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Esquerda precisa lutar contra o neototalitarismo, o populismo e o adesismo, diz Ruy Fausto

Ocorreu na última terça-feira (9) no livraria Martins Fontes em São Paulo o debate sobre o livro “Caminhos da esquerda”, do professor emérito da USP Ruy Fausto, lançado pela Companhia das Letras. O evento também contou com a presença do deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ).

Foram discutidos muitos pontos como quando aconteceu a crise da esquerda no Brasil e no mundo e o que será preciso fazer para a reorganização do campo progressista após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. Ou seja, como diz o próprio título do livro de Fausto, os caminhos da esquerda.

Para Fausto há três “doenças” principais da esquerda. O neo-totalitarismo, o populismo ou o patrimonialismo e o adesismo.

O neo totalitarismo, para Fausto, mora em manifestações de apoio a pensadores ortodoxos como o filósofo italiano Domênico Losurdo, que esteve no Brasil recentemente para as comemorações dos 100 anos de revolução russa. “Dizem que a revolução russa acabou com isso e com aquilo, sim, acabou mas colocou algo pior no lugar. A gente vê o (Antonio) Negri querendo fundar um novo leninismo, isso acabou, está morto e enterrado, não tem nenhum futuro”, criticou.

Já no campo do adesismo, ou seja, de abrir mão de seus ideiais para “seguir na onda” da política tradicional, Fausto dá os exemplos do ex-presidente Fernando henrique Cardoso, que na visão dele migrou da centro-esquerda para a centro-direita, e o PPS, que era o antigo PCB, e que saiu da extrema-esquerda e vai para a política dominante.

A terceira doença, o populismo, o professor identifica nas discursos a favor do governo venezuelano de Nicolas Maduro, que identifica tanto na esquerda brasileira, nas vozes de Gleisi Hoffman e em alguns quadros do PSOL, quanto na esquersa mundial, principalmente na figura de Jean-Luc Melenchon que ficou em quarto lugar nas eleições presidenciais francesas em 2017 com 19% dos votos.

A saída é uma esquerda mais moderna

O deputado Alessandro Molon também estava presente no evento e apontou a necessidade de se formar no Brasil um esquerda com pautas mais modernas, preocupada, sobretudo, com a desigualdade social mas sem esquecer da defesa da democracia.

“Dentro desse espector de uma esquerda democrática, há um vácuo no Brasil que ninguém conseguiu ocupar. Nem a Rede, partido da qual eu faço parte, conseguiu ocupar esse espaço. O PT deveria estar preocupado em fazer uma autocrítica honesta mas não está fazendo e os que se preocupam em fazer dizem que o partido errou porque não foi esquerda o suficiente. Eu não acho que esse seja o diagnóstico correto”, afirmou.

Ter um discurso contundente contra a corrupção também foi apontado tanto por Fausto quanto por Molon como algo essencial para que a esquerda brasileira possa ressurgir com força. O deputado fez menção a um artigo publicado no site justificando intitulado “Esquerda fashion punitivista” que fazia críticas e ele e ao senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) por defender publicamente o ex-procurador geral da república Rodrigo Janot e o Procurador da República Deltran Dellagnol e suas atuações na operação Lava Jato.

“Quanto à ideologia, a esquerda ‘fashion’ punitivista acaba sendo mais daninha ao avanço das liberdades democráticas do que os deletérios personagens da direita, justamente porque confundem a população e, com isso, contribuem para consolidar personagens que extrapolam suas funções institucionais, em clara afronta ao papel constitucional que deveriam exercer. A contradição que não percebem é que ao incentivar a exaltação política de autoridades do MP e do Judiciário, contribuem para a completa ausência de controle do poder punitivo”‘, apontou o advogado Patrick Mariano (Clique aqui para ler o artigo na íntegra)

“É claro que o combate à corrupção não pode ser um fim em si mesmo, mas eu não consigo entender, honestamente, quem diz que agora estão tentando usar o discurso garantista contra a seletividade penal pra dizer que quem é de esquerda não pode achar bom que as pessoas estão sendo descobertas e respondendo aos crimes que praticaram. É um negócio inacreditável isso! Durante anos a esquerda que estuda seletividade penal disse que o sistema penal foi feito pra prender pobre e negro, o que é corretíssimo. Mas quando começa a pegar o andar de cima você diz ‘não, nós somos contra cadeia’. Então a gente é contra o quê? Me parece que temos aqui um problema de igualdade também, mas não só social como republicana, de que maneira o estado trata cada um”, respondeu o deputado.

Sobre a polêmica com Marilena Chauí: “alguém precisava ter feito a crítica”

Na revista Piauí de número 121, de outubro de 2016, o professor  Ruy Fausto assinou o artigo “reconstruir a esquerda”, uma espécie de pontapé inicial para o livro lançado menos de um ano depois. Como é de praxe da revista, os artigo são ilustrado por uma ilustração e, no caso desse, era uma desenho da professora da FFLCH-USP Marilena Chauí feliz representada como uma sereia tocando uma harpa. A imagem contrastava com um navio com uma bandeira do PT passando por uma tormenta e pessoas se afogando. Há também uma menção ao ex-presidente Lula no desenho.

A ilustração não era gratuita e vinha com uma passagem do texto de Fausto abaixo: “é preciso dizer: o discurso político de Marilena Chauí tem representado uma verdadeira catástrofe para a esquerda. Infelizmente, ela se mostra seduzida demais pelo aplauso dos auditórios”   

Um mês depois, a revista Cult traz um artigo de seis professores da USP intitulado “Um frágil diagnóstico sobre Marilena Chauí e esquerdas”, que respondia ao professor Ruy Fausto.  

Perguntado sobre a crítica feita, Fausto apontou que as intervenções políticas de Chauí são insuficientes e demagógicas e que se ele não fizesse as críticas. alguém teria que fazê-la.

“Eu fiz uma crítica bastante forte à Marilena porque primeiro o estilo de intervenção política dela é muito insuficiente e um pouco demagógico. A saída dela em torno da classe média foi extremamente infeliz, tanto que agora ela já se corrigiu. Ela também não fez a autocrítica que tinha que fazer ao PT. Eu escrevi aqueles artigos depois de um colóquio fez e que ela termina com um elogio do PT. Numa outra reunião que tivemos, quando se falou em autocrítica ele disse que era coisa de stalinista, isso é uma bobagem, a autocrítica que a gente está pensando não é a autocrítica dos processos de Moscou. Esse tipo de linguagem tinha que ser criticada. Com isso eu não quero desprezar os méritos dela como professora, e espero que ela continue participando dos debates, não sei, não a vi depois dessa discussão, mas acho que um dia teriam que fazer isso e eu fico contente em ter feito. Se eu pensasse um pouco mais talvez eu não fizesse porque enfrentar a Marilena na universidade é uma coisa de maluco. Se passou um pouquinho da medida eu não sei, mas eu tive que fazer”, encerrou.    

Podcast Fora de Foco #10 – A rebeldia do precariado

Está no ar a décima edição do podcast Fora de Foco!

Nesse programa o entrevistado foi o professor do departamento de sociologia da USP Ruy Braga. Ele falou se seu recente livro, lançado pela editora Boitempo, A Rebeldia do Precariado, onde analisa como os trabalhadores com cada vez menos direitos trabalhistas pelo mundo estão se organizando.

Podcast Fora de Foco #9 – Consenso e conflito na democracia contemporânea

A nona edição do Podcast Fora de Foco entrevistou o professor da Universidade de Brasília Luis Felipe Miguel, que falou sobre seu novo livro “Consenso e conflito na democracia contemporânea”

Podcast Fora de Foco #8 – Por que o brasileiro não protesta contra o governo Michel Temer?

Saiu a oitava edição do Podcast Fora de Foco.

Jessé Souza, Leonardo Isaac Yarochewsky, Leda Paulani e Marcia Tiburi discutem os motivos que a população não está nas ruas contra a corrupção do governo Michel Temer.

Podcast Fora de Foco #7 – Tancredo neves – O príncipe Civil


No ar a sétima edição do Podcast Fora de Foco.

A entrevista dessa vez é com o jornalista Plínio Fraga, autor da biografia Tancredo neves – O príncipe civil

Podcast Fora de Foco #6 – Uberização dos processos de trabalho

Está no ar a sexta edição do Podcast Fora de Foco.

Hoje o assunto é o processo de uberização nos processos de trabalho, que foi alvo de debate no III São do Livro Políltico que aconteceu no Teatro da Universidade Católica (TUCA) em São Paulo nos dias 5, 6, 7 e 8 de junho de 2017.

Os debatedores foram a professora de autora do livro “Sem Maquiagem – O trabalho de 1 milhão de revendedora de cosméticos” pela editora Boitempo (aqui para comprar), em que ela analisou as revendedores dos produtos da Natura, uma espécie de primórdios do que chamamos hoje de uberização.

Outro debatedor foi o mestre em direito e economia política pela Universidade de Turim Rafael Zanatta, que também atua no Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) e traduziu o livro cooportatismo de plataforma, da Autonomia literária e Editora Elefante. (Aqui para comprar e aqui para baixar em PDF)

Para falar sobre o sistema da rating, ou seja, de avaliação nesses aplicativos, quem falou foi a especialista em direito digital Maria Cecília Oliveira Gomes.

Podcast Fora de Foco #5 – Era Marx ecologista?

Saiu a quinta edição do Podcast Fora de Foco!!!
Baseada na palestra “Era Marx ecologista”, realizada pela Tapera Taperá na última segunda-feira (22) e que reuniu três professores para falarem sobre o livro “Os Despossuídos”.
No livro, Marx discute a questão da propriedade privada através de uma série de roubos de madeira que estavam acontecendo na região do vale do Mosela, na Alemanha.
Os professores Luis Marques, José Correa Leite e Camila Moreno discutem, entre outras coisas, quando foi que o marxismo moderno se distanciou na ecologia e as ferramentas do capitalismo para se vestir de verde e transformar a luta ambiental em algo lucrativo

 

Podcast Fora de Foco #4 – Coreia do Norte

Está no ar a quarta edição do podcast Fora de Foco.

Dessa vez a entrevistada é a professora da UFRGS Analúcia Danilevicz Pereira, coautora do livro “A revolução Coreana – O desconhecido socialismo Zuche”.

Para ela somente um cálculo muito mal feito por parte dos norte-americanos faria com que houvesse um ataque a Coreia do Norte, já que interesses da China e da Rússia seriam atingidos.

Podcast Fora de Foco#3 – “Os Donos do Capital: a trajetória das principais famílias empresariais do capitalismo brasileiro” – Entrevista com o professor Pedro Henrique Pedreira Campos

A terceira edição do podcast Fora de Foco está no ar!

O entrevistado da semana é o professor do departamento de economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Pedro Henrique Pedreira Campos, que fala sobre seu novo livro “Os Donos do Capital: a trajetória das principais famílias empresariais do capitalismo brasileiro”, que será lançado pela editora Autografia, no próximo dia 27 de Abril, na livraria oito e meio, no bairro do Flamengo (RJ).

Na conversa, Campos explica algumas particularidades do capitalismo brasileiro, que não nasce do feudalismo mas, sim, da escravidão. Também faz críticas ao que ele chama de desmonta da indústria brasileira com a Lava Jato e usa o exemplo dos escândalos envolvendo a Wolksvagem na Alemanha para dizer que os executivos das empresas merecem ser punidos, mas as empresas não podem pagar o preço por esses desvios.

 

Podcast Fora de Foco #2 – Sociedade Black Mirror parte 1

A segunda edição do Podcast Fora de Foco fala sobre a aula do professor de criminologia da USP Mauricio Dieter “Novas tecnologias de controle e a espetacularização da punição”. Essa foi a primeira aula do curso “Sociedade Black Mirror” realizado no Centro de Formação e Pesquisa do SESC SP.

Os episódios retratados são: White Bear, White Christmas e Hated of nation.