbudo que veste vermelho ainda estiver na sua viagem de volta a sua fábrica de brinquedos no Polo Norte, em salas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

A exibição desta sexta-feira (24) foi em um shopping na Avenida Paulista, às 10 da manhã. Eu, como morador de Interlagos, teria que sair bem cedo. E assim fiz. E em absurdas 1 hora e 30 minutos eu estava na frente do cinema. O Cinemark, que em dia de #RedFriday, virou Cinemarx (sobe a música da Praça é Nossa!).

No início do filme, duas cenas mostram os desvios pequenos-burgueses de Marx e Engels. A esposa do alemão, Jenny von Westphalen, acusa a funcionária que cuida de sua filha pequena de estar roubando a casa da família. Ao que Marx responde: “deixa ela roubar, estamos devendo dois meses de salário pra ela”.

A história de Engels é mais conhecida. Seu pai era dono de uma fiação em Manchester. Depois que uma das funcionárias perdeu o dedo por dormir em cima de uma máquina de tear e as funcionárias realizaram um motim, Engels se interessou por aquela situação e escreveu, em 1845, “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”.

Avançando até São Paulo de 2017, depois de ficar em pé em um ônibus lotado por 1h30, me permiti também a um desvio pequeno-burguês. Como cheguei antes da sessão começar, fui tomar um café. Na Starbucks. R$ 5,50 a xicrinha. Com direito a um mini-cookie. Do outro lado do corredor havia um outro lugar. Onde talvez eu devesse tomar o meu café com menos culpa: o Havana.

O filme também cumpre o objetivo de ser entretenimento. Como uma espécie de “informações de bastidores”, soubemos que Marx proferiu a sua célebre frase “os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo” depois de uma noitada de xadrez regada a muito goró com Engels. “Amigos nunca fiz bebendo chá”, reforçou, décadas depois, o filho de Jessé Gomes da Silva, o Zeca Pagodinho.

Zeca Pagodinho cachorro

Em outro momento, no início da aproximação de ambos com o anarquista francês Pierre Proudhon, fase em que Marx era crítico ferrenhos dos hegelianos, a dupla estava em dúvida sob qual seria o título do livro que estavam escrevendo. A esposa de Marx (que, como a de Engels, tem papel central na trama), os provocou dizendo que o livro deveria se chamar: “A crítica da crítica da crítica”. Na cena do rompimento deles com Wilhelm Wetling, o alemão aos alerta, não com essas palavras, mas que a crítica acaba dando a volta e comendo o próprio argumento. No fim, a sugestão da Sra Marx não foi aceita e a obra ficou conhecida como “A sagrada família”.   

O filme encerra a sua viagem em 1848, com o lançamento do Manifesto do Partido Comunista. Marx não queria escrevê-lo, estava cheio de escrever panfletos e já tinha, ao que tudo indica, ideia e pesquisa da sua obra definitiva: O Capital. Além do mais, estava querendo descansar. Ele foi convencido por Engels a deixar o descanso pra lá e embarcar no desafio de dizer a ao mundo pra que os comunistas vieram. “Depois descansaremos, como dois bons burgueses”, provocou.

Voltando um ano, em 1847, é contado como os comunistas deram um passo essencial para lançar no ar o “espectro que ronda a Europa”. Engels, sob protesto de parte dos participantes, sobe ao palanque para discursar no congresso da então Liga dos Justos, em Londres. O grupo atuava sob o lema, que hoje chamaríamos de desconstruidão “Todos os homens são irmãos”. Engels substitui esse lema pelo famoso “Proletários de todo o mundo, uni-vos”. Os Justos se tornam, então, comunistas.

Ao final da sessão, a Black Friday nos aguardava do lado de fora. Tudo convidava ao consumo, já que tudo parecia estar em promoção. Eu, faminto, quase fui seduzido por um anúncio do Monarca do Hambúrguer, chamado por aqui de Burguer King, que me prometia um lanche, um refrigerante e um balde de batatas fritas (com DOIS SACHÊS de maionese) por R$ 19,90. Declinei do convite. Acabei pagando R$ 2,50 no brasileiríssimo (mas não muito) Torcida sabor cebola. Nunca é tarde para a auto-crítica.

Jessé Souza e a “esquerda Oslo” brasileira

O sociólogo e professor da UFABC Jessé Souza lançou seu novo livro “A elite do atraso – Da escravidão à Lava Jato” na última terça-feira (31) na livraria Tapera Taperá em São Paulo.

Em certa parte de sua fala ele explica o que é a “esquerda Oslo” brasileira. Trata-se da parcela da classe média progressista e liberal, mas que encara os problemas sociais como se fossem escandinávos.

Assista o vídeo abaixo:

Podcast Fora de Foco #13 – Belchior – Apenas um rapaz latino-americano

Está no ar a décima terceira edição do podcast Fora de Foco. Nessa edição o entrevistado é o jornalista e escrito Jotabê Medeiros que fala sobre seu livro “Belchior – Apenas um rapaz latino-americano” lançado pela editora Todavia (Aqui para comprar)

Abaixo a lista de músicas que foram utilizadas no programa

Podcast Fora de Foco #12 – Somália

Em edição especial, o Podcast Fora de Foco traz um programa com a professora do Instituto de Relações Internacionais da PUC-RJ Marta Fernández para entender melhor o que acontece na Somália.

Link para matéria da Rede Brasil Atual com a professora aqui: http://www.redebrasilatual.com.br/mundo/2017/10/atentado-na-somalia-e-resultado-de-conflito-historico-e-alianca-com-eua

Link para a última edição do Podcast do Xadrez Verbal aqui: https://xadrezverbal.com/2017/10/20/xadrez-verbal-podcast-116-somalia-venezuela-e-energia-limpa/

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PODCAST FORA DE FOCO #11 – Estado pós-democrático

Saiu a 11a edição do meu, do seu, do nosso Podcast Fora de Foco!
Dessa vez se trata de uma entrevista com o juíz do TJ do Rio de Janeiro Rubens Casara sobre seu novo livro Estado pós-democrático – neo-obscurantismo e gestão dos indesejáveis (Ed. Civilização Brasileira)

Esquerda precisa lutar contra o neototalitarismo, o populismo e o adesismo, diz Ruy Fausto

Ocorreu na última terça-feira (9) no livraria Martins Fontes em São Paulo o debate sobre o livro “Caminhos da esquerda”, do professor emérito da USP Ruy Fausto, lançado pela Companhia das Letras. O evento também contou com a presença do deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ).

Foram discutidos muitos pontos como quando aconteceu a crise da esquerda no Brasil e no mundo e o que será preciso fazer para a reorganização do campo progressista após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. Ou seja, como diz o próprio título do livro de Fausto, os caminhos da esquerda.

Para Fausto há três “doenças” principais da esquerda. O neo-totalitarismo, o populismo ou o patrimonialismo e o adesismo.

O neo totalitarismo, para Fausto, mora em manifestações de apoio a pensadores ortodoxos como o filósofo italiano Domênico Losurdo, que esteve no Brasil recentemente para as comemorações dos 100 anos de revolução russa. “Dizem que a revolução russa acabou com isso e com aquilo, sim, acabou mas colocou algo pior no lugar. A gente vê o (Antonio) Negri querendo fundar um novo leninismo, isso acabou, está morto e enterrado, não tem nenhum futuro”, criticou.

Já no campo do adesismo, ou seja, de abrir mão de seus ideiais para “seguir na onda” da política tradicional, Fausto dá os exemplos do ex-presidente Fernando henrique Cardoso, que na visão dele migrou da centro-esquerda para a centro-direita, e o PPS, que era o antigo PCB, e que saiu da extrema-esquerda e vai para a política dominante.

A terceira doença, o populismo, o professor identifica nas discursos a favor do governo venezuelano de Nicolas Maduro, que identifica tanto na esquerda brasileira, nas vozes de Gleisi Hoffman e em alguns quadros do PSOL, quanto na esquersa mundial, principalmente na figura de Jean-Luc Melenchon que ficou em quarto lugar nas eleições presidenciais francesas em 2017 com 19% dos votos.

A saída é uma esquerda mais moderna

O deputado Alessandro Molon também estava presente no evento e apontou a necessidade de se formar no Brasil um esquerda com pautas mais modernas, preocupada, sobretudo, com a desigualdade social mas sem esquecer da defesa da democracia.

“Dentro desse espector de uma esquerda democrática, há um vácuo no Brasil que ninguém conseguiu ocupar. Nem a Rede, partido da qual eu faço parte, conseguiu ocupar esse espaço. O PT deveria estar preocupado em fazer uma autocrítica honesta mas não está fazendo e os que se preocupam em fazer dizem que o partido errou porque não foi esquerda o suficiente. Eu não acho que esse seja o diagnóstico correto”, afirmou.

Ter um discurso contundente contra a corrupção também foi apontado tanto por Fausto quanto por Molon como algo essencial para que a esquerda brasileira possa ressurgir com força. O deputado fez menção a um artigo publicado no site justificando intitulado “Esquerda fashion punitivista” que fazia críticas e ele e ao senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) por defender publicamente o ex-procurador geral da república Rodrigo Janot e o Procurador da República Deltran Dellagnol e suas atuações na operação Lava Jato.

“Quanto à ideologia, a esquerda ‘fashion’ punitivista acaba sendo mais daninha ao avanço das liberdades democráticas do que os deletérios personagens da direita, justamente porque confundem a população e, com isso, contribuem para consolidar personagens que extrapolam suas funções institucionais, em clara afronta ao papel constitucional que deveriam exercer. A contradição que não percebem é que ao incentivar a exaltação política de autoridades do MP e do Judiciário, contribuem para a completa ausência de controle do poder punitivo”‘, apontou o advogado Patrick Mariano (Clique aqui para ler o artigo na íntegra)

“É claro que o combate à corrupção não pode ser um fim em si mesmo, mas eu não consigo entender, honestamente, quem diz que agora estão tentando usar o discurso garantista contra a seletividade penal pra dizer que quem é de esquerda não pode achar bom que as pessoas estão sendo descobertas e respondendo aos crimes que praticaram. É um negócio inacreditável isso! Durante anos a esquerda que estuda seletividade penal disse que o sistema penal foi feito pra prender pobre e negro, o que é corretíssimo. Mas quando começa a pegar o andar de cima você diz ‘não, nós somos contra cadeia’. Então a gente é contra o quê? Me parece que temos aqui um problema de igualdade também, mas não só social como republicana, de que maneira o estado trata cada um”, respondeu o deputado.

Sobre a polêmica com Marilena Chauí: “alguém precisava ter feito a crítica”

Na revista Piauí de número 121, de outubro de 2016, o professor  Ruy Fausto assinou o artigo “reconstruir a esquerda”, uma espécie de pontapé inicial para o livro lançado menos de um ano depois. Como é de praxe da revista, os artigo são ilustrado por uma ilustração e, no caso desse, era uma desenho da professora da FFLCH-USP Marilena Chauí feliz representada como uma sereia tocando uma harpa. A imagem contrastava com um navio com uma bandeira do PT passando por uma tormenta e pessoas se afogando. Há também uma menção ao ex-presidente Lula no desenho.

A ilustração não era gratuita e vinha com uma passagem do texto de Fausto abaixo: “é preciso dizer: o discurso político de Marilena Chauí tem representado uma verdadeira catástrofe para a esquerda. Infelizmente, ela se mostra seduzida demais pelo aplauso dos auditórios”   

Um mês depois, a revista Cult traz um artigo de seis professores da USP intitulado “Um frágil diagnóstico sobre Marilena Chauí e esquerdas”, que respondia ao professor Ruy Fausto.  

Perguntado sobre a crítica feita, Fausto apontou que as intervenções políticas de Chauí são insuficientes e demagógicas e que se ele não fizesse as críticas. alguém teria que fazê-la.

“Eu fiz uma crítica bastante forte à Marilena porque primeiro o estilo de intervenção política dela é muito insuficiente e um pouco demagógico. A saída dela em torno da classe média foi extremamente infeliz, tanto que agora ela já se corrigiu. Ela também não fez a autocrítica que tinha que fazer ao PT. Eu escrevi aqueles artigos depois de um colóquio fez e que ela termina com um elogio do PT. Numa outra reunião que tivemos, quando se falou em autocrítica ele disse que era coisa de stalinista, isso é uma bobagem, a autocrítica que a gente está pensando não é a autocrítica dos processos de Moscou. Esse tipo de linguagem tinha que ser criticada. Com isso eu não quero desprezar os méritos dela como professora, e espero que ela continue participando dos debates, não sei, não a vi depois dessa discussão, mas acho que um dia teriam que fazer isso e eu fico contente em ter feito. Se eu pensasse um pouco mais talvez eu não fizesse porque enfrentar a Marilena na universidade é uma coisa de maluco. Se passou um pouquinho da medida eu não sei, mas eu tive que fazer”, encerrou.    

Podcast Fora de Foco #10 – A rebeldia do precariado

Está no ar a décima edição do podcast Fora de Foco!

Nesse programa o entrevistado foi o professor do departamento de sociologia da USP Ruy Braga. Ele falou se seu recente livro, lançado pela editora Boitempo, A Rebeldia do Precariado, onde analisa como os trabalhadores com cada vez menos direitos trabalhistas pelo mundo estão se organizando.

Podcast Fora de Foco #9 – Consenso e conflito na democracia contemporânea

A nona edição do Podcast Fora de Foco entrevistou o professor da Universidade de Brasília Luis Felipe Miguel, que falou sobre seu novo livro “Consenso e conflito na democracia contemporânea”