Ao contrário da bravata de Bolsonaro, Brasil terá que proteger terras indígenas por acordo com União Européia

Além disso, país terá que ficar no acordo climático de Paris

Por Bruno Pavan

Durante a campanha, Jair Bolsonaro disse que em seu governo não teria “um milímetro” de Terra Indígena demarcada. 

Após eleito, saiu derrotado na Congresso Nacional quando quis mudar o órgão que demarcaria as terras: da Funai para o Ministério da Agricultura. “Quem demarca terra indígena sou eu”, disse.

A União Europeia, no entanto, não vê por esse lado

Pacto com UE obriga Brasil a ficar no Acordo de Paris e proteger índios

 

Para entrar na turma da União Européia, o governo, pra variar, terá que respeitar a Constituição.

Queda de braço da direita nas ruas

Protesto marcado para esse domingo, por quento, não conta com o entusiasmo de quem foi pras ruas no último dia 26

Por Bruno Pavan

Você sabia que no próximo domingo (30) terão protestos pelo Brasil? É isso mesmo, o Movimento Brasil Livre (MBL) que foi chamado de “tonto” pelo ex-juiz e atual Ministro Sergio Moro em uma das mensagens vazadas pelo The Intercept, está organizando um ato em favor da operação. 

Se você não viu nada em lugar nenhum, fique tranquilo, você teria mesmo que se esforçar muito pra isso. 

Diferente da manifestação do último dia 26 de maio, de apoio ao governo, o MBL, que foi o maior mobilizador das multidões que foram as ruas contra a ex-presidenta Dilma Rousseff e o PT, tem tido dificuldades para se comunicar dessa vez. O fato deles terem ficado de fora do primeiro protesto, gerando a acusação de serem comunistas por simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro, pode ter prejudicado o sucesso dos atos.

Ao contrário dos protestos do mês passado, quando disse que iria e não foi, mas o fez ficar em voga durante toda a semana na imprensa, Bolsonaro está no Japão uma hora dessas, na cúpula do G20, e, apesar de também ter passado vergonha e querendo vender bijuterias de nióbio, conseguiu fechar o acordo da União Europeia com o Mercosul.

O maior homenageado nem no Brasil está. O Ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro está numa misteriosa viagem (ele não tem nem agenda oficial) aos Estados Unidos bem na semana que iria se explicar na Câmara dos Deputados.

O editor chefe do The Intercept Brasil Gleen Greenwald não fugiu a foi a Câmara nesta semana. Diante de um shoe de homofobia, onde deputados tinham uma dificuldade latente em chamar seu Marido, o também deputado David Miranda de MARIDO, ele disse para o deputada Carla Zambelli que ela iria se arrepender de pedir para ouvir os áudios das conversas de Moro (ainda não publicados). 

Mas o principal fator do futuro fracasso das manifestações aconteceu na última terça-feira (25) quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por deixar o ex-presidente Lula preso até, pelo menos, agosto. 

Como numa reviravolta em um roteiro pacato e modorrento de um filme de herói, seria muito mais saudável à manifestação de domingo se Lula fosse solto. Os pixulecos se encheriam de ar novamente e as pessoas estariam motivadas a retornar às ruas, menos de um mês depois da última manifestação. 

A verdade hoje é que a Lava Jato está nas mãos da direita e extrema-direita do país. Desde que Moro aceitou ser ministro de Bolsonaro, quem a defendia por ser apartidária já ficou com uma pulga atrás da orelha. Ainda assim, Moro é o ministro mais popular do governo Bolsonaro, o que reforça a tese de ter virado um personagem da extrema direita brasileira.

O colunista da Folha de S. Paulo Celso Rocha de Barros, em coluna no último dia 24/06, apontou que “a Vaza Jato torna mais fácil para o Presidente da República fazer o que sempre quis fazer com o ministro da Justiça: reduzi-lo a um tamanho que ainda faça bela figura em seu ministério sem, entretanto, tornar-se um rival na eleição presidencial de 2022.”

(Opinião parecida com a desse blog aqui )

Por fim, o próximo domingo vai mostrar a força de uma direita que quer se afastar do governo Jair Bolsonaro. O MBL preferiu ficar de fora dos protestos do dia 26 de maio, que não foram um estrondoso sucesso, mas também não foram um fracasso. Eles agora estão na linha de frente de uma outra mobilização e querem marcar território na defesa da Lava Jato. Se não conseguir levar milhões às ruas, perdem a musculatura.

Maria Cristina Fernandes: Seis meses depois da posse, um Bolsonaro em queda joga para a plateia

Com reprovação recorde para um presidente recém eleito, governo joga na polarização mais radical

No Valor:

Seis meses depois da posse, um Bolsonaro em queda joga para a plateia

Com um governo de realizações pontuais e de forte apelo ideológico, presidente busca recuperar apoio popular, mais uma vez, em uniforme de campanha

 

Leia também – Santos Cruz sobre ala olavista do governo: “teria que baixar muito o nível de palavreado para falar dessas pessoas”

Santos Cruz sobre ala olavista do governo: “teria de baixar muito o nível do palavreado ao falar destas pessoas”

Ex-ministro teria sido demitido por divergências nas distribuição de verbas de comunicação

Por Bruno Pavan

Em entrevista coletiva no 14º Congresso da Associação brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) o ex-ministro da Secretaria de Governo e general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz criticou o governo Bolsonaro e disse que: a quantidade de dinheiro “jogada no ralo é impressionante”.

Santos Cruz evitou de falar sobre a chamada “ala olavista”, ligada ao astrólogo Olavo de Carvalho, mas deu uma alfinetada. “Teria de baixar muito o nível do palavreado ao falar destas pessoas”.

O General cuidava, entre outras coisas, da distribuição de verbas de comunicação do governo. De acordo com O Globo, a divergência dele com o chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) Fabio Wajngarten, homem ligado a Carlos Bolsonaro e ao próprio Olavo, sobre financiamento com dinheiro público de blogs, sites e youtubers apoiadores do governo foi o principal motivo da demissão.

— Fábio quer promover esses blogueiros e sites, distribuir recursos, e Santos Cruz era contra. O embate ficou forte e somou-se a outras discordâncias. A convivência estava muito difícil — comentou uma das fontes consultadas pelo Globo.

Heleno manda França e Alemanha “procurarem a sua turma”. Que o Brasil não faz parte

Angela Merkel e Emmanuel Macron cobram política ambiental do governo

Por Bruno Pavan

O presidente Jair Bolsonaro está em Osaka para a reunião do G20 (encontro das 20 maiores economias do mundo).

A viagem já começou “turbulenta”, com o caso do avião pesidencial reserva que foi pego com 39 kg de cocaína em Sevilha, na Espanha. Essa quantidade de droga vale aproximadamente 2 milhões de euros. 

O sargento da Aeronáutica preso, Manoel Silva Rodrigues, foi chamado de “mula de luxo” pelo vice-presidente Hamiltom Mourão.

A vida de Bolsonaro não ficou mais fácil quando pouco no Japão. De olho em uma vaga na OCDE e fazendo dobradinha com Donald Trump nos Estados Unidos, o governo tomou dois puxões de orelha de Alemanha e França por conta de políticas ambientais adotadas. 

“Vejo com preocupação as ações do presidente brasileiro [sobre o desmatamento], e se a oportunidade surgir no G20 pretendo ter uma conversa clara com ele”, disse a chanceler Alemã Angela Merkel.

Um acordo da União Europeia com o Mercosul está no horizonte já a algum tempo. O grupo europeu chamou o acordo de “prioridade número um” já Bolsonaro declarou que ele pode ser assinado “logo”. 

O presidente francês Emmanuel Macron, porém, declarou que se o Brasil, a exemplo dos Estados Unidos, sair do acordo climático de Paris o grupo não poderá assinar o acordo.

“Se o Brasil deixar o acordo de Paris, até onde nos diz respeito, não poderemos assinar o acordo comercial com eles. Por uma simples razão. Estamos pedindo que nossos produtores parem de usar pesticidas, estamos pedindo que nossas companhias produzam menos carbono, e isso tem um custo de competitividade. Então não vamos dizer de um dia para o outro que deixaremos entrar bens de países que não respeitam nada disso”, disse.

Respondendo os dois principais líderes europeu na atualidade, o Ministro-Chefe de GSI, general Augusto Heleno, sugeriu que Macron e Merkel fossem “procurar a sua turma”. Pra quem quer entrar na turma da UE, não se trata de uma fala muito simpática.

“Estamos brigando por 20 centavos”, diz Alysson Mascaro

Professor acredita que o escândalo da Vaza Jato não dará em nada porque falta mobilização a esquerda

Por Bruno Pavan

O professor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco da USP Alysson Mascaro esteve, na última terça-feira (25) na livraria Tapera Taperá, no centro de São Paulo, para falar sobre a crise do capitalismo brasileiro e mundial.

Para ele, os recentes vazamentos da Operação Lava Jato, que mostra relações “pouco republicanas” do ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, não vão dar em nada muito por conta a esquerda brasileira não consegue mobilizar suas bases. 

“O resultado de 40 anos em que não falamos em socialismo, não falamos contra o capitalismo, é um povo que não tem mobilização. Saímos da ditadura sem mobilizar o povo. Vem essa mina de ouro da Vaza Jato e nós não soubemos fazer nada com isso. O Intercept pôs uma bola no meio do campo, tirou o goleiro e falou ‘chutem’. E nós não temos quem chutar. Nós temos tudo na mão pra chamar o povo, desemprego, gente com fome, gente com depressão, todo mundo é Uber, todo mundo entrega comida na esquina, e nós não temos mobilização”, disse.  

Para o professor, autor de “Estado e forma política” e “Crise e golpe” (Ed. Boitempo), a esquerda mundial passou por 40 anos com medo de “passar o traço” e questionar o sistema capitalista como um todo, a exemplo do que foi feito na comuna de Paris ou na revolução Soviética, e isso está custando caro hoje.  

“Quem tem fechado a conta nesses 40 anos é o capitalismo que diz: quem quiser sair dessa sociedade da mercadoria é totalitário. A esquerda é totalitária. Enquanto isso nós estamos brigando por 20 centavos, ao invés de questionar todo esse sistema e falar em socialismo. A luta é cada vez mais por migalhas, já que o banquete está cada vez menor. Nós nunca temos por horizonte passar a régua em nosso tempo histórico e falarmos de capitalismo e superação de capitalismo. Estamos falando que a democracia acabou, o STF nos envergonha e Lula Livre, com a ideia de que quando o Lula sair da prisão da prisão nós vamos mobilizar forças o suficiente para engatar uma certa continuidade das lutas históricas. A única coisa que não está em tema é, efetivamente, o capitalismo”, encerrou.

Veja o debate na íntegra:

Com crise, mais de 100 mil vivem nas ruas e São Paulo

Na Folha

Em três anos, o total de pessoas abordadas como moradores de rua na cidade de São Paulo quase dobrou.

Ao longo de todo o ano passado, assistentes sociais municipais abordaram cerca de 105,3 mil pessoas nas calçadas da cidade, de acordo com a base de dados disponibilizada no site da prefeitura. Esse número é 66% maior do que a quantidade de pessoas abordadas na mesma situação em 2016, quando foram contabilizados 63,2 mil indivíduos, e 88% acima da de 2015.

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A autocensura na imprensa: quem quer ser mais governo que o governo?

A censura tão “combatida”  nos anos petistas desfila incólume no governo Bolsonaro

Por Bruno Pavan

O PT foi por muitos anos chamado de “bolchevique” ou “bolivariano” por grande parte da imprensa brasileira. Projetos como o da democratização da mídia no Brasil não podia sair da boca do governo que a pecha de “censura” era colada na medida, ignorando que e países desenvolvidos como na Inglaterra, há a tal da lei regulamentando os meios de comunicação. 

Diversos jornalista fizeram a fama como críticos dos governos Lula e Dilma. Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e, mais recentemente, Marco Antonio Villa. Do outro lado estavam os “sujos” como foram batizados pelo ex-governador e ex-candidato à Presidência da República José Serra. Paulo Henrique Amorim, Luiz Nassif e Renato Rovai eram a tropa de choque pra lá de mambembe (não pela capacidade como jornalistas, mas pela capacidade financeira mesmo) do governo. 

Franklin Martins deixou a secretaria de comunicação social do governo Lula, mas deixou um presente na gaveta: a tal da lei de democratização da mídia. Seu sucessor, Paulo Bernardo, o deixou por lá mesmo, descansando e a presidenta Dilma Rousseff sepultou o projeto dizendo que o controle da mídia era o remoto. 

Anos se passaram e a tal da censura nunca foi nada mais do que um monstro debaixo da cama. Até que veio a eleição de 2018. Jair Bolsonaro venceu, impondo a quinta derrota consecutiva do candidato natural da elite financeira do país. Em um segundo turno entre Bolsonaro e Fernando haddad, o Estado de S. Paulo, em editorial, apontou que o brasileiro estava diante de uma “difícil escolha”. 

 Bolsonaro tomou posse e travou guerra contra a Rede Globo e a Folha e S. Paulo. Em uma campanha baseada em mentiras circuladas pelo WhatsApp (alô, alô TSE), levou seus primeiros seis meses de governo apostando no acirramento da polarização do país. E os jornalistas foram os primeiros a estrarem na mira do capitão. 

Ontem (24) a Record TV anunciou o afastamento do jornalista Paulo Henrique Amorim da revista eletrônica “Domingo Espetacular”. Amorim mantém seu blog, Conversa Afiada, com o posicionamento claramente à esquerda. Na Record, porém, sempre se manteve neutro. O afastamento súbito levantou suspeitas de que a TV cedeu a pressão do governo Jair Bolsonaro pela sua cabeça. Não entregou a cabeça, mas o colocou na geladeira.  

Já do lado direito do ringue, o estrago foi ainda maior. Só na Rádio Jovem Pan, notória emissora conservadora de São Paulo, já aconteceram dois cortes repentinos. O primeiro foi o do humorista e jornalista Marcelo Madureira, ainda durante o segundo turno das eleições do ano passado. Madureira não cravou em nenhum momento que sua demissões tivesse sido política mas, na época, declarou que ficou com a “pulga atrás da orelha”. A Pan não parou por aí. O historiador e ruidoso Marco Antonio Villa também foi afastado no final do mês de maio sem nenhuma justificativa pela direção da emissora. também nesta segunda-feira (24) anunciou a sua saída definitiva da emissora.

O ponto em comum das duas demissões foram críticas feitas ao presidente Jair Bolsonaro. Madureira, ainda durante o segundo turno presidencial, assinou um manifesto chamado “Democracia, sim”, que se colocava contra a candidatura do então deputado. Já Villa criticava a postura de Bolsonaro seguidamente desde a posse. Chegou a chamá-lo de “embusteiro” e que incentivava “atos neonazistas”, como os protestos a favor do governo do último dia 26 de maio.

O jornalismo da Pan é comandado por Felipe Moura Brasil desde o início de 2019. Notório direitista, ajudou a organizar o livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, do guru do governo Olavo de Carvalho. A deputada Joice Hasselmann, umas da líderes do governo na Câmara dos Deputados, também brilhou por muito tempo na emissora antes de pular para o outro lado do balcão. É clara a estratégia da emissora de ser uma porta voz do atual governo. Tanto que uma de suas estrelas é o Youtuber Caio Copolla que convocou pessoalmente os protestos a favor do governo. 

A mais nova vilã do governo é Rachel Sheherazade. A Jornalista que já disse publicamente concordar com justiceiros que amarraram uma criança acusada de roubo no poste para ser agredida, também passou a ser crítica de Bolsonaro. Foi que o que bastou para Luciano Hang (A.K.A Véio da Havan) pedir a cabeça da jornalista. Ela já não é tão a direita assim. Sheherazade postou no Instagram “não vou me censurar para confortar a sua ignorância”. Hang respondeu citando Cuba (eles só pensam naquilo). Ela fica. Por enquanto. 

A estratégia de comunicação do governo também não passa nem perto do jornalismo sério. Basta analisar as “entrevistas” que Bolsonaro deu para Programa do Ratinho e para o Superpop defendendo a reforma da previdência. As aspas são porque de entrevista não tem nada. Ratinho e Luciana Gimenez foram contratados para defender a reforma, incluindo a conversa de comadres, com perguntas combinadas anteriormente. Ratinho, inclusive, acabou de comprar uma rádio em São Paulo. A Jovem Pan terá concorrência na bajulação.    

Por outro lado, parece que o desejo do Estadão em seu editorial de “pacificação” de país está tomando corpo. Mônica Bergamo (Folha de S. Paulo) e Fábio Pannunzio (Bandeirantes) se solidarizaram com Paulo Henrique Amorim, Sheherazade e Villa. Direita e esquerda unidas cantando “we are the world”. 

Nos seis meses de governo Bolsonaro ficou claro que ninguém melhor censura a imprensa brasileira do que a própria imprensa brasileira.