Podcast Fora de Foco #22 – Fascismo e crise de hegemonia com Tatiana Poggi

A nova edição do Podcast traz uma entrevista com a professora de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) Tatiana Poggi que falou sobre o novo fascismo que vem crescendo pelo mundo e crise de hegemonia.

Ela participa também do web curso sobre fascismo realizado pelo Esquerda Online. Clique aqui para ver

 

Ouça o programa

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Podcast Fora de Foco #21 – Mariel Deak – O Brasil mudou mais do que você pensa

 

Olá,

Mais uma edição do podcast chegando!!!

Hoje a conversa é com a socióloga e organizadora do livro “O Brasil mudou muito mais do que você pensa” lançado pela editora da Fundação Getúlio Vargas.

O livro fala de como o Brasil melhorou de 1995 até 2015, datas que saíram as PNADS contínuas do IBGE. Na entrevista a Mariel explica também a importância da democracia e do funcionamento das instituições teve nesse período.

Ouça ae!!!!

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As eleições e o que sentimos

Por Bruno Pavan

O brasileiro e a brasileira que estão minimamente por dentro das eleições presidenciais já está habituado (a) com a palavra “polarização”. Desde o final do pleito de 2014, quando Dilma Rousseff venceu Aécio Neves por uma diferença de 3.459.963. Ou seja: minúscula!

Desde então aconteceram muitas coisas: a radicalização do discurso tucano, que questionou a segurança da urna eletrônica e pediu recontagem de votos. Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados liderando o que ficou conhecido como “centrão” e liderando o golpe contra Dilma Rousseff em 2016.

Dilma e sua direção catastrófica na economia, também é personagem central.

A polarização deu as caras e saiu de vez do buraco.

O historiador israelense Yuval Noah Harari apontou, em seu livro 21 lições para o século 21 (Cia das Letras) que “para o bem ou para o mal, eleições e referendos não tem a ver com o que pensamos. Têm a ver com o que sentimos”.

Pesquisa do Datafolha (aqui) diz que 68% das pessoas entrevistadas dizem que se sentem com raiva ao pensar no Brasil. 78% mais desanimado do que animado. 80% mais triste do que alegre. 88% mais inseguros do que seguros. Foi com esse sentimento que o Brasil foi às urnas no domingo dia 8.

Um eleitorado com raiva, triste, desanimado em inseguro é um eleitorado com medo. Um lado, apavorado há anos por programas de TV sensacionalistas e correntes do WhattsApp tem medo do Brasil virar uma nova Cuba, medo de ter sua famílias destruída por uma suposta cartilha que vai ensinar as crianças a serem gays, dos refugiados roubarem seus empregos, da cantora Pabllo Vitar e muitos outros.

O outro lado também vive com medo. Medo de sair com um boné do MST e ser espancado (aqui); medo de ser espancada em uma discussão de bar (aqui); medo de ser atacada com um estilete e ter uma suástica feita em suas costas (aqui); medo de morrer esfaqueado após uma discussão política em um bar (aqui), etc, etc, etc

O fato do PT ter ficado entre 2003 e 2016 no poder e o país não ter virado comunista, continuar sendo o que mais mata trans mostra que um medo é justificável. O outro, manipulável.

O exemplo que Hariri usa no livro é o do referendo do Brexit. A maioria das pessoas que votaram pela saída da Grã Bretanha da União Europeia tinha pouca ou nenhuma noção do que isso poderia acarretar para a ilha. Mas o sentimento era o de que algo precisava mudar. Não importava como.

Mais de 46 milhões de pessoas votaram em Jair Bolsonaro no último domingo (8). Um candidato abertamente homofóbico (aqui), racista (aqui) e autoritário (aqui ). Mas, como lembrou o filósofo Rafael Azzi, a sua tia, que faz os melhores bolos de fubá, que te dá presentes legais no fim do ano, não é fascista por votar em Bolsonaro.

Sentimentos, que resolvem eleições e plebiscitos, como nos lembra Hariri, são manipuláveis.

O Fora de Foco é parceiro da Cia das Letras em 2018

Podcast Fora de Foco #19 – Dobradona e Vladimir Safatle

A nova edição do Podcast Fora de Foco está em clima de #EleNão….. opa, quer dizer, eleição.

O programa vai falar um pouco sobre a dobradona, uma iniciativa de lançamento de candidaturas que prezam pelo poder horizontal e uma mudança no modo de representação política. Para saber mais, entre no site dobradona.org

A segunda parte do programa traz um áudio do professor de FFLCH Vladimir Safatle sobre o risco de um novo golpe militar no país.

Ouça ae!!!!

 

Podcast Fora de Foco #18 – Fred Zeroquatro – Mundo Livre SA

A Décima oitava edição do podcast traz uma entrevista com Fred Zeroquatro, vocalista do Mundo Livre SA. A banda está lançando o álbum “A dança dos não famosos” que critica a justiça, a mídia e a direita brasileira além de se posicionar na crise política nacional

 

A crise de Singer vai ao chão; a de FHC flutua

Por Bruno Pavan

Sentado no sofá de casa, FHC é imbatível!  

Uma crise, dois pontos de vista. É isso que a editora Companhia das Letras traz, nesse ano eleitoral, com o lançamento de Lulismo em crise, do professor da USP e ex-porta voz do governo Lula, André Singer; e Crise e reinvenção da política no Brasil, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Um petista histórico e um fundador do PSDB, a começar pelo título das duas obras, não negam que há uma crise política no país. Mas as concordâncias entre os dois não vai muito além disso.

A começar que FHC recusa totalmente a narrativa da esquerda brasileira do golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Em sua obra, ele aponta que as instituições seguem funcionando normalmente, frase que seria cômica se não fosse trágica.

Singer, ao contrário, se lembra do famoso áudio de Sérgio Machado, da Transpetro, com o senador Romero Jucá (MDB-RO) em que o parlamentar fala, pela primeira vez, a frase que entrou para os anais da política brasileira: “um grande acordo nacional, com supremo, com tudo” para delimitar a lava jato “onde está”.

O manifesto efeagacista

Em uma matéria publicada no dia 20 de abril, a Folha de S.Paulo resume bem o novo livro do ex-presidente: um “manifesto efeagacista”. A obra fala de si mesmo e para si mesmo. Ela flutua e pisa pouco no chão. Parece mais um “textão” de Facebook.

“A esquerda diz que a questão central é reduzir as desigualdades. A direita diz que é aumentar a produtividade. Eu digo: temos de enfrentar o desafio de realizar uma coisa e outra, simultaneamente.”(PP. 132-133) Desafio você a achar alguma alma viva que discorde do ilustre professor.

O livro de FHC é mesmo uma junção de vários pensamentos que o ex-presidente teve sobre Brasil e mudança político e econômica no mundo.

Se observarmos a prática do PSDB, partido que ele foi eleito presidente por duas vezes, não parece que sua voz encontra eco.

Para FHC, é tudo “culpa do PT”. Desde o alto número de partidos fisiológicos no país (p. 62) até a corrupção, que antes era um “ato individual de conduta ou numa prática isolada de grupos políticos” e, com o PT se tornou prática de Estado (p. 30).

Quando apela para esse discurso ele se afasta da ponderação que tanto preza durante o livro. Há inúmeras críticas a uma direita autoritária ou que acredita que o mercado seja a saída de tudo no Brasil, mas não há, nas 238 páginas, nenhuma responsabilidade de seu partido nessa crise.

Nenhuma mea culpa tucana por ter incendiado a extrema-direita com seu discurso radical e depois ter perdido o controle do monstro que ajudou a criar. Nada sobre o apoio dos deputados do PSDB ao presidente Michel Temer nas duas tentativas de abertura de impeachment que sofreu. Nada sobre as pesadas denúncias contra Aécio Neves, candidato tucano à presidência em 2014.

Dilma e o pacto “Rooseveltiano”

A obra de Singer é a terceira de uma série sobre o fenômeno que ele mesmo batizou de Lulismo. Não me cabe aqui explicar o fenômenos que o professor levou mais de 1000 páginas até agora pra explicar, mas tentando resumir em poucas frases, o lulismo seria a opção feita pelo Partido dos Trabalhadores, com a Carta aos Brasileiros, de acreditar em uma aliança com a política hegemônica e um “reformismo fraco”. Ele resume muito bem o modo de governar da ex-presidenta que, ao contrário de Lula: quebra, mas não enverga.

Nesse terceiro livro, o professor começa a analisar a situação política desde 2011 quando, nas palavras dele, há uma tentativa de dar um passo à frente no reformismo fraco do lulismo com embates mais duros com setores como o elétrico e o bancário. Logo em seu primeiro ano de governo, Dilma tinha um o “sonho rosseveltiano” para o Brasil. O sonho “Roussefiano”, hoje sabemos, não deu certo.

Um dos pontos principais é quando o professor costura toda a relação do PMDB com o PT e o lulismo desde 2002. O então deputados José Dirceu havia costurado um apoio com o PMDB para 2002, que foi recusado por Lula, que preferiu a aliança com vários partidos pequenos e médios como o PP e o PR.

Dilma, no que Singer chamou de “pacto republicano”, começa a bater de frente com o peemedebismo quando nega a Eduardo Cunha a presidência de Furnas, os tira dos ministérios da Ciência e tecnologia e da Saúde e coloca um quadro técnico na presidência da Petrobras, Graça Foster, e exonera os diretores Renato Duque, Paulo Roberto Costa e Jorge Zelada, que vão aparecer anos depois no escândalo da Lava Jato.

Descontentes com os caminhos que o governo vinha tomando, grande parte do PMDB tentou articular um “volta Lula”, não em 2018, mas em 2014. Inclusive 40% votaram contra a nova aliança com Dilma para as eleições de 14. O fim dessa história, todos sabemos.

FHC desce ao chão

Voltando ao ex-presidente, acredito que Singer o tenha valorizado mais em seu livro do que ele mesmo. E em alguns momentos, quando finca os pés no chão, ele acerta. Na leitura que faz sobre as jornadas de junho de 2013, já na época, ele identifica muito bem que há uma massa da nova classe média em disputa e que a centro direita poderia capturar.

“Muita gente ‘de baixo’ ascendeu pelo esforço, pelo trabalho. Há um novo ethos feito de novos valores: estudo, mérito, competência” (P. 113).

Aí está uma grande chave pra tentar entender como os manifestantes de 2013 viraram uma massa de descontentes em 2015. Políticas públicas como o aumento real do salário mínimo, FIES, ProUni, junto com o período de bonança no cenário internacional permitiu que houvesse uma ascensão social de milhões de pessoas nos anos Lula e na primeira metade do primeiro governo Dilma. O debate se esse grande número de pessoas se tratava de uma nova classe média ou uma nova classe trabalhadora é mais do que simples retórica. Há uma disputa entre as duas teses.

De fato a “nova classe c” era de tudo um pouco. Mas não era nada, ao mesmo tempo. A classe média, como nos ensina Jessé Souza, é uma classe de privilégios. Por isso é um erro enorme apontar que há uma locomoção de classe somente pela renda mensal familiar. Mas também é um erro considerá-la uma classe trabalhadora clássica, pois ela é desorganizada. Logo, ela ganha valores de classe média, como bem explicou FHC no curto trecho acima, mas perde esse status material quando a primeira crise chega.

Como não houve nenhum processo de conscientização política dessa parcela por conta do projeto lulista, ela se vira contra o estado e a política tradicional. Claro que há mérito na ascensão dessas pessoas, mas houve também um forte incentivo estatal, que é negado na primeira oportunidade.

Mais leve que o ar

O que fica da comparação é o pé no chão. Singer tenta entender a realidade com a ajuda de dezenas de pensadores (inclusive FHC) e artigos de jornal. O lulismo talvez não tenha acabado, dada a liderança do ex-presidente em todas as pesquisas eleitorais mesmo preso, mas é um fenômeno que passa por um debate e novos desafios.

Como FHC é um pote até aqui de mágoas, como deixa claro quando se queixa de nenhum candidato tucano à presidência defendeu seu legado em nenhuma campanha (p. 125), ele não vê terreno firme pra fincar o pé. Isso dá a ele (e a seu livro) uma suposta liberdade para criticar todos. Mas acaba lhe faltando a substância.

Sentado no sofá de casa, FHC é imbatível!

*O Fora de Foco é um dos sites parceiros da Cia das Letras  mas as opiniões expressas são de responsabilidade do autor

Podcast Fora de Foco #17 – Bolsonaro e o auditório

Olá,

Está no ar a 17a edição do Podcast Fora de Foco!

Desta vez a entrevista é com os pesquisadores do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) que escreveram o artigo: Política, entretenimento e polêmica: Bolsonaro nos programas de auditório. Clique aqui para ler.

Eles analisam como as constantes idas do deputado e candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) moldou o seu discurso e seu apoio indo a programas de auditório como o Superpop e não fugindo de polêmicas.

Ouça o programa nas plataformas:

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Datena não será candidato de si mesmo

Por Bruno Pavan

O jornalista e apresentador José Luis Datena é pré-candidato ao senado pelo DEM de São Paulo e deve disputar uma vaga das duas que o estado (todos eles) tem em 2018.

Várias montagens já circulam na internet com fotos do filme Tropa de Elite II, quando o personagem Fortunato, carismático apresentador de um programa policialesco, sai como candidato a deputado estadual.

Em 2016, Datena já ensaiou ser candidato pelo Partido Progressista, à prefeitura de São Paulo. Acabou desistindo fazendo críticas ao ex-governador e ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf, deputado eleito pelo mesmo partido.

Talvez a maior qualidade de Datena, em um momento em que a classe política esteja tão desacreditada, seja essa: a falta de papas na língua. Ele é “um de nós” ali. Isso é mostrado muito bem na entrevista que deu, ainda em 202, ao jornalista Maurício Stycer, do UOL. Ele critica o deputado federal Celso Russomanno (PRB-SP) e diz que “é injusto em comunicador entrar na política”. No mesmo trecho da entrevista, porém, a autenticidade pode até pesar a favor dele quando diz que é “uma porcaria como administrador” em um momento que os administradores eleitos estão em descrédito tão alto.

Mas a falta das papas também pode ser prejudicial fazendo ele cair em armadilhas. Nesta semana ele gravou um vídeo de apoio ao pré-candidato tucano à presidência da república Geraldo Alckmin, quando o seu partido ainda negocia apoio com o pedetista Ciro Gomes. “Não sabia que era tão importante”, disse o apresentador à coluna de Mônica Bergamo.

Uma manifestação de apoio no principal colégio eleitoral brasileiro e um candidato que o partido ainda não decidiu apoiar é, sim, importante. Para um candidato como Ciro, que terá dificuldades em São Paulo, ter um palanque com Datena é uma boa carta na manga. Para Alckmin, que apesar de ser governador ainda está em maus lençóis no estado, também.

Outro ponto importante é que o apresentador tentará uma vaga no Senado, casa que tende a ser mais conservadora sendo as coisas mais difíceis de andar.

O jornalista, ainda na entrevista à Bergamo, disse que pode “joaquinzar”, ou seja, desistir da pré-candidatura assim como o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa desistiu da sua ao Palácio do Planalto e confessa que está sendo pressionado pela família a desistir, discurso que lembra o do também apresentador Luciano Huck, quando não topou a empreitada rumo à presidência.

Datena precisa entender que mesmo com sua postura “antipolítica”, quando for candidato, terá que trabalhar em conjunto com seus pares de partido. Ele não é um “candidato de si mesmo” e terá que enfrentar palanques, posar pra fotos e dar declarações de apoio.