O equilíbrio da gangorra ideológica

Por Bruno Pavan

Sempre gostei de política. Me divertia quando pequeno assistindo ao horário político. Na campanha de 1989, cantarolava o jingle de Brizola. Dessas coisas que os bebês fazem.

 

Me descobri um cara de esquerda tardiamente, na faculdade. Ninguém da minha família é de esquerda. Depois disso, meu interesse pela política só aumentou, me fazendo um insistente esmurrador de ponta de faca.

 

Desde então, fui um defensor do governo Lula e de toda a mudança social que este promoveu no país. Também fui eleitor e sou defensor do governo Dilma Rousseff.

 

A maturidade e a informação, no entanto, riscaram o pavio da minha mente e tiraram algumas coisas do lugar.

 

Fácil é cair num vazio ideológico nos dias de hoje. Apoiar o governo sem ser pelego, ser socialista mas ser pragmático dentro de uma democracia representativa. Difícil saber onde essa gangorra vai parar.

 

Saber que a Copa e as Olimpíadas trarão avanços para o país, mas ser sensível a todas a “reintegrações de posse” patrocinadas pelo governo. Ter a consciência de que Belo Monte é essencial para o futuro do país, mas apoiar todos os índios que sofrem com os excessos do governo por meio de seu “convênio” com a iniciativa privada.

 

Vou desrespeitar todas as regras de uma boa redação e não vou dar resposta ao meu problema. Talvez essa incoerência seja humana e eu tenha que conviver com isso. Talvez eu arrume uma resposta com mais tempo e mais informação. Sempre respeitando, porém, o meu lado esquerdo: meu coração.

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